sábado, 30 de março de 2013



VIZINHOS IMEDIATOS DE 3º GRAU (The Watch / 2012) - O Saturday Night Live é um programa estabelecido na TV norte-americana. São quase 40 anos de tradição o programa apresenta uma série de comediantes e roteiristas que sempre partem de lá para algo maior. Entre outros saíram de lá Will Ferrel, Mike Myers, Jim Belushi, Adam Sandler, só para dar uma ideia. Assim como os novos nomes da comédia como Jimmy Fallow, Andy Samberg e Will Forte. Nisso que se tranformou o SNL, um grande celeiro.


Akiva Schaffer é muito amigo de Samberg. Juntos e ao lado de Jorma Taccone, formam o The Lonely Island, uma band de rap-comedy, com clips que são sucesso no youtube, como I´m on a Boat, Dick in the Box, Saxman, Jizz in my Pants, Boombox e tantos outros. Digite The Lonely Island no youtube e assista qualquer um deles.


Andy Samberg, Akiva Schiffer e Jorma Taccone formam The Lionely Island

Além de falso rapper, Schaffer foi roteirista dos esquetes de SNL de 2005 a 2011 e já dirigiu dois longas metragens - Hot Rod, Loucos Sobre Rodas e Vizinhos Imediatos de 3º Grau. Em ambos claramente se nota que apesar de ainda não ser conhecido como grande cineasta de comédia, ele tem tato pra coisa.


Os amigos descobrem a arma alienígena

Em Vizinhos Imediatos de 3º Grau, Schaffer comanda uma equipe de respeito: Ben Stiller (que não me agrada, mas não compromete o filme), Richard Ayoade (da série de TV IT Crowd), Jonah Hill (ótimo!) e Vince Vaughn (excelente como sempre). Inconformados com a polícia que não resolve nada, os quatro amigos formam uma espécie de ronda para tentar descobrir por conta própria o que causou a morte de um funcionário de um supermercado da região. Eles acabam por descobrir que ETs já invadiram a Terra e aos poucos, disfarçados de humanos, eles buscam dizimar a população daqui.


O "interrogatório", com atores afinados na improvisação

É tudo muito divertido, mas nem tudo é engraçado. A princípio quando eles descobrem um corpo de um ET morto no meio de um arbusto, o grupo fica com medo. Mas depois de algumas bebidas o medo some e eles tiram fotos ao lado do corpo, beijam o ET inerte na boca, brincam com ele como se fosse uma boneca inflável. É muito engraçado!


O "morto muito louco" virou ET!

Alguns filmes "bobocas" (no melhor sentido da palavra, se é que existe) deveraim nunca se levarem a sério. Tudo ficaria melhor assim. Nos momentos que assume esse seu lado absurdo Vizinhos Imediatos de 3º Grau vai muito bem. É um bom passatempo, nada mais.     
    

quinta-feira, 28 de março de 2013

eXistenZ (1999)

Cronenberg e a criatura, que permite acessar eXistenZ
eXistenZ (1999) - Vou tentar reproduzir a minha experiência na primeira vez que assisti a eXistenZ. Estava no colégio no final de 2000 e numa madrugada daquelas no SBT peguei o filme do meio e fiquei completamente hipnotizado, sem entender nada da história e ao mesmo tempo sem coragem para desligar a TV ou mudar de canal. "Directed by David Cronenberg" aparecia nos créditos finais e não significava nada para mim, não época não conhecia o diretor. De eXistenZ passsei a outros filmes da sua carreira, foi este filme que me abriu para um mundo bizarro do cinema. Por isso considero até hoje o estranhíssimo eXistenZ o melhor filme da carreira de David Cronenberg.


Pequenas diferenças nos personagens dentro e fora de eXistenZ. Essa é Allegra fora...

...e essa é Allegra dentro do jogo, vivendo em eXistenZ

Allegra (Jennifer Jason Leigh, que dispensou De Olhos Bem Fechados de Kubrick para fazer eXistenZ) é uma famosa criadora de simuladores de realidade virtual que cria o "jogo" que leva o nome do filme. Trata-se de uma meleca bege que funciona como joystick e se pluga fisicamente (como uma entrada USB) à um buraco nas costas do jogador. Ao se plugar o jogador entra na realidade paralela que é exatamente igual a essa, só que com algumas excentricidades (palavra que combina muito bem com o cinema de Cronenberg). 

