terça-feira, 4 de junho de 2013

DENTRO DA CASA (Dans La Maison / 2012) - Desde 1988 uma carreira que não para de crescer. A cada ano dois filmes, entre curtas, longas e documentários. Quase todos lançados apenas em solo francês. O intrigante e premiado 8 Mulheres de 2002, com Catherine Deneuve, colocou o diretor François Ozon no mapa do cinema mundial. Ozon se mostrou por toda a sua carreira como um diretor das pequenas histórias, pequenos personagens, por isso mesmo não é de surpreender quando ele entre este Dentro de Casa.

Ozon explicando como quer a cena

Os sentimentos aqui se confundem por toda a trama - vai do suspense à comédia, do thriller ao drama em poucos segundos, em alguns momentos nos vemos naqueles personagens e naquelas situações em outros sofremos para tentar entender porque aquele personagem fez ou deixou de fazer aquilo. É intrincado mesmo.

O talentoso aluno confronta o experiente professor

Germain é um professor de literatura em uma escola e começa o filme desanimado por estar ensinando uma classe onde nenhum aluno mostra qualquer interesse na leitura e no desenvolver da sua escrita. Apenas a escrita de Claude Garcia lhe chama atenção, o menino tem o dom. Junto com a sua esposa Jeanne, Germain começa a se interessar cada vez mais pela história que Claude conta, apesar de soar um pouco invasiva demais.

O casal não é mais o mesmo depois das redações do aluno

O menino descreve em todos os detalhes a vida levada por seu colega de escola, Rapha, e sua relação com seus pais. Quando Claude é convidado a entrar na casa de Rapha para ajudá-lo nos estudos tudo fica pior. A cada redação Claude entrega mais a intimidade daquela família e para conseguir mais ele acaba se tornando um voyuer, ao se esconder atrás da porta, no armário e nos corredores ao ouvir conversas entre os pais.

O aluno e a família de classe média, seu objeto de estudo

A partir desse momento, Claude começa a desenvolver uma paixonite pela entendiada mãe de Rapha, Esther. Tudo é contado em suas redações para Germain e Jeanne que, presos à história, de certa forma acabam alimentando para que tudo aquilo continue.

Claude e Esther, uma paixão real?

O desfecho, como qualquer "pequeno" filme tende à tragédia. Embora possa se pensar que isso é impossível, visto que se trata de uma família de classe média e bem estabelecida, é o que acaba por acontecer. É surpreendente ao mesmo tempo que totalmente não-crível.

O casal saudável e por fim abalado

É justamente neste trecho final, últimos 20 minutos que tudo degringola. Ozon pesou a mão no roteiro, ainda mais com uma história que ia tão bem, personagens ótimos, atores bem escolhidos e uma trama instigante. Perde-se muito do filme quando se depara com om que acontece no final, mas Ozon parece não se preocupar. A conclusão realmente é inesperada, mas não de uma forma boa.

Claude passa dos limites - realidade ou ficção?

Infelizmente Ozon não segue uma sugestão de um diálogo do filme - "Você não sabe como encerrar a sua história? Dê a eles um final surpreendente e ao mesmo tempo que os faça pensar que aquele é o único final possível."

A cena final

Veja abaixo o trailer de Dentro da Casa:


TOP SECRET! SUPER CONFIDENCIAL (1984) - Jim Abrahams, David Zucker e Jerry Zucker não passavam de trintões no começo dos anos 80 quando começaram a escrever alguns roteiros amalucados. Da cabeça e das mãos desses três saíram os clássicos Apertem os cintos o Piloto Sumiu, Corra que a Polícia Vem Aí, e esse Top Secret! Super Confidencial em 1984.

Abrahms e os irmãos Zucker

Val Kilmer era um desconhecido. Tinha quase 25 quando foi chamado para estrelar uma comédia rasgada sobre um cantor (que virou espião) na Alemanha Oriental e foi chamado para tentar derrubar os entusiastas comunistas pelo bem do capitalismo.

