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quinta-feira, 18 de setembro de 2025

O MAL QUE NOS HABITA (2023)


O MAL QUE NOS HABITA (When Evil Lurks / Cuando Acecha La Maldad / 2023) - Não é de hoje que o gênero do terror é usado e reusado de diversas formas diferentes. Ele quase sempre se retroalimenta reciclando fórmulas, monstros, desafios, os mesmos vilões, os mesmos problemas e as mesmas soluções. Por isso é tão importante quando um filme traz algo novo, traz um frescor, traz algo que deixa aquele gosto de novidade. É o caso de O Mal que nos Habita, filme de terror argentino que já entra na lista dos queridinhos do gênero para muita gente.

O filme se passa no fim do mundo da Argentina, num ambiente rural, onde um homem é possuído pelo demônio. Mas ao contrário do que normalmente se espera de uma situação dessa, que já foi contada em diversos filmes, o homem está literalmente apodrecendo, extremamente gordo, como uma grande bola de pus, com o olho fechado, bolhas pelo corpo, agonizando, mal consegue se falar e não se mexe. Quando os vizinhos, dois irmãos - Pedro e Jimmy - chegam perto para tentar dar um jeito na situação, a mãe do possuído diz “Não use arma de fogo, é isso que espalha o mal”.

Eles fogem dali e vão buscar a ajuda do dono do terreno que decide levar o rapaz embora, pensando que afastando o possuído o mal vai embora. Em uma cena arquitetada para causar nojo e repulsa, eles movimentam o gordão para cima da caminhonete e dirigem centenas de quilômetros. Uns 300 quilômetros a frente, perdem o controle da direção e o possuído cai do transporte mas ninguém percebe e seguem viagem.

O diabo toma o corpo de um bode e o sono, percebendo algo ruim dá um tiro no animal. Poucos segundos se passam e esposa do atirador lhe dá uma machadada certeira na testa e na sequência ela mesmo se acerta, tirando a própria vida e do bebê que carrega. Isso é só uma amostra do que a mente doentia do diretor e roteirista Demián Rugna imagina para o longa. Daí para frente é só para baixo. 

Assim como no terror farofa "Possuídos" (1998), com Denzel Washington, o mal não tem cara, não tem corpo, cheiro, nada. Ele apenas se movimenta pelas pessoas e animais, fazendo com que eles ajam de uma forma que jamais agiriam antes.

O Mal que nos Habita rapidamente foi alçado ao posto de um dos melhores filmes de terror de 2023, ano do seu lançamento. Muito por conta do frescor que traz ao subgênero de possessão demoníaca. Aqui, a possessão demoníaca é tratada como uma grande pandemia.

É interessante ver como o longa de Rugna, escala o terror quase que sem pausa. É como se o filme te levasse por uma escadaria, e degrau a degrau, cena a cena, sequência a sequência, você fosse descendo cada vez mais profundamente. Não há parada, não há corrimão, não há olhada para trás.

As cenas são cruéis, feias, cruas, duras e muito chocantes. E aqui não há aquela preparação para as mortes óbvias, como nos grandes filmes do cinema norte-americano, por exemplo. Aqui não tem preparo — você é pego de surpresa a todo momento.

Veja abaixo o trailer de O Mal que nos Habita.



segunda-feira, 27 de maio de 2024

TENET (2020)

 


TENET (2020) – Seria loucura dizer que Tenet não é um filme impressionante. Seria maluquice afirmar que Tenet não é espetacular. Eu estaria doido se escrevesse aqui que Tenet é um filme comum. Nada disso. Mas... Tenet tem alguns sérios problemas.

A história gira em torno de um agente secreto interpretado por John David Washington de Infiltrado na Klan, que tenta se firmar como um grande nome de filmes de ação, assim como o é seu pai, Denzel WashingtonTenet brinca com viagem no tempo mas de um jeito único... as pessoas do tempo presente vivem normalmente e os objetos e pessoas vindas do futuro se movimentam no tempo contrário, de trás pra frente. Isso faz com que o tempo seja como um palíndromo, que vai pra frente e pra trás na mesma velocidade e, quando se cruzam, vão ao mesmo tempo.

É difícil explicar no texto e acredite... também é difícil de entender vendo o filme de Nolan. Aqui você não pode piscar, senão perde uma explicação e isso estraga completamente a experiência. E Nolan parece aqui não fazer nenhuma questão de que o público entenda o filme. Ele lança a história do jeito que quer e quem conseguir que acompanhe. Um problema isso, hein Nolan?

O longa demora para engatar, o roteiro tem barrigas enormes e desnecessárias, personagens inúteis (como o de Michael Caine), uma simples revisão já ajudaria muito a cortar essas grandes rebarbas. E do meio pro final, ele encavala uma sequência desenfreada de cenas de ação, é quando o filme engata pra valer, mas depois de remar tanto no começo fica difícil se reconectar mais pra frente.

As cenas de ação são realmente impressionantes. Esse jogo criado pelo Nolan de em uma mesma cena ter dois tempos diferentes acontecendo, é impressionante. E bonito visualmente. O roteiro também prevê umas cenas que são retomadas em tempos diferentes do longa, o que dá para vê-la de formas diferentes. Nolan se mostra aqui cheio com a criatividade pra lá de afiada.

Mas esse Nolan não está aqui no seu melhor, como em Amnésia, Interestelar, A Origem e DunkirkTenet fica ali no meio da lista, mais pra baixo. O filme é, sem dúvida, para se ver muitas vezes. Não que seja maravilhoso, essencial, incrível... nada disso. É para poder entender a história rocambolesca e intrincada que Nolan cria.

Veja abaixo o trailer de Tenet.