Na coluna de cada jogador uma entrada para eXistenZ
Ted (Jude Law) "entra" em eXistenZ junto com Allegra e passa a "viver" o jogo. eXistenZ não se joga, se vive. Tanto acontece que eles se questionam o tempo todo se estão vivendo a realidade ou o jogo. Essa confusão entre as realidades, a virtual e a paralela, é um elemento presente e constante no filme. E quando se pensa que acabou ainda há mais por acontecer.


O joystick
eXistenZ é instigante, provocativo. Os personagens do "jogo", assim como os dos jogos de video game, precisam ouvir as respostas certas para seguir em frente, caso contrário eles não executam o que foram programadas a fazer. As pessoas que se plugam em eXistenZ tem as suas vontades e necessidades bagunçadas e misturadas com as do personagem que vivem, muitas vezes eles simplesmente fazem algo sem ter vontade de fazer aquilo. É realmente tudo muito estranho.

Allegra e Ted plugados em eXistenZ

E Cronenberg, como um maestro, rege toda essa orquestra grotesca muito habilmente e escolhe a dedo os seus personagens. Todos os coadjuvantes são esquisitões, tem aquele rosto estranho, escolhas à la Fellini
Mais uma curiosidade. O título eXistenZ tem as letras X e Z como maiúsculas. E não é sem motivo. O filme é produzido por búlgaros e essas duas letras na língua deles formam a palavra "god". Assim é Cronenberg. Nada em seus filmes é por acaso. Nada!        

OS EXCÊNTRICOS TENENBAUMS (The Royal Tenenbaums / 2001) - Desajustados, diferentes, anormais... enfim excêntricos. Qualquer adjetivo aos membros da família Tenebaum cai como uma luva no diretor Wes Anderson. Ele é um próprio Tenebaum. Parece um personagem também.


Cenários cheios de detalhes e abuso de cores - duas marcas de Anderson 
Aliás, muitos dos personagens de Os Excêntricos Tenenbaums são baseados em pessoas do dia a dia do diretor, como a própria mãe, que serviu de inspiração para mãe, vivida por Anjelica Houston, baseada na mãe do próprio Anderson.

Wes Anderson no set de "Os Excêntricos Tenenbaums"

Nova York é a cidade onde se passa o filme, mas Anderson escolheu por não mostrar isso no filme. Queria fugir da NY mostrada na maioria dos filmes. Wes Anderson queria tratar a cidade como um cenário de fábula, fugindo de lugares comuns e pontos turísticos. Tanto que em uma determinada cena quando conversam no parque (que obviamente não é o Central Park) dois personagens se postam de forma a cobrir a estátua da Liberdade, que seria visto no fundo.

Confronto entre o filho mais velho e o 0[a8

Wes escrevou o personagem do patriarca da família Tenenbaum pensando em Gene Hackman. E no começo ao receber o roteiro, Hackman se negou a fazer o filme. O ator tinha uma mágoa imensa da sua postura com a própria família. Para o ator, Royal Tenembaum, o pai da família, era uma espécie de alter ego do próprio Hackman. Não foi fácil convencê-lo, mas no final aceitou.

Royal (Hackman), o único que ri entre os desajustados Tenebaums
No filme, Royal (Hackman) está se separando da sua esposa (Anjelica Houston), que inicia um affair com Henry (Danny Glover). O casal Tenenbaum tem três filhos, vividos por Ben Stiller, Luke Wilson e Gwyneth Paltrow. Todos, à excessão de Hackman que é um charlatão de primeira linha, se mostram austeros, secos, e até depressivos eu diria, por todo o filme. O que contrasta com a viva paleta de cores utilizada por Anderson. É muita cor, uma marca registrada de Anderson.


Planos bem montados, cenários coloridos e personagens austeros
 O roteiro foi indicado ao Oscar em 2002 e é o melhor da dupla Owen Wilson/Wes Anderson. Antes disso a dupla tinha escrito o roteiro de outros três filmes dirigidos por Anderson - Três é DemaisPura Adrenalina e o curta Bottle Rocket.