O novinho Val Kilmer

Aqui tudo é absurdo. Inclusive a participação mais do que especial do astro-mito Omar Sharif como um espião que se mete em complicadas situações. O convite a Sharif foi feita por acaso, eles nem imaginavam que ele poderia aceitar. E não é que aceitou? Sharif abrilhantou Top Secret nos seus momentos iniciais em um momento onde o filme ainda não engrena.

Dentro dos destroços do seu carro Omar Sharif, ainda vivo, continua espionando

A comédia passa a fazer "sentido" a partir da metade para dizer a verdade. No começo ela engasga aqui e ali e não vai pra frente. Mas nem tanto pelo desempenho de Kilmer, e sim pelos coadjuvantes que roubam a cena o tempo todo. Principalmente a trupe de soldados franceses - Du Quois, Déjà Vu, Mousse de Chocolate e Latrina.

À esquerda dois coadjuvantes que roubam a cena em Top Secret!

Val Kilmer ainda arrisca uns passos à lá Elvis, como pede o seu personagem, transformado Top Secret! em um musical também em alguns momentos. Mesmo assim o filme não decola como outros que saíram dessas mentes como Corra que a Polícia Vem Aí e Top Gang (dirigido por Abrahams em 1991). Em certo momento fica claro que Top Secret! envelheceu mal.

Pintando a paisagem. Top Secret e seu humor escrachado

Veja abaixo o trailer de Top Secret! Super Confidencial:


A foto-símbolo do filme

A MORTE DO DEMÔNIO (The Evil Dead / 1981) - A série Evil Dead provou muita coisa. Entre elas, talvez a principal, seja ter mostrado ser possível para um bando de garotos que o sonho de se fazer cinema é mais simples do que se imagina. Eu não digo o cinemão, isso é consequência, falo sobre o ato de se pegar uma câmera, juntar os amigos e fazer uma história tomar vida. Esse Evil Dead teve que do zero criar o seu público, é de se louvar o que aqueles garotos fizeram com o terror no início da década de 80. Sam Raimi 21 e Bruce Campbell 22 lideravam aquela turma.

Campbell e Raimi
Suas influências eram inúmeras, de George Romero a Três Patetas. Essa combinação absurda fica clara ao se assistir os filmes que a Renaissance Pictures (a produtora deles) produziu daquele ponto em diante. Sam Raimi sempre foi o mais inventivo, ele sempre dirigia, comandava, escrevia os roteiros e criava as trucagens mais absurdas, o que acabou por se tornar a sua marca.

Raimi comandando as ações em Evil Dead
Bruce Campbell virou ator por acaso, ele sempre acabava na frente das câmeras porque da "turma era certamente o mais bonito", eles brincavam. Bruce acabou com o papel de Ashley e deveria agradecer por isso. Ash acabou se tornando um mito, um ícone, um símbolo de um herói atrapalhado mas corajoso, simpático e inseguro. A partir daquele ponto Bruce Campbell não seria mais um ator, Bruce Campbell seria e o é até hoje, Ash.


Ash ouvindo a gravação que conta como se salvar
Ash e mais cinco amigos acabam numa cabana no meio da floresta. O demônio entra no corpo de um deles e acaba por possuir um a um, menos Ash, que de coadjuvante acaba como herói, "derrotando" o demônio em cada corpo que assume.


Ash encarando de frente os problemas

Pode-se dizer que apesar das influências todas esse Evil Dead é o mais sério de todos os filmes da série, como pode ser visto na encarnação de Linda por exemplo e no seu auge quando ela canta "We´re gonna get you" para Ash com um rosto amedrontadoramente angelical. Tem que se admitir - apesar de coxa, assusta.

"We´re gonna get you!"

