CHRISTINE - O CARRO ASSASSINO (1983) - Stephen King é um gênio. Impossível afirmar o contrário. O maior nome da literatura-pop dos últimos 30 anos. E como duvidar? Das suas mãos saíram livros imortais, a maioria transformados em filmes também imortais. Em 1983, apenas 9 anos após ter lançado Carrie, o seu primeiro livro, Stephen King já vivia na glória. A sua fama era tão grande que o filme Christine, dirigido por John Carpenter, começou a ser produzido antes mesmo do lançamento do livro tamanha a certeza do sucesso. Ambos foram lançados em 1983.
John Carpenter dando vida à Christine
Mas é bom que se diga logo de cara que o filme de Carpenter mudou algumas coisas em relação ao livro de King. O roteiro de Bill Philips causa uma mudança fundamental na história, que acaba por causar até mesmo na mudança na personagem de Christine, o carro. Quem leu o livro sabe - Christine só é assassina por estar "possuída" por todas as pessoas que mata durante seu trajeto, inclusive Roland LeBay, seu dono. No filme Christine já se mostra possuída ainda na linha de produção, na primeira cena do longa, quando mata um mecânico e decepa os dedos de outro. Parece uma mudança pequena, mas mexe com toda a "personalidade" de Christine.
Na linha de produção, Christine causa duas mortes - primeira grande mudança entre livro e filme
A história gira em torno da amizade entre os opostos Arnie e Dennis - o primeiro um nerd assolado por bullying e o segundo um jogador de futebol americano popular. Arnie se apaixona então por um carro completamente destruído, largado nos fundos do quintal de uma casa aparentemente abandonada. O dono é LeBay (no livro George, no filme seu irmão Roland) que vende o tal carro para Arnie. LeBay ensina para Arnie que aquele carro se chama Christine e assim deve ser tratado.
Christine caindo aos pedaços com Arnie, Dennis e LeBay, que vende o carro à Arnie
Sem permissão para deixá-lo na garagem de casa, Arnie leva Christine para a oficina de Will Darnell pretendendo reformar o carro e por isso, compra briga com todos que o cercam, desde Dennis, os pais, e a namorada que consegue pouco depois. O que ninguém contava é que ao trazer Christine de volta à vida, Arnie mudaria a sua personalidade, se tornando um cara violento. Carpenter faz um uso interessante das roupas de Arnie para mostrar essa mudança na sua personalidade.
Arnie, antes e depois de Christine
Christine passa então a vagar pelas ruas à noite buscando vingança sobre todas as pessoas que fizeram mal a Arnie. Sem se preocupar com batidas, arranhões, vidros quebrados, fogo e todas as coisas que poderiam deixar marcas na lataria de Christine. Assim que ela volta pra garagem se regenera sozinha, os arranhões desaparecem, a lataria se recompõe e ela volta a ser como nova, como a velha Christine, um lindo Plymouth 1958.
O carro assassino...
...não tem parada.
Não mesmo!
Não há comparação - o livro é muito melhor, tem muito mais detalhes, mais personagens (e claro, melhor desenvolvidos), mas é inegável que Christine, o filme, tem a sua força. É o livro feito para as mãos de John Carpenter, só ele poderia fazer esse filme.
TIROS NA BROADWAY (Bullets Over Broadway / 1994 ) - São muitos "Woody Allen" diferentes. A cada década parece surgir uma nova personalidade para Woody. Nos anos 60 o início na comédia pastelão, nos anos 70 os filmes premiados, os roteiros mais festejados, seu grande auge, nos anos 80 um Woody mais introspectivo voltado à alguns dramas marcantes bebendo muito em Ingmar Bergman, nos anos 90 a volta às comédias mais leves mas sem o tom pastelão de antes e a partir dos anos 2000 alguns filmes-homenagens às suas inspirações, musas e cidades favoritas.
