Tom Cruise é Digger, um empresário absurdamente rico que investe pesado na sua empresa de perfuração de terreno atrás de petróleo. No futuro distópico - onde as condições de vida parecem ruins, opressoras, assustadoras e até desumanizadas - Digger investe pesado em perfurar as geleiras da Groenlândia. É avisado, por um funcionário direto da ilha, que estão acontecendo alguns imprevistos relacionados a vazamento de gás. Cada vez com mais intensidade. Digger ignora e decide não parar com a operação, o que causa uma explosão gigantesca na geleira. O resultado: um bloco enorme com centenas de quilômetros se solta e navega à deriva em alto mar. Em 3 dias vai chegar ao litoral da Europa.
Digger chama uma reunião às pressas com o presidente do país, vivido por John Goodman, que decide não avisar a Europa e trabalhar com as catastróficas consequências. A similaridade do político e da sua postura com a de qualquer figura autoritária e excêntrica que existe por aí certamente não é mera coincidência.
O longa é exagerado e propositalmente "cartunesco", o que lhe dá uma assinatura bem marcante e fundamental. Por isso Digger não sai da cabeça tão fácil. No filme, o cientista Ganesh (Riz Ahmed) avisa o tempo todo da catástrofe que se aproxima, e ninguém leva a sério. Ainda mais quando o fato se consuma levando a uma cadeia de acontecimentos e outras reviravoltas igualmente trágicas. Tudo se torna uma grande bola de neve... e de sangue.
A mansão de Digger sem iluminação artificial e com um toque pesado de "velho rico" funciona como um indicativo de como o personagem é antiquado e nojento até. Tom Cruise domina cada cena e entrega um grande trabalho.
O roteiro de Iñarritú propõe uma espécie de metalinguagem interessante que não posso dizer aqui porque estraga a experiência de quem vai assistir, mas funciona muito bem, dá uma leveza pra história e destaca a inventividade do roteiro do cineasta. Digger é triste, levemente cômico e muito necessário.
Veja abaixo o trailer de Digger.