Este primeiro capítulo da série serviu como um abre-alas para muitas aventuras e muitos outros filmes baseados e/ou inspirados em histórias como essas. Sam Raimi não tentava inventar a roda, sabia que seu filme tinha bebido em inúmeras fontes - Quadrilha de Sádicos, O Massacre da Serra Elétrica, O Bebê de Rosemary. Levou Raimi ao posto de um cineasta que poderia mostrar muito mais e criou Ash, um herói inesperado. Evil Dead tem muita coisa boa para deixar passar sem ser notado.



Ash tem problemas!

Para saber mais é obrigatória a leitura do livro "Evil Dead - A Morte do Demônio - Arquivos Mortos", de Bill Warren, da editora Darkside. É espetacular. Disseca cada aspecto não apenas do filme original mas das continuações, do musical (!) e de toda sua influência na cultura pop. É muito bem ilustrado e muito fácil de ler. Indispensável!  

O medo vem do porão

Assista o trailer de Evil Dead - A Morte do Demônio abaixo.


sábado, 1 de junho de 2013

Ele está vindo... ele está armado
O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (Texas Chain Saw Massacre / 1974) - Você conhece Ed Gein? Nunca foi ator, diretor ou produtor de cinema, mas influenciou diretamente ao menos três dos mais cultuados filmes de terror da história. Ed Gein (que chegou a virar filme em 2000 - Ed Gein - O Serial Killer) foi uma mente perturbada do interior do Wisconsin acusado de praticar sequestro, tortura, assassinato, desmembramento e depois fazer uso de partes dos corpos e das peles das suas vitimas. Um dos maníacos mais doentios que já se teve notícia. Só para se ter uma ideia - em 1957 a polícia fez uma busca em sua casa e encontrou no porão 4 narizes humanos, fragmentos de ossos espalhados pelo piso, 9 máscaras feitas com rostos, tigelas feitas com crânio, 10 cabeças de mulheres, pele humana cobrindo toda a sua mobília, 9 vulvas dentro de uma caixa de sapato, um cinto feito com mamilos, lábios prendendo a cortina do seu quarto e um abajur todo talhado de pele humana. Bizarro.

Os megacloses, criação de Hooper que são uma das marcas da franquia

Esse fatídico assassino, morto em 1986, inspirou a criação de Norman Bates, James Gumb e Leatherface, personagens centrais dos filmes Psicose, O Silêncio dos Inocentes e O Massacre da Serra Elétrica, respectivamente.

Em ordem horária: Leatherface, Norman Bates, Ed Gein e James Gumb

O clássico de Tobe Hooper de 1974 é tão aterrador e impressionante quanto cru e simples. Cinco amigos viajam numa tarde de domingo pelo interior do Texas procurando o casarão onde dois deles (os irmãos Sally e o paraplégico Franklin) passaram boa parte da infância. No caminho dão carona para um viajante perturbado que gosta de facas e navalhas, param em um posto de gasolina para pedir informações e logo chegam ao casarão.

O casarão que esconde muitos segredos

Os problemas começam quando eles vão, separadamente, desvendar a região e encontram uma grande casa branca. Um a um, eles acabam sendo atraídos para dentro dela e atacados por Leatherface, um homenzarrão de máscara, avental e uma marreta. Violentamente, Leatherface fecha a porta corrediça de aço.

Leatherface corre a porta de aço

Sally e seu irmão Franklin são atacados por Leatherface, desta vez portando uma motosserra. Franklin é serrado ao meio e Sally passa a correr com a motosserra berrando ao seu ouvido. Ela chega à casa branca  e sobe as escadas, no quarto vê dois corpos em decomposição sentados em duas cadeiras de balanço e uma ossada de cachorro no chão.

Sally conhece vovô e vovó

Acaba agarrada por e se vê presa numa mesa no que parece ser um jantar daquela "família". Leatherface desta vez usa uma máscara com batom e maquiagem, o carona e o cara do posto do gasolina e o corpo do vovô também estão lá. É grotesco, um festival de tortura sem fim e ao mesmo tempo maravilhoso.