Cheech, o gênio por trás do capanga
Em 1994 ele lançou Tiros na Broadway, um dos seus filmes mais festejados pelo Oscar - foram 7 indicações (entre elas melhor roteiro e direção para Woody) e 1 estatueta pela atuação magnífica de Dianne Wiest. A comédia se passa nos anos 20 e gira em torno de David (John Cusack) um autor de textos de teatro que já teve duas peças produzidas sem nenhum sucesso de crítica ou público. Para seu terceiro texto, o próprio David assume a direção da peça e começa a buscar seu elenco para a peça.
Helen Sinclair, diva do teatro
Paralelo à isso, tem a história de Valenti um gângster que muda o destino de seus adversários sem a menor cerimônia, à base de tiros. Ele namora Olive (Jennifer Tilly), uma dançarina que tem o sonho de se torna atriz da Broadway. Valenti não mede esforços para fazer da sua namorada protagonista da peça de David.
O gângster Valenti e sua namorada
David, o alter ego de Allen, é neurótico, ansioso e passa mal a cada intromissão dos gângsters na produção da sua peça. Durante os ensaios Cheech (Chazz Palminteri), capanga de Valenti, é deslocado para acompanhar a namorada do chefe.
Olive toma "aulas" de atuação com Cheech
Dianne Wiest vive Helen Sinclair, uma diva do teatro que aos poucos ganha se espaço no coração de David e interpreta perfeitamente o papel de atriz-diva, com suas inseguranças, seus desejos e arroubos de estrelismo. "Don´t Speak", que ela sempre fala ao colocar as mãos nas boca de David se tornaram sua marca. Tão boa atuação lhe rendeu o Oscar e o Globo de Ouro de melhor atriz.
Dianne Wiest em interpretação premiada
Junto com Wiest, o "desconhecido" Chazz Palminteri, também é dono do filme. Sua interpretação do capanga Cheech é espetacular. Com o passar do filme, Cheech passa a dar dicas a David sobre o andamento da sua peça, opina na história e no texto. David que se mostra irritado a princípio passa a acatar as ideias de Cheech, chega a dar o texto na mão do capanga para que ele o reescreva. O capanga se mostra um gênio!
David e Cheech, o capanga-gênio
David passa então a conviver com inúmeras culpas - culpa ao ser comparado com os maiores dramaturgos da história, culpa também por ter um capanga reescrevendo sua peça inteira, culpa pela namorada já que acaba se apaixonando por Sinclair. Enfim, em um filme de Woody Allen seu alter ego não pode acabar de outro jeito senão inundado em culpa e neuroses. É o grande charme dos seus filmes. Seria melhor se ele tivesse atuado, claro, honra que fica para o "ok" John Cusack.
Veja abaixo o trailer de Tiros na Broadway.
QUADRILHA DE SÁDICOS (The Hills Have Eyes / 1977) - "Eles queriam ver algo diferente, mas algo diferente os viu primeiro", diz o início do trailer de Quadrilha de Sádicos, dirigido por Wes Craven, um gênio de um gênero complicado - o terror. Aliás como não chamar de gênio a mente doentia por trás de Freddy Krueger, que rendeu oito filmes e um remake, e Ghostface da série de quatro filmes do Pânico. Em 1977, então com 38 anos, Craven lançava seu terceiro longa metragem como diretor, que no Brasil recebeu a ótima "tradução" de Quadrilha de Sádicos.
De longe a família é observada por algo
Craven nunca escondeu ser muito fã de Tobe Hooper e pretendia em Quadrilha de Sádicos fazer uma homenagem a O Massacre da Serra Elétrica. E conseguiu. As semelhanças nas histórias são grandes. Em Quadrilha de Sádicos uma família de 6 pessoas e um bebê de colo acabam com o carro e seu trailer quebrados no meio do deserto do Texas. Presas fáceis para uma família doentia de caipiras canibais.