Os três filhos Tenenbaums

Como filme Os Excêntricos Tenenbaums é muito eficiente, diverte não apenas pela história mas também pela reunião de atores consagrados (ou quase no caso de alguns) em uma história pequena de um diretor excêntrico e que dava os primeiros passos em Hollywood. Mas pessoalmente acredito que Viajem à Darjeeling, A Vida Marinha com Steve Zissou e principalmente Moonrise Kingdom, são muito melhores.  

quinta-feira, 7 de março de 2013




ESTE É O MEU GAROTO (That´s my Boy / 2012) - É preciso gostar do Adam Sandler para ver um filme como Este É o Meu Garoto e não se irritar. Suas atuações são sempre pontuadas pelo exagero, pelo caricato. Este é o seu tipo de humor. Isso talvez possa incomodar um pouco, como em Little Nick - Um Diabo Diferente (2000) cuja boca torta e voz forçada só fazem irritar. O Paizão, Como Se Fosse a Primeira Vez, Golpe Baixo e Tratamento de Choque são seus melhores filmes. Suas participações no Saturday Night Live também são ótimas.

O paizão-molecão

O problema de Sandler é que os roteiros dos seus filmes são muito parecidos. É um personagem boa vida, amigo e companheiro, que perde tudo ou fica à beira disso e depois parte sozinho para reconquistar tudo e termina sempre tudo bem. Ah, é claro, sempre tem esporte no meio, basquete, golfe, futebol americano.

Esportes, uma constância nos filmes de Sandler

Andy Samberg faz parte do elenco fixo de Saturday Night Live. É um cara muito engraçado, canta no grupo The Lonely Island e nos esquetes vai muito bem. Mas para cinema ainda não mostrou a que veio. Celeste e Jesse para Sempre foi seu primeiro longa com papel principal e foi muito mal. O filme também não ajuda, é muito ruim. 

Samberg vive o filho

Apesar da pouca idade entre eles, Sandler é 12 anos mais velho Samberg, em Este É o Meu Garoto eles fazem o papel de pai e filho. Tudo começa com uma premissa pra lá de absurda. Um jovem na escola brinca de xavecar a professora, que se apaixona por ele (!). O menino então engravida a professora que vai pra cadeia por transar com menor de idade, enquanto o jovem vira uma celebridade. Os anos se passam e o filho fruto daquele relacionamento, que se torna um rico investidor, omite a história dos pais por sentir vergonha deles serem quem são. Pai e filho se reencontram e tem que lidar com as suas diferenças - o filho rico e careta e o pai pobretão e "eterno molecão". 

Sandler e Samberg são ótimos comediantes, mas não funcionaram tão bem juntos

Destaque para as participações "ilustres" de Susan Sarandon, James Caan e Vanilla Ice. Uma constante nos filmes de Sandler, as participações que roubam a cena e aqui não é diferente.

Sarandon...


Caan...
e Vanilla Ice.

quarta-feira, 6 de março de 2013



HITCHCOCK (2012) - O filme que reacendeu a carreira de Hitchcock foi Psicose, de 1960. Naquela época sua carreira estava esfriando, "caminhando para um fim", segundo propôs um repórter em uma pergunta a Hitchcock, logo no começo do longa. Daí, ele passou a procurar algo novo, algo surpreendente e que o recolocasse como grande (e talvez um dos únicos) grandes mestres do gênero do suspense.

Filmando um das cenas finais de Psicose

Segundo longa dirigido por Sacha Gervasi, o anterior tinha sido o festejado documentário Anvil - A História de Anvil de 2008 sobre uma banda de punk rock com pouco ou nenhum sucesso comercial, Hitchcock traz Anthony Hopkins no papel principal com uma caracterização indicada a Oscar e que nos faz crer que se trata do próprio Alfred Hitchcock. Mas é verdade também que em uma outra cena a papada e a boca parecem forçadas o que por pouco não faz a caracterização cair no caricato. Mas no todo vai muito bem. Já Helen Mirren encara Alma, a esposa de Hitch e grande parceira.

Mirren vive Alma

Sacha faz um retrato interessante, um recorte na carreira do cineasta. A trama acompanha o casal no processo de Psicose desde o início quando ele compra os direitos do livro, escolhe os atores e convive com a imprensa e com os chefes dos estúdios.

A maquiagem que fez Hopkins se parecer com Hitchcock

É interessante notar como em todo o filme, Sacha insere pequenas "dicas" daquele que seria o filme seguinte de Hitchcock, pássaros passam voando nas sequências do filme a todo o momento. E a cena que encerra o longa deixa essa tal "dica" pra lá e escancara a intenção de Sacha - Pássaros é o próximo filme de Hitchcock, meu filme preferido do diretor.