O jantar grotesco

Sally escapa de ser morta, se livra das cordas que a prende e pula a janela. Na queda vemos que o sol já nasceu e ela passa a ser perseguida pelo carona e Letherface com a sua motosserra. A perseguição acaba na estrada, um caminhão atropela o carona e Sally consegue entrar numa pequena caminhonete deixando Leatherface enfurecido, girando sua motosserra no ar (cena antológica) e logo depois, ainda perturbados por tudo o que vimos, o filme corta seco pro black e começam uns créditos. Pouco é mostrado e nada é explicado.

Leatherface girando sua motosserra, cena antológica

As filmagens de O Massacre da Serra Elétrica duraram cerca de 30 dias. Os atores não tinham roupas substitutas e tiravam que usar as mesmas, sem lavar, por 30 dias. A cena do jantar bizarro foi ainda pior. Comida podre e ossos humanos e de animais de verdade estavam espalhados pelo cenário e fediam cada vez mais por causa do calor, as janelas estavam fechadas para evitar luz do sol e não tinha ar condicionado. Era comum os atores e a equipe de produção saírem da sala para vomitar, por causa do insuportável fedor. História essa e outras contadas no livro "O Massacre da Serra Elétrica - Arquivos Sangrentos" da Darkside Books.

O livro que conta detalhes de toda saga

Tobe Hooper enfrentou sérios problemas para entregar O Massacre da Serra Elétrica do jeito que quis. E conseguiu. É um filme único, cru e muito intenso. Colocou Leatherface no covil dos maiores serial killers do cinema e criou um clássico em todos os sentidos.
Veja abaixo o trailer de O Massacre da Serra Elétrica:


quarta-feira, 29 de maio de 2013



CORAÇÕES SUJOS (2011) - Vicente Amorim é austríaco de nascimento, mas brasileiro de coração. Passou quase toda sua infância entre Brasília e Rio de Janeiro. Desde sempre se interessou por cinema e começou a trabalhar ainda no final dos anos 80 como diretor de segunda unidade, que geralmente cuida das imagens de apoio, sem a utilização de atores. À cumbuca de Vicente Amorim junta-se algumas experiências como produtor. O caminho para assumir a cadeira de diretor era questão de tempo.

Vicente Amorim comanda equipe em São Paulo

O Caminho das Nuvens foi sua primeira experiência na direção de longas. O resultado não foi dos mais satisfatórios, não passou de um road movie raso. Cinco anos depois foi à Hollywood para dirigir O Homem Bom com Viggo Mortensen. E agora, três anos depois, ele entrega este Corações Sujos, baseado no livro homônimo de 2000 escrito pelo jornalista Fernando Morais.

O livro de Fernando Morais que originou o longa

A história, real, se passa em 1946/1947 no interior de São Paulo. Há uma comunidade cada vez mais crescente de japoneses que estão migrando para o Brasil para fugir dos horrores da segunda guerra mundial e eles começam a implantar por aqui uma espécie de filial da sua própria nação. Tudo é veementemente proibido pelas autoridades brasileiras que enxergam o Japão como uma nação inimiga, por ter se aliado aos países do eixo.

Os brasileiros veem os japoneses como inimigos

A guerra já acabou, o Japão se rendeu incondicionalmente devido às duas bombas atômicas jogadas em seu território. O fim da guerra e a derrota do Japão é noticiada na comunidade japonesa em São Paulo, mas ninguém acredita, todos pensam se tratar de uma armação dos brasileiros. O orgulho japonês fala mais alto. Seus líderes, principalmente o coronel Watanabe, iniciam um movimento de matar qualquer japonês que tome por verdade o que o governo brasileiro diz. Segundo Watanabe "o Japão nunca perdeu uma guerra e o japonês que diz o contrário não passa de um traidor, não passa de um coração sujo".

Os japoneses em busca dos "corações sujos"

Uma matança sem precedentes começa na comunidade e as autoridades brasileiras, comandadas pelo delegado vivido por Eduardo Moscovis, investiga sem muito sucesso.