Os caipiras dos desertos americanos, sempre eles
Eles atacam a família quando o pai e o genro saem para buscar ajuda, ficando só as mulheres no trailer. A intenção dos caipiras não é criar medo e sim roubar e matar, sem cerimônia, um a um os visitantes. Ao entrar no trailer dois caipiras matam a mãe e uma das filhas e sequestram o bebê, além de saquear o estoque de comida da família. Ah claro, um deles arranca à dentadas a cabeça de um passarinho preso na gaiola.
O pânico do desconhecido
Com a morte de três entes da família (descobre-se depois que o pai também foi morto) e o sequestro do bebê, o resto da família separadamente passa a buscar vingança contra os caipiras sádicos. O cachorro da família acaba devorando parte da perna de um deles, enquanto dois deles se vingam de um dos caipiras ao esfaqueá-lo e por fim outro evita a morte do bebê e se vinga cravando inúmeras vezes a faca no peito de outro caipira. E assim acaba o filme, seco. A intenção de Craven era justamente deixar a plateia com um nó na garganta ao encerrar sua história de forma tão brusca.
O ator Michael Berryman fez fama no gênero a partir desse filme
Aqui não há vencedores. Na guerra entre a família comum e a canibal as perdas são grandes nas duas partes. As duas famílias praticamente se acabam. E é interessante de notar além da homenagem ao Massacre, que é muito óbvia, tem outra não tanto. Na cena em que os sádicos invadem o trailer da família é possível se notar colado à parede um pedaço rasgado do pôster do filme Tubarão de Spielberg, de 1975, considerado na época o filme de terror definitivo. Então, colar um pôster rasgado de Tubarão na filmagem significa que Quadrilha de Sádicos assume esse papel e assusta bem mais do que Tubarão.
O pôster de Tubarão na cena de Quadrilha de Sádicos
Curioso que em Evil Dead II, feito em 1987, há uma cena no porão da cabana que tem colado na parede um pôster rasgado de Quadrilha de Sádicos, como que dizendo que a partir daquele momento Evil Dead II seria mais assustador do que Quadrilha de Sádicos. Fica a cada um decidir esse impasse.
O pôster de Quadrilha de Sádicos na cena de Evil Dead II
Heleno de Freitas, o primeiro bad boy do futebol brasileiro
HELENO (2011) - Você sabe quem foi Heleno? É uma pena, mas muitos não sabem. Heleno de Freitas é um nome famoso no futebol brasileiro, principalmente entre os apreciadores do futebol de antigamente. Ele fez seu nome com a camisa do Botafogo, clube que defendeu por 8 anos. Depois jogou pelo Boca Juniors e mais outras quatro equipes. Pela seleção brasileira foram 18 jogos e 19 gols. Mas Heleno era mais conhecido pelo seu jeito "jogador-problema" de ser, hoje seria um bad boy.
Santoro e Heleno de Freitas
Boa vida, boêmio, mulherengo e dentro de campo briguento, catimbeiro e estrela. Foram 39 anos vividos a mil, ele morreu louco em um sanatório após ter contraído sífilis, 9 anos antes. Tudo isso é contado no filme Heleno de José Henrique Fonseca, o mesmo diretor do bom O Homem do Ano.
Santoro e Fonseca, o diretor
A cinebiografia viaja de tempo a tempo, flutuando entre o Heleno jogador e o Heleno interno do sanatório. Rodrigo Santoro vive o craque e é, sem dúvida, a grande força do filme, tanto que venceu três prêmios pela atuação em festivais no Brasil, em Lima e Havana. Na tela Santoro é preciso e nos faz comprar a figura de Heleno, nos fazendo amá-lo ou odiá-lo mas sem nunca ignorá-lo, isso é impossível. Alinne Moraes vive Silvia, sua mulher.
Nem casado Heleno sossegou
A escolha de José Henrique Fonseca pela fotografia em preto e branco também se mostra um acerto na conturbada vida de Heleno. Um Rio de Janeiro clássico dos anos 40 e 50 é revivido muito bem, sem contar que o fato de Heleno passar quase todo o filme como jogador do Botafogo, ajuda na questão do filme ser em PB.