Hitchcock (Hopkins) e Janet Leigh (Scarlett Johansson)

Alfred Hitchcock é atormentado a todo o momento no filme por suas visões de Ed Gein, um fazendeiro culpado pela morte da mãe, cujo corpo ainda mantinha em sua casa deitada na cama, e que gostava de guardar pedaços de corpos humanos como se fossem troféus. Ed Gein foi usado não apenas para criação de Norman Bates, mas também para Leatherface, de O Massacre da Serra Elétrica e James Gumb de O Silêncio dos Inocentes.

Hitchcock e sua clássica silhueta

Hitchcock é um bom filme, mas na metade cria-se uma barriga por conta de uma história paralela à principal. Todo o trecho que trata de Psicose, do roteiro à edição final é ótimo, instiga. Mas como disse, uma história paralela faz o foco do filme se desvirtuar um pouco. Afinal meu grande interesse no longa é o cineasta Hitchcock em ação, escrevendo, dirigindo, editando. A parte da pessoa do Hitchcock, apesar de necessária à trama, acho que se estendeu um pouco de mais. Mas não compromete o resultado final. Assista sem medo.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

David O. Russell no set de "O Lado Bom da Vida"
O LADO BOM DA VIDA (Silver Linings Playbook / 2012) - Pense no Oscar. Na maior premiação do cinema mundial. Você concorda com todos os premiados? Ou mesmo com os indicados? Acho que, assim como eu, não. Pois para a premiação deste ano eu acho que rolaram alguns exageros. Podem dizer o que quiserem jamais vão me convencer que um filme como O Lado Bom da Vida merece 8 indicações. E olha que dei chance, assisti ao filme com a melhor das intenções.

A bem explorada relação entre pai e filho

A história gira em torno de Pat (o surpreendente Bradley Cooper), recém saído de um instituto onde passou os últimos 8 meses controlando os constantes acessos de raiva que sente por uma triste memória recente - o dia que voltou do trabalho e pegou sua mulher tomando banho com outro cara. A barra pesada também sobra pra família - o pai Robert De Niro (como sempre bom) viciado em apostas e torcedor fanático dos Eagles e a mãe protetora Jacki Weaver (nada além de ok) - que aceitam de volta o filho problemático. Pat  vê na retomada do relacionamento com a sua esposa um porto seguro para sua desajustada vida, mas enquanto batalha por isso encontra Tiffany (a ótima Jennifer Lawrence), que acaba por bagunçar sua vida e suas emoções.

O improvável casal

David O. Russell, diretor do também premiado O Vencedor (drama de boxe com Christian Bale e Mark Whalberg), leva muito bem a trama de O Lado Bom da Vida. A montagem e a edição, uma das categorias que o filme concorria ao Oscar 2013, tem grande destaque, não seria exagero caso o filme fosse premiado nesta categoria. A câmera na mão, tremendo até o limite certo, nos faz sentir parte daquela família, nos conduzindo direto para o meio da discussão na sala de jantar, nos fazendo viver aqueles conflitos. Obviamente que a ótima química entre Cooper, De Niro e Weaver ajuda muito e faz toda a diferença.

De Niro, sempre o mesmo, sempre bom

Voltamos a questão da premiação ou no caso da nomeação, onde como disse, a Academia forçou a barra neste filme. Pra começar Cooper está muito bem, calou minha boca que sempre o achei "lugar comum", indicação de melhor ator merecida; De Niro também (embora ache que ele só tenha conseguido a indicação por ser quem é e nem tanto pela atuação, que penso está ligada no modo automático); assim como Russell na direção, que não atrapalha, só abre caminho para seus atores brilharem. Jennifer Lawrence está muito bem, essa sim é dona da situação. Poderia ter ficado com uma (merecida) indicação, mas acabou premiada com a estatueta (pessoalmente eu daria para Naomi Watts em Impossível). Já Jacki Weaver como atriz coadjuvante passa longe de uma indicação merecida, nada a ver.

Jennifer Lawrence está muito bem no filme, mas merecia mesmo o Oscar?

Em resumo - O Lado Bom da Vida é um bom filme, isso não se nega, mas não merece aquele caminhão de indicações. É uma comédia romântica, com uma mensagem muito bonita, uma interpretação precisa dos atores e uma direção segura. Mas pára por aí. Não é pra tanto... mesmo!


