EU, TONYA (I, Tonya / 2017) - A história chocou o mundo dos esportes e pegou muita gente de surpresa. Afinal, não é algo que se espera... Principalmente do meio da patinação artística, um esporte que é quase um balé sobre o gelo. Ainda mais envolvendo duas competidoras tão famosas. Documentários, reportagens e até livros sobre o assunto já foram lançados. É a primeira vez que a história das patinadoras Tonya Harding e Nancy Kerrigan chega ao cinemão.
Na verdade o "incidente" entre as duas é apenas um trecho do filme dirigido por Craig Gillespie. O recorte do roteiro é muito maior. Trata-se da cinebiografia de Tonya Harding (interpretada por Margot Robbie, atriz talentosa que pode ir muito além da arlequina). Eu, Tonya aposta no humor para fugir das cinebiografias tradicionais e isso ajuda a compor melhor o personagem controverso de Harding.
Os personagens são os próprios narradores dos acontecimentos. E tudo começa na infância pobre de Harding, com a sua mãe Lavona (Allison Janney simplesmente sensacional), uma mulher dura, seca, agressiva, impiedosa e que não demonstra qualquer sinal de afeto pela filha ou por ninguém. Palco perfeito para Janney desfilar todo seu talento, que pode - e acredito que mereça muito - ser premiado com a estatueta do Oscar de atriz coadjuvante. Ela já levou o Globo de Ouro pela atuação.
A relação difícil das duas molda uma jovem Tonya também dura e fechada. Desde criança, ainda com 4 anos, ela se acostumou com as competições. E acostumou a estar sempre no alto do pódio. "Ela é sua inimiga, você não vem aqui para fazer amizades", diz a mãe Lavona quando vê a filha criança conversando com outra patinadora.
Com 20, ela namora e se casa com Jeff. Nasce ali uma relação conturbada que envolve brigas constantes, quase sempre resultando em violência, indas e vindas no casamento. Foi uma fase ruim também no gelo. E Tonya, que não ganhava mais nada, chegou a questionar os juízes das notas baixas que levava. A resposta - "patinação não é apenas o que acontece no gelo... ninguém quer alguém como você como um modelo". Tonya largou tudo e se tornou garçonete, como a sua mãe.
Acabou voltando depois da insistência da sua primeira técnica, mas nas classificatórias para os Jogos Olímpicos de Inverno - sonho de qualquer esportista do gelo - ela teve a ideia de assustar uma das concorrentes, Nancy Kerrigan, com uma carta ameaçadora. Quem sabe desconcentrada, Nancy seria facilmente derrotada por Tonya.
Acabou voltando depois da insistência da sua primeira técnica, mas nas classificatórias para os Jogos Olímpicos de Inverno - sonho de qualquer esportista do gelo - ela teve a ideia de assustar uma das concorrentes, Nancy Kerrigan, com uma carta ameaçadora. Quem sabe desconcentrada, Nancy seria facilmente derrotada por Tonya.
Jeff falou com Sean, um amigo todo atrapalhado e com delírios de grandeza que acabou exagerando na dose. Ao invés de mandar as cartas, ele convocou outros caras para machucar Nancy. E durante um treino ela teve o joelho seriamente lesionado por uma paulada. Tonya acabou também incriminada e perdeu o direito de patinar para sempre.
O real e o fictício se mesclam em Eu, Tonya. Os personagens principais da história e jornalistas que cobriram os acontecimentos naquele período se dividem nas opiniões. Mas a maioria afirma que tudo o que aconteceu está no filme, mesmo que um pouco exagerado. Nancy Kerrigan, a vítima, não assistiu no lançamento e disse ter "coisas melhores a fazer". Já Tonya viu o filme e comemorou a forma como a mãe foi retratada, uma mulher má. Até hoje as duas não se falam direito.
A cinebiografia Eu, Tonya faz a quebra da quarta parede com frequência. A todo momento os personagens interrompem ou completam as próprias narrações em cena, como se fôssemos convidados a ver que tudo aquilo é mesmo uma encenação e que se tratam de atores. Boa fórmula e que funciona.
A história é inacreditável - coisa de cinema mesmo - as atuações marcantes e tudo é muito bem conduzido. Difícil achar falhas em Eu, Tonya. Daqueles filmes que depois de assistir você pensa: "porque demoraram tanto para contar essa história?" Real x Fake, Verdade x Romance... No fim das contas não importa. Eu, Tonya funciona como um bom drama real recheado de alívios cômicos. Afinal, não é tudo o que se espera de um bom filme?
Veja abaixo o trailer de Eu, Tonya.
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