Heleno e sua segunda pele
Mais um bom filme de uma safra recente rica do cinema nacional. Uma cinebiografia de respeito, sobre um jogador que talvez merecia melhor sorte, tanto na vida profissional, mas principalmente na vida pessoal.
INTRUSOS (Intruders / 2011) - O pior sentimento que pode ser expressado ao final de um filme é a indiferença. Gostar ou não, achar bom ou ruim, rir em um drama ou chorar em uma comédia vai de cada um, mas a indiferença não garante nenhuma recordação do filme, tudo será esquecido logo após os créditos. É esse o sentimento que fica ao final de Intrusos.
O diretor Juan Carlos Fresnadillo em ação
São duas histórias paralelas. A de um menino e sua mãe na Espanha e a de uma menina e seu pai, vivido por Clive Owen, na Inglaterra. Todos os quatro personagens são perturbados durante a noite na escuridão de seus quartos por um "fantasma" por assim dizer, chamado Sem Face. Ele surge para "roubar" a face das crianças e poder recuperar um rosto.
Clive Owen tenta salvar a filha do Sem Face
A menina passa a ser perseguida após encontrar num buraco em um tronco de árvore uma caixinha de madeira com um papel dentro. Nele estava escrito um conto sobre um homem que não tinha rosto. Ela decidiu ler a história na sua escola, como se fosse uma redação escrita por ela mesma. A partir daí ela passa a ser perseguida pelo fantasma.
Pai e filha tentam exorcizar o medo
As duas histórias, a princípio, não possuem qualquer ligação. O filme flutua entre as duas tendo apenas como ligação o tal fantasma. Obviamente isso cai por terra com o decorrer do filme.
Tem alguma coisa no armário...
OS PRÓXIMOS PARÁGRAFOS CONTÉM SPOILERS
Um pequeno flashback deixa tudo claro. O menino espanhol havia descrito em um papel a história de um homem que invadira a sua casa e tentou violentar a sua mãe. Ele impediu. Como estava muito escuro o menino não conseguiu ver o seu rosto, chamando-o então de Sem Face. O homem acabou despencando do alto da casa dos dois e morreu.
Tapando os olhos para não ver o Sem Face
Para exorcizar esse trauma, o menino escreveu a história colocou numa caixinha de madeira e escondeu dentro do buraco de uma árvore. O menino não é outro senão o próprio Clive Owen e a história do papel é encontrada por suja filha que passa a ser perseguida pelo tal fantasma também.
Mãe segura o filho com forçam evitando o Sem Face
FIM DOS SPOILERS
Isso não ajuda a melhorar o filme, que é realmente muito ruim. Como suspense não funciona, como terror não chega nem perto, como fábula... é bom parar por aqui.
Ao final do filme você também ficará assim - sem expressão (de tão ruim)
OBLIVION (2013) - Nem só de grandes nomes vive o cinema, tem um pessoal que está vindo com tudo, sabendo respeitar o que já foi feito e abrindo as portas para o que há de novo por vir. Joseph Kosinski não é nenhum novato, nasceu em 1974, mas já de cara foi cotado para estrear na direção com a continuação da saga Tron. O resultado foi um elogiado Tron: o Legado, com uma trilha sonora que soube valorizar o que havia sido feito na década de 80 e criou um novo rumo pra história.
O planeta Terra do futuro em 2077
Três anos depois ele entrega esse Oblivion, um filme cheio de pretensões. Em 2077 o planeta está completamente devastado após uma guerra entre os humanos e uma raça alienígena chamada de saqueadores. Os humanos restantes saíram da Terra e moram em uma lua de Saturno, chamada Titã.
A Terra vista de cima, de Tet, a nave mãe
Tom Cruise (vivendo Jack) e sua esposa são os dois únicos humanos que ainda moram por aqui. Eles trabalham na manutenção das fontes de energia que alimentam Titã e também a protegem de possíveis ataques dos saqueadores.