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A caça à Bin Laden
A HORA MAIS ESCURA (Zero Dark Thirty / 2012) - Kathryn Bigelow é, de certa forma, uma diretora nova. Tem 61 anos e 9 filmes dirigidos. Premiada em 2008 com o Oscar de melhor diretor (a primeira mulher na história a levar a estatueta nesta categoria) por Guerra ao Terror, Kathryn se especializou por realizar filmes com forte visão política. Mas nem sempre foi assim. Ela já fez terror trash (Quando Chega a Escuridão / 1987), policiais (Jogo Perverso / 1989), passando até por alguns clássicos dos anos 80, como Os Caçadores de Emoção.

"Caçadores de Emoção"...
... e sua diretora em ação à época

Toda essa bagagem deu a Kathryn muita versatilidade até se encaixar no mercado e encontrar naquele tipo de filme que ela era realmente boa. E aí chegamos a este A Hora Mais Escura, que trata da busca por Osama Bin Laden.

Tentando se destacar em um ambiente dominado pelos homens

Jessica Chastain (que esteve ótima em Histórias Cruzadas) faz uma novata da CIA que é enviada ao Afeganistão para ajudar na busca do terrorista. Logo de cara ela se vê testemunhando sessões de tortura a um presidiário com contatos no Al-Qaeda. Ela assiste tudo.O torturado dá boas informações sobre outros contatos que podem levar ao inimigo número 1 da América. Anos se passam e com afinco ela se especializa nos nomes e locais da região do Oriente Médio por onde passam ou passaram pessoas envolvidas com o terrorista. Se passam 12 anos e os planos dela se tornam mais eficientes. Quando todos abandonam a busca, quase que dando como perdida, ela se foca em uma pista quase mínima - uma fortaleza escondida que pode ou não ser o paradeiro não de um dos terroristas do Al-Qaeda, mas do próprio Bin Laden em pessoa. Todos desconfiam e a chamam de louca, ainda mais em um ambiente dominado por engravatados, mas ela insiste na sua pista. A meia hora final é eletrizante, acompanha como um documentário a saga da equipe especial empreendendo uma invasão à noite na fortaleza no meio do Afeganistão e matando cada um dos homens nela. Se Bin Laden está no meio destes mortos só assistindo para saber.

Equipe pronta para invadir a fortaleza

É muito claro a divisão deste "longo longa" em 3 partes. A violência do interrogatório que serve como base para que a novata personagem da ótima, mas forçada Chastain se desenvolva na sua carreira na CIA. A segunda com um forte tom político, o que pode se arrastar um pouco e criar uma certa barriga. E a terceira à lá Counter Strike traz muita adrenalina.

Chastain vivendo uma agente da CIA obcecada por achar Bin Laden

A Hora Mais Escura é conduzido com muita segurança por Kathryn, mas que após o sucesso de Guerra ao Terror parece se preocupar apenas com filmes políticos e que se baseiem em dramas de guerra do seu país. É um caminho que ela escolheu, mas que já a marcou. O filme é sim eficaz e funciona muito bem, mas apenas como propaganda nacionalista. Não há como duvidar do forte apelo junto aos patrióticos norte-americanos e sua busca ao seu inimigo número 1. 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Um exército de zumbis

MEU NAMORADO É UM ZUMBI (Warm Bodies / 2013) - Não é fácil assistir um filme desses. Bem, na verdade se você conseguir desligar o cérebro até que vai curtir, se divertir aqui e ali. O problema é esse - quando você não precisa pensar ou revisitar sua bagagem cinematográfica para assistir a um filme. Porque aí você começa a se questionar sobre a valia dos grandes criadores de filmes e personagens de terror do cinema. Cito aqui George Romero, por exemplo, o pai dos zumbis. Não dá para levar numa boa um filme como esse sabendo como são os zumbis de verdade. Você se sente como se assistisse a criatura sendo jogada contra o criador. É muito estranho.

Os zumbis de George Romero...


