segunda-feira, 22 de setembro de 2025

EUROPA (1991)


EUROPA (1991) - Muito difícil sair indiferente depois de um filme de Lars Von Trier. Sonho, surrealismo e realidade cruel são elementos que o cineasta dinamarquês usa com maestria. Em Europa, ele se arrisca tocando em uma ferida ainda aberta na Alemanha e na Europa como um todo: a Segunda Guerra Mundial. 

Kessler é um norte americano que está na Alemanha no ano de 1945, logo após a guerra. A Alemanha é um país em frangalhos, buscando se remontar, mas ainda sangrando com os efeitos do combate. Tudo ali é devastação. E Kessler, ao ser perguntado o que está fazendo ali, ele diz: “quero fazer o bem para este país, alguém precisa fazer isso”. Ele acompanha o tio numa viagem de trem e acaba sendo contratado como condutor dos trens. 

Ao longo do filme, ele se envolve com Katharina, filha do dono da companhia, e acaba sendo envolvido num ambiente de conflitos políticos, especialmente com um grupo terrorista, formado por nazistas remanescentes.   

O longa é quase inteiro filmado em preto branco, o que aumenta crucialmente o nível de crueldade da história. Em alguns momentos e com alguns personagens, Trier usa cor, meio que para descolá-los daquela realidade e aproximá-los à nós, espectadores. São escolhas pontuais mas que aumentam a dramaticidade de Europa.

Uma voz em off, gravada por Max Von Sydow, conduz as ações de Kessler, meio que narrando o que acontece e servindo até como guia para quem assiste.

Europa tem parte importante na formação de Trier como cineasta, tendo concorrido a 3 prêmios no festival de Cannes daquele ano. Mas assisti-lo não é uma experiência fácil, algo comum nos longas de Trier. E, eu diria sem medo, que é impossível compreender todos os elementos e os simbolismos que aparecem em cena, até porque são muitos. Ele é um mestre em esconder esses significados aqui e ali. São coisas que agregam ao filme, mas exigem que ele seja assistido com bastante atenção e certamente, mais de 1 vez. É um filme difícil e que exige demais de quem assiste. 

Veja abaixo o trailer de Europa





quinta-feira, 18 de setembro de 2025

O MAL QUE NOS HABITA (2023)


O MAL QUE NOS HABITA (When Evil Lurks / Cuando Acecha La Maldad / 2023) - Não é de hoje que o gênero do terror é usado e reusado de diversas formas diferentes. Ele quase sempre se retroalimenta reciclando fórmulas, monstros, desafios, os mesmos vilões, os mesmos problemas e as mesmas soluções. Por isso é tão importante quando um filme traz algo novo, traz um frescor, traz algo que deixa aquele gosto de novidade. É o caso de O Mal que nos Habita, filme de terror argentino que já entra na lista dos queridinhos do gênero para muita gente.

O filme se passa no fim do mundo da Argentina, num ambiente rural, onde um homem é possuído pelo demônio. Mas ao contrário do que normalmente se espera de uma situação dessa, que já foi contada em diversos filmes, o homem está literalmente apodrecendo, extremamente gordo, como uma grande bola de pus, com o olho fechado, bolhas pelo corpo, agonizando, mal consegue se falar e não se mexe. Quando os vizinhos, dois irmãos - Pedro e Jimmy - chegam perto para tentar dar um jeito na situação, a mãe do possuído diz “Não use arma de fogo, é isso que espalha o mal”.

Eles fogem dali e vão buscar a ajuda do dono do terreno que decide levar o rapaz embora, pensando que afastando o possuído o mal vai embora. Em uma cena arquitetada para causar nojo e repulsa, eles movimentam o gordão para cima da caminhonete e dirigem centenas de quilômetros. Uns 300 quilômetros a frente, perdem o controle da direção e o possuído cai do transporte mas ninguém percebe e seguem viagem.

O diabo toma o corpo de um bode e o sono, percebendo algo ruim dá um tiro no animal. Poucos segundos se passam e esposa do atirador lhe dá uma machadada certeira na testa e na sequência ela mesmo se acerta, tirando a própria vida e do bebê que carrega. Isso é só uma amostra do que a mente doentia do diretor e roteirista Demián Rugna imagina para o longa. Daí para frente é só para baixo. 

Assim como no terror farofa "Possuídos" (1998), com Denzel Washington, o mal não tem cara, não tem corpo, cheiro, nada. Ele apenas se movimenta pelas pessoas e animais, fazendo com que eles ajam de uma forma que jamais agiriam antes.

O Mal que nos Habita rapidamente foi alçado ao posto de um dos melhores filmes de terror de 2023, ano do seu lançamento. Muito por conta do frescor que traz ao subgênero de possessão demoníaca. Aqui, a possessão demoníaca é tratada como uma grande pandemia.

É interessante ver como o longa de Rugna, escala o terror quase que sem pausa. É como se o filme te levasse por uma escadaria, e degrau a degrau, cena a cena, sequência a sequência, você fosse descendo cada vez mais profundamente. Não há parada, não há corrimão, não há olhada para trás.

As cenas são cruéis, feias, cruas, duras e muito chocantes. E aqui não há aquela preparação para as mortes óbvias, como nos grandes filmes do cinema norte-americano, por exemplo. Aqui não tem preparo — você é pego de surpresa a todo momento.

Veja abaixo o trailer de O Mal que nos Habita.