Marido e mulher, "únicos" habitantes da Terra
A história começa a mudar de figura quando Jack acaba sendo levado a um confronto com alguns saqueadores. Sem sucesso acaba capturado. No esconderijo dos saqueadores, Jack acaba descobrindo que os saqueadores são na verdade seres humanos que servem como resistência ao Tet, que "comanda" o trabalho de Jack e sua esposa. Segundo eles Tet mente para todos, criando uma realidade mentirosa para esvaziar de vez o planeta dos humanos. Morgan Freeman é o líder dos saqueadores.
Freeman lidera os saqueadores
Tet cria regras e aponta que devido a guerra uma certa parte do planeta jamais pode ser visitada por estar completamente contaminada por radiação nuclear. Após fugir dos saqueadores Jack acaba entrando em um desses centros de radiação e percebe que ali não há radiação alguma e pior, acaba encontrando outro de si, um clone. Descobre também que a sua esposa também foi clonada. Isso confirma que Tet mente para controlá-los. Jack junta-se aos saqueadores e lidera um ataque ao Tet.
O que acontece em Oblivion?
Concordo, é uma viagem sem tamanho, mas de certa forma todo filme de ficção científica não o é? Kosinski vai bem, comanda firme o bom Oblivion e garante uma boa diversão. Tem aqueles clichêzinhos básicos de qualquer filme do gênero e de qualquer filme do Cruise, mas vai bem. Para quem gosta do gênero Oblivion não faz feio não.
Veja abaixo o trailer de Oblivion:
ELYSIUM (2013) - Neill Blomkamp nasceu na África do Sul e já provou ter grande valor como diretor. Depois de inúmeros curtas-metragens, ele veio com tudo em 2009 com Distrito 9. E de cara já arrebatou alguns fãs impressionados com a mescla muito bem feita de ficção científica e crítica social em um falso documentário. Apesar do sucesso de Distrito 9 que se passa na África do Sul (e o lançamento do filme pouco antes da Copa do Mundo de 2010 se mostrou muito acertada), muitos pensaram que poderia se tratar de um golpe de sorte de um diretor novato. Mas com Elysium, Blomkamp insiste na fórmula e cala os críticos, inclusive eu mesmo, admito.
Damon, o herói de Elysium
Elysium é o nome que se dá ao satélite que fica na órbita da Terra, que serve de casa para os que podem pagar por esse luxo. Lá não tem pobreza, guerra ou doença. A tecnologia serve ao homem, robôs são serviçais. Os mais ricos fogem da Terra que no ano de 2175, quando se passa a história, está devastada e violenta. Só quem sobra aqui são os pobres que sonham em um dia chegar, mesmo clandestinamente, à Elysium.
Elysium e sua mão de ferro
Elysium é comandando à mão de ferro por Delacourt (a "já-foi-melhor" Jodie Foster) que mantém a amizade com os ricos e destrói, sem cerimônia, qualquer nave que tente invadir o espaço aéreo de Elysium. Mas aqui embaixo tem muita gente querendo ir pra lá, principalmente buscando cura para doenças que aqui na Terra são incuráveis, como câncer. Uma dessas pessoas é Max (o robótico Matt Damon) que após se infectar com a radiação corre contra o tempo e contra a morte que pode chegar em 5 dias. Max vai até Spider (o ótimo Wagner Moura) que é o único capaz de comandar uma missão à Elysium.
Moura e Damon juntos em ação
Até certo ponto tudo acaba bem. E eu não estrago o filme a dizer isso não! Seria melhor que o final não fosse feliz. Em Distrito 9 a pulga insiste em ficar atrás da orelha após a transformação do humano em robô, mesmo que não totalmente. Em Elysium a pulga nem faz coçar, é uma pena. As atuações são fracas exceto por Wagner Moura, ele parece saber da oportunidade e a agarra com unhas e dentes, inventa um sotaque e se destaca como o grande destaque do filme.