... e o zumbi principal de "Meu Namorado é um Zumbi"

De qualquer forma é bom que se saiba que para assistir Meu Namorado É um Zumbi você precisa se privar de toda a sua bagagem de filmes de terror e se deixar levar pelo absurdo da história. De qualquer forma a trama se baseia em R (Nicholas Hout - o menino de Um Grande Garoto), um zombie que conta a sua história. Ele vive em um aeroporto junto com outras centenas de zumbis zanzando para lá e para cá. A humanidade em menor número se trancou em uma fortaleza protegida por enormes muralhas. Os zumbis, liderado por R, seguem para a cidade para buscar comida - cérebros humanos. A inovação no roteiro do também diretor Jonathan Levine (baseado no livro de Isaac Marion - Sangue Quente) está no fato que quando come um cérebro o zumbi assimila as memórias daquela pessoa. R mata e come o cérebro de um rapaz e se apaixona perdidamente pela namorada do mesmo, que ainda estava por ali. R então, convence a menina a se fingir de morta (?) para que os outros zumbis não a comam e a convence (?) a ir com ele até o aeroporto para que ele cuide dela (?).

R salvando sua "namorada"

Tudo é muito estranho, porque afinal de contas o R pensa! E fala (balbuciando, mas fala)! Corre e abre portas, raciocina... enfim, é melhor parar por aqui e continuar com a história.

M e R "conversando"

A "relação" dos dois se estreita até que o coração dele volta a bater, isso provoca uma reação em cadeia fazendo com que todos os zumbis voltem a buscar boas memórias e aí seus corações voltam a bater. O amor do estranho casal traz R e todos os zumbis de volta à vida. Dessa forma eles passam a se organizar para que, junto com os humanos, possam derrotar os esqueletos, uma raça superior.

O casal

Como paródia Meu Namorado É um Zumbi funciona bem. É bem acabado e até diverte em alguns momentos. Mas eu não consigo desvincular o fato de que os zumbis aqui pensam e agem como nós, apenas apresentam problemas motores, digamos. Um insulto, nada mais.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Para ele tudo é simples

CELEBRIDADES (Celebrity / 1998) - Woody Allen é um diretor que não tem medo de arriscar. Ele é tão premiado e respeitado no meio do cinema que ele se permite fazer qualquer tipo de filme. Os estúdios aceitam na hora, os atores não pensam duas vezes ao receber um convite dele, porque todos sabem que de um filme do Woody Allen sempre se pode esperar algo mais, algo diferente.

Theron incorpora modelo em Celebridades

Em Celebridades, totalmente feito em preto e branco, Woody coloca em xeque a postura de figuras importantes da mídia, do entretenimento, revelando o que já sabemos mas nunca vemos - celebridades envolvidas com drogas, viciadas em sexo, com ego gigante e acima de tudo problemáticas.

Celebridades de fama fácil

Melanie Griffith, Leonardo DiCaprio (recém Titanic), Charlize Theron, Winona Ryder, entre outros vivem as celebridades do longa, enquanto o casal Kenneth Branagh e Judy Davis são as pessoas digamos "comuns" no meio dos famosos. Eles formam um casal que vive uma vida diferente um do outro e acaba por se separar de comum acordo. O filme acompanha as desventuras dos dois, cada um na sua área, na relação com famosos ou na busca por se tornar famoso. Ele termina como um escritor ainda em busca do seu grande livro e ela sobe meteoricamente na carreira e termina como uma famosa apresentadora de um talk show.

Judy Davis tomando aulas com uma prostituta

O interessante é que tanto Branagh quanto Davis possuem papéis que se invertem durante o filme. No começo ele é seguro, deslumbrado com a fama que almeja, cheio de expectativas com relação a seu futuro, enquanto ela não espera nada, vivendo à sombra dele, perdida na vida. Os rumos das suas carreiras após a separação leva a uma total inversão de papéis no final de Celebridades. Ela passa a ser segura e confiante, ele passa a patinar, perdido na vida.

Melanie Griffith e Kennet Branagh 

Todo filme do Woody Allen tem um Woody Allen em cena, mesmo que não seja ele próprio atuando. Em Celebridades o personagem neurótico do Woody é encarnado pelo casal principal - Branagh e Davis são Woody, incorporando inclusive alguns tiques dele, como o gaguejo, a gesticulação constante, os ombros arqueados e o olhar pro chão. Aliás procure! É difícil assistir um filme do Woody Allen sem ter um personagem assim.

Branagh e Winona

Celebridades não é o melhor do Woody, não entra nem na minha lista dos 10 mais do diretor, mas cumpre seu papel - é engraçado e divertido em alguns momentos, principalmente com as críticas que faz às celebridades instantâneas e a forma como algumas delas tratam as pessoas à sua volta e até mesmo às pessoas que elevam outras desconhecidas à fama.