O delegado no comando das investigações

Todo o filme é belíssimo. A história, assustadoramente real, é conduzida de forma firme por Vicente, apesar das dificuldades do idioma. Sem medo de errar, afirmo que 90% do filme é falado em japonês. E 99% dos atores japoneses são japoneses mesmo, por isso Vicente faz o uso constante de intérprete durante as filmagens.

O orgulho japonês posto à prova no interior de São Paulo

O que poderia ser um empecilho, no final acabou ajudando. Os atores se entregaram à história com muito afinco, como se tivessem orgulhoso de representarem papéis dos seus antepassados. A própria linguagem de todo o longa acaba se inspirando nos grandes filmes japoneses e acaba por empresar toda a delicadeza e a sensibilidade oriental. Corações Sujos é uma obra de arte.

Planos e interpretações inspiradas marcam Corações Sujos

Orgulho é a palavra que permeia toda a história de Corações Sujos. Orgulho dos japoneses por se entregarem à história que conta a formação da maior comunidade fora de seu país. E orgulho nosso por ver um resultado tão satisfatório, certamente um dos filmes mais belos que o cinema nacional já produziu.
Veja abaixo o trailer de Corações Sujos:


domingo, 26 de maio de 2013

A MORTE DO DEMÔNIO (Evil Dead / 2013) - Não é sempre, mas os remakes não costumam ser vistos com bons olhos. Em alguns casos específicos, de filmes muito adorados, com fãs fervorosos um remake acaba se tornando algo odiado, simplesmente pelo fato de ser feito. Geralmente eles acabam sendo criticados muito antes do lançamento, porque as informações que costumam vazar na internet indicando mudanças em relação ao original podem destruir um projeto todo. Vide o nosso José Padilha que tem sido bombardeado pelos amantes de Robocop por mudar a cor da armadura do policial do futuro e ter criado carros e motos que não são futuristas como deveriam ser.

Ash em 1981

Para você que não conhece vai uma pequena explicação sobre A Morte do Demônio. O original de 1981 foi uma criação amalucada de uns moleques apaixonados por cinema. Cada um tinha pouco menos de 20 anos quando se envolveu no projeto. Sam Raimi dirigiu, Bruce Campbell produziu e estrelou o filme. E foi um sucesso. A razão? Uma mistura escrachada de sangue, tripas e outras nojeiras com situações inusitadas, frases de efeito e um herói com cara de assustado. Ao mesmo tempo que enojava divertia. Nascia ali o gênero "terrir".


Ash wants you
O filme gerou duas sequências e Raimi se entregou ao cinemão comandando entre outros a trilogia do Homem-Aranha com Tobey Maguire. Em 2009 ele voltou àquilo que foi a sua origem, ao gênero que o alçoou ao lançar o ótimo Arraste-me Para o Inferno.

Campbell e Raimi em 1981

Fede Alvarez é novo, tem pouco menos de 35 anos de idade, tinha apenas 3 quando A Morte do Demônio original foi lançado. O diretor uruguaio dirigiu alguns curtas metragens antes de ser cogitado para assumir a cadeira do remake de A Morte do Demônio. El Cojonudo (2005) e Ataque de Pánico (2009) ambos disponíveis para assistir abaixo, elevaram o nome de Fede a outra patamar.



E foi assim. Uma noite ele estava sentado em caso finalizando uma de suas criações, na outra estava ao lado de Sam Raimi e Bruce Campbell discutindo um roteiro de 30 milhões de dólares, aquele que viria ser o remake do clássico da dupla Raimi-Campbell de 1981.

Bruce-Ash-Campbell de vermelho e Fede no lançamento do remake

A escolha se mostrou certa. Mesmo entre os mais ferrenhos fãs da série é difícil encontrar aqueles que não se empolgam a ver esse remake. A questão aqui não é copiar o original, revivê-lo em cada corte (como Gus Van Sant fez em 1998 com Psicose de Hitchcock), e sim homenageá-lo e Fede fez isso à altura.

