domingo, 1 de fevereiro de 2026

PECADORES (2025)



PECADORES (Sinners / 2025) - Tive que assistir 2 vezes. Confesso que, nas duas tive a mesma dificuldade: o ritmo lento na primeira hora do filme, que parece não levar a nada. E quando pega no breu é uma sanguinolência desvairada, com surpresas, reviravoltas, estacas e tudo isso... tudo que se espera de um filme de vampiro. Mas Pecadores, de Ryan Coogler, quer ser mais. Quer discutir pertencimento, herança, apagamento.

Os irmãos gêmeos Smoke e Stack (ambos vividos por Michael B. Jordan) voltam de Chicago cheio de dinheiro e na terra natal tem um plano ambicioso de comprar um celeiro para transformá-lo em um local de celebração da cultura negra, com bebida e muita dança. O problema é que o filme se passa em 1832 no sul dos EUA, lugar marcado pelo racismo, segregação e perseguição aos negros.

Durante um bom tempo da primeira metade do filme, os irmãos vão de carro de ponto a ponto recolhendo pessoas que podem ajudar nessa missão: o tocador de banjo (que é primo deles), o cara fortão que se torna segurança do lugar, o cara que toca gaita na estação, o casal chinês que cuida do mercadinho para servir bebidas e assim vai. Isso toma mais tempo do que deveria e deixa o filme bastante arrastado.

Aos poucos vai pegando no breu e engata, principalmente à partir do ponto em que vampiros aparecem para tomar aquela região como sendo deles, atacando o maior número de pessoas possível naquela área. Até que chegam ao celeiro, que naquela hora já está em festa com música e dança rolando na madrugada. Não fazer uma relação com Um Drinque no Inferno aqui é impossível, mas no filme dirigido por Robert Rodriguez e escrito por Tarantino, não parece haver subtexto - é tudo sobre vampiros que tendam destruir uma noite numa bodega qualquer afastada de tudo e de todos. E é maravilhoso por sinal...

Em Pecadores não. É a perseguição e tentativa de apagamento, primeiro dos indígenas que eram os "donos" da terra e são tratados como nada em uma ínfima participação no meio filme. Depois dos negros que "ousam" se alegrar e festejar numa região onde tanto já lhes foi tirado. Esse subtexto não é claro, fica escondido nas entrelinhas.

Pecadores se tornou o filme com o maior número de indicações ao Oscar na história, com 16. É festejado, ovacionado e aplaudido por muitas plateias e críticos por aí. Tem a sua importância, é inegável a relevância do texto e do subtexto que traz, do talento de Michael B. Jordan e do Coogler, dos símbolos escondidos e tudo mais. Mas a mim, não pegou. Não é ruim, mas falta muita coisa para se tornar bom. 

Veja abaixo o trailer de Pecadores:  


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

UMA BATALHA APÓS A OUTRA (2025)


UMA BATALHA APÓS A OUTRA (One Battle After Another / 2025) - Paul Thomas Anderson está de volta em mais um filme quase épico, grandioso, com uma história que mistura drama pessoal, ternura familiar e revolução. E, se tem alguém que pode fazer essa salada dar certo, é ele. 

O filme começa com um prólogo eletrizante, mostrando um grupo de revolucionários agindo contra a polícia que prende e persegue estrangeiros na fronteira dos Estados Unidos com o México. Todo o paralelo com a realidade atual não é coincidência. Esse início é muito enérgico, impactante, bem sonorizado — e tem na personagem Perfidia Beverly Hills (Teyana Taylor) sua grande força motriz. Ela é a grande revolucionária: líder do grupo que tem Bob (Leonardo DiCaprio) como seu principal parceiro. Teyana tem pouco tempo de tela, mas mesmo assim foi bastante reconhecida na temporada de premiações. E com muitos méritos.

Depois do prólogo, o filme avança alguns anos no tempo, acompanhando Bob  como um pai que cria sozinho sua filha adolescente. A partir daí, Uma Batalha Após a Outra torna-se um filme sobre consequências: tudo o que foi feito no passado volta para cobrar seu preço. Bob precisa enfrentar seus demônios, superar o vício em álcool e drogas e buscar uma aproximação com a filha, com quem enfrenta um certo afastamento emocional. 

Sergio (Benício Del Toro) é o professor de caratê dela e por trás desempenha um papel importante na proteção de estrangeiros ilegais. O papel é pequeno, mas importantíssimo pra trama. Ele tem a segurança e a tranquilidade que falta à Bob na lida com os agentes da imigração. Del Toro é seguro, engraçado e domina as cenas onde aparece. 

Na outra ponta dessa história, está Steven Lockjaw, vivido por Sean Penn. É um militar de carreira, um coronel de alta patente, que impõe terror no jeito de falar, no jeito de andar e no olhar. E, por conta de algumas situações no passado, ele busca Bob por todos os lados para limpar a própria barra. E Penn nasceu para esse tipo de papel e, mais uma vez, está excelente. Talento do texto de Paul Thomas Anderson - que escreveu e dirigiu o longa, e da interpretação magnífica de Sean Penn

Uma Batalha Após a Outra é inspirado num livro de Thomas Pynchon, o mesmo autor de O Vício Inerente, e como disse, dialoga demais com a atual situação no território estadunidense, onde imigrantes (ilegais ou não) estão por todos os lados, desempenhando diversos papeis de muita importância na sociedade. É um épico atual, que cutuca, incomoda, não para por 1 segundo e que definitivamente não faz feio na filmografia absurda do diretor, que já entregou Boogie Nights, Sangue Negro, Magnólia e Licorice Pizza entre outros.