Coadjuvante de luxo
Distrito 9 é melhor, sem dúvida, mas Elysium é sim um ótimo filme, uma ficção científica que ainda mantém a reputação de Blomkamp em enfiar a crítica social no meio da história. Para ele, não importa se a história é contemporânea ou se passa daqui a 300 anos, sempre haverá as mesmas disputas das diferentes castas sociais. Os problemas serão sempre os mesmos.
Veja abaixo o trailer de Elysium.
O roteiro gira em torno de Andrew, um deslocado na escola que apanha dos valentões, não tem moral com nenhuma garota e em casa é espancado pelo pai geralmente bêbado. O único amor que recebe vem da sua mãe que não sai da cama com uma doença terminal e do seu primo Matt. Para se defender da sua convivência difícil com as demais pessoas e até certo ponto intimidá-las, Andrew passa a documentar toda a sua vida diária com uma câmera de vídeo que leva para cima e pra baixo. Como um falso documentário (como feito em Cloverfield, por exemplo), é a partir dessa câmera (e de outras câmeras) que se acompanha a trajetória de Poder Sem Limites.
O céu não é o limite
Andrew, Matt e outro amigo, Steve, descobrem uma cratera no meio da floresta e descem até lá. Encontram um cristal azulado que muda de cor. O tocam. Tem medo e excitação ao mesmo tempo. De repente aparecem do lado de fora e dali suas vidas jamais será a mesma.
Saindo da cratera, diferente.
Os três passam a ter poderes, tudo controlado pela mente. Movem coisas pequenas, como peças de lego e bolas de beisebol, depois passam a coisas maiores como bichos de pelúcia em lojas de brinquedo e por fim coisas grandes como carros estacionados. Tudo isso é mostrado pela visão da câmera, eles reagem animados e tudo ganha mais e mais veracidade pela forma de captação.
Até a câmera é controlada pelo poder da mente, mostrando a história de forma introspectiva
Até descobrirem que podem voar. Brincam no meio das nuvens, jogam futebol americano, planejam passar cada final de semana em um país diferente. Nem mais o céu é o limite para os três.
OS PRÓXIMOS PARÁGRAFOS CONTÉM SPOILERS
Não demora para que as coisas saiam do controle. Andrew, o único que desde sempre sofrera com bullying na escola passa a usar esses poderes para se defender e, pior, se vingar dos que sempre zoaram com ele. Dessa forma ele começa a se transformar em um agente do mal. Em um dos seus acesos de raiva, provocado pelas constantes brigas com seu pai, Andrew sobe aos céus, fiando entre as nuvens. Procurado e questionado Steve, Andrew se irrita, gera raios, trovões e mata seu amigo Steve.
Com tanto poder a coisa só poderia sair do controle
Justamente por ser o que mais raiva acumula Andrew é o mais poderoso dos três. Matt tenta controlá-lo exigindo que não faça uso dos seus poderes em público. Mas não adianta, Andrew já está transformado.
O lado negro da força
Por fim, Andrew acaba no hospital após ter causado uma explosão num posto de gasolina, onde pretendia obter dinheiro para o remédio da sua mãe. Ela morre pouco depois. No hospital seu pai o visita, acusa-o de ser o culpado pela morte da mãe. Andrew então voa para fora do quarto e arremessa seu pai longe. Matt aparece, resgata seu pai e começa uma batalha entre os dois "super poderosos".
Na batalha no céu vale tudo
Bombeiros, policiais, imprensa, tudo acompanha ao vivo enquanto os dois duelam e destroem boa parte da cidade. Por fim, Matt desloca uma estátua e empala Andrew e foge para o vôo no infinito. Acha refúgio nas montanhas do Tibete, onde o filme acaba.
FIM DOS SPOILERS
O filme de Josh Trank vai bem, surpreende mesmo, principalmente pelos efeitos muito bem realizados. A escolha de filmagem como um falso documentário agrada e casou muito bem com o filme que o roteiro pede. Os atores desconhecidos também ajudam no resultado final. Poder Sem Limites não é uma total perda de tempo, vale a pena.