Fede remontando um clássico

O roteiro escrito por Fede Rodriguez e Rodo Sayaguez e revisado por Diablo Cody (que escreveu Juno) gira em torno de 5 amigos (David, Eric, Mia, Olivia e Natalie, suas iniciais formam juntas "DEMON") que chegam a uma cabana no meio da floresta tentando fazer com que a viciada Mia seja curada da sua dependência das drogas.

Os amigos chegando a cabana

Em um rápido flashback inicial vemos uma menina aprisionada no porão da cabana e em ritual de magia negra, ela se mostra possuída pelo demônio e acaba queimada em um toco de madeira. Há um livro, "Book of the Dead", que possui umas palavras num idioma antigo que são recitadas no momento do sacrifício.

Book of the Dead

Voltamos ao tempos atuais. Mesma cabana. Curiosos sempre se dão mal em filmes de terror. Um dos caras acha o tal livro e começa a lê-lo, em alguns momentos em voz alta. Naquele momento ele "libera" algo. E surge a primeira "Sam-o-cam", invenção de Raimi e usada no original de 1981. A câmera desliza pela floresta em alta velocidade com um rangido e atinge a cabana. É o mal chegando, o demônio a atingir o grupo, um por um.

Sam-o-cam

Numa tentativa de fugir de lá, Mia corre pela floresta e se enrosca em uma complicada rede de cipós e galhos secos. Sua roupa é rasgada e ela acaba estuprada pelos galhos recebendo em seu corpo o demônio. Um vômito negro é expelido, a primeira nojeira de A Morte do Demônio.

No arbusto seco o primeiro contato

Ao voltar pra cabana, Mia se tranca no quarto. Seu irmão vai conversar e ela sussurra, assustadoramente, que precisa sair dali. A iluminação e o seu olhar assustam, talvez o único momento de medo do filme (pelo menos para mim). Todos encaram aquilo como mais um devaneio de uma menina que só quer voltar a se drogar. Pouco a pouco eles iam perceber que ali tinha algo de errado.

Tem algo de errado nesta cabana

A noite ela se transforma no tal demônio na frente de todos, a voz cavernosa diz que dali nenhum irá sobreviver. Mia é jogada e acorrentada no porão. Vez por outra ela aparece e continua a provocar e assustar os seus amigos.

Mia, possuída, presa no porão

Enfim, não dá para contar cena por cena. O que dá para dizer é que daí tudo só piora, o demônio entra no corpo de cada um deles, um por vez. Tem até uma homenagem a mãozinha de Ash (o herói do original) quando uma menina é obrigada a cerrar se próprio braço.

Faca elétrica para cortar o braço

O livro diz que uma das saídas para se livrar do demônio é desmembrar o corpo do possuído. Aí já viu... é um festival de sangue, bile, líquidos estranhos, gosmas, vômitos e tudo o que há de mais nojento. Nos cinemas alguns se contorcem e quem já conhece a série remonta a um atitude muito comum quando se assiste o clássico original: rir, rir muito!

Prepare o estômago

Ao todo mais de 70 mil galões de sangue falso são usados neste remake, são mais de 265 mil litros de sangue falso! 90% dele usado só na cena final. Que aliás é belíssima. Mia é a única sobrevivente e se defende do demônio sedento por sua alma. Ela foge e acaba pegando uma moto serra e a enfia bem no meio da cabeça do demônio, um plongé da câmera mostra a cabeça sendo cortada ao meio enquanto chove sangue por todos os lados. É realmente muito "bonito".  

O embate final

Mais uma coisa. AQUI NÃO TEM CGI!!! Ok, um pouquinho só aqui e ali. Fede exigiu que a maioria das cenas fosse feita inteira em estúdio e de forma "real", o que se vê aconteceu "mesmo" durante a gravação. É só mais um detalhe que mostra o quão preocupado o diretor estava por se envolver em um remake e por querer fazê-lo de forma fiel. Ele queria fazer jus à clássica história e acredite, se saiu muito bem. Uma homenagem de primeiro nível.