UMA BATALHA APÓS A OUTRA (One Battle After Another / 2025) - Paul Thomas Anderson está de volta em mais um filme quase épico, grandioso, com uma história que mistura drama pessoal, ternura familiar e revolução. E, se tem alguém que pode fazer essa salada dar certo, é ele.
O filme começa com um prólogo eletrizante, mostrando um grupo de revolucionários agindo contra a polícia que prende e persegue estrangeiros na fronteira dos Estados Unidos com o México. Todo o paralelo com a realidade atual não é coincidência. Esse início é muito enérgico, impactante, bem sonorizado — e tem na personagem Perfidia Beverly Hills (Teyana Taylor) sua grande força motriz. Ela é a grande revolucionária: líder do grupo que tem Bob (Leonardo DiCaprio) como seu principal parceiro. Teyana tem pouco tempo de tela, mas mesmo assim foi bastante reconhecida na temporada de premiações. E com muitos méritos.
Depois do prólogo, o filme avança alguns anos no tempo, acompanhando Bob como um pai que cria sozinho sua filha adolescente. A partir daí, Uma Batalha Após a Outra torna-se um filme sobre consequências: tudo o que foi feito no passado volta para cobrar seu preço. Bob precisa enfrentar seus demônios, superar o vício em álcool e drogas e buscar uma aproximação com a filha, com quem enfrenta um certo afastamento emocional.
Sergio (Benício Del Toro) é o professor de caratê dela e por trás desempenha um papel importante na proteção de estrangeiros ilegais. O papel é pequeno, mas importantíssimo pra trama. Ele tem a segurança e a tranquilidade que falta à Bob na lida com os agentes da imigração. Del Toro é seguro, engraçado e domina as cenas onde aparece.
Na outra ponta dessa história, está Steven Lockjaw, vivido por Sean Penn. É um militar de carreira, um coronel de alta patente, que impõe terror no jeito de falar, no jeito de andar e no olhar. E, por conta de algumas situações no passado, ele busca Bob por todos os lados para limpar a própria barra. E Penn nasceu para esse tipo de papel e, mais uma vez, está excelente. Talento do texto de Paul Thomas Anderson - que escreveu e dirigiu o longa, e da interpretação magnífica de Sean Penn.
Uma Batalha Após a Outra é inspirado num livro de Thomas Pynchon, o mesmo autor de O Vício Inerente, e como disse, dialoga demais com a atual situação no território estadunidense, onde imigrantes (ilegais ou não) estão por todos os lados, desempenhando diversos papeis de muita importância na sociedade. É um épico atual, que cutuca, incomoda, não para por 1 segundo e que definitivamente não faz feio na filmografia absurda do diretor, que já entregou Boogie Nights, Sangue Negro, Magnólia e Licorice Pizza entre outros.