quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O LABIRINTO DE KUBRICK (2012)

Um convite para o hotel mais assombrado da história do cinema

O LABIRINTO DE KUBRICK (Room 237 / 2012) - O cinema não seria o mesmo se não fosse por Stanley Kubrick. Difícil de se achar um cineasta que tenha se proposto a questionar, incomodar, cutucar o público como ele fez. E mesmo com uma filmografia tão curta. Kubrick dirigiu "apenas" 13 longas em 48 anos de carreira. Sempre bons filmes, alguns clássicos. Entre eles, o meu preferido, O Iluminado, história de terror baseada no livro de mesmo nome de Stephen King. Muitas teorias surgiram sobre o filme, provando que era amaldiçoado, que tinha mensagens subliminares, etc. Tudo teoria.

Quem procura acha. Significado? Aí fica pra cada um...

Teorias que Rodney Ascher levou para as telas no documentário O Labirinto de Kubrick. São 5 amantes do filme que propõe suas teorias sobre as mensagens escondidas no filme. Entre os principais acertos no documentário de Ascher está no fato de não mostrar nenhum dos cinco, eles entram apenas em off, cobertos com imagens da obra de Kubrick e de outros filmes para apoiar as suas opiniões.
Vamos à algumas teorias apresentadas em O Labirinto de Kubrick, primeiro com relação ao propósito do filme, que em alguns momentos se difere do livro. Uma das teorias defende que O Iluminado de Kubrick tem a ver com o massacre dos peles vermelhas pelo homem branco nos EUA. Não são poucas as referências indígenas do filme, inclusive tendo o Overlook Hotel sendo construído sobre um cemitério indígena.

Indícios se espalham por todo o filme

Outra teoria firma que na verdade o filme versa sobre o holocausto. O número 42 é visto muito em cena, inclusive na blusa de Danny em algumas cenas (1942 é o ano da Solução final, a decisão nazista de exterminar o povo judeu), Wendy balança o taco de beisebol 42 vezes na cena da escada, e a máquina de escrever de Jack tem uma águia e é da marca alemã Adler. Parece viagem, até pode ser mesmo...

Muita coisa gira em torno do número 42 em O Iluminado. Loucura ou Indício?



O minotauro é uma figura importante na história, que possuiria Jack durante o filme e Grady quando ele matava a esposa e as filhas. Indícios disso aparecem no labirinto de planta (a casa da criatura), os passeios de Danny pelos próprios corredores do hotel (que por serem tão cheios de curvas não passam de labirintos também), à imagem do Minotauro no salão de jogos logo acima da cabeça das meninas gêmeas e à famosa "janela impossível", na sala do chefe de Jack logo no começo do filme. "Janela impossível" porque a tal sala está no meio do hotel, impossível ter uma visão de fora dali, segundo a planta do Overlook.

A "janela impossível" no começo do longa

O Labirinto de Kubrick aponta ainda alguns "erros" de continuidade do filme como querendo mostrar alguma coisa, já que Kubrick era tão metódico que não cometeria esses pequenos erros. São cadeiras que estão em cena e depois do corte desaparecem, o desenho do tapete que aparece invertido em cenas subsequentes, a planta do hotel que em alguns momentos não bate nas cenas seguintes e assim por diante. Vai muito do que cada um quer acreditar.

O tapete invertido em cenas sequenciais

Nenhuma dos apontamentos acima feitos pelos entrevistados é definitivo, claro ou convincente, não passam de opinião. É um caso muito claro de procurar pelo em ovo. O Labirinto de Kubrick tem como papel homenagear O Iluminado e diverte na medida em que é interessante se buscar significados ocultos em um filme clássico como esse. Nada mais. A impressão é de que estão forçando a barra, o tempo todo.
Veja abaixo o trailer de O Labirinto de Kubrick.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

INTERIORES (1978)

Três irmãs e um problema
INTERIORES (Interiors / 1978) - Nunca foi segredo para nenhum fã de Woody Allen que as suas principais fontes de inspiração no cinema são Os Irmãos Marx e Ingmar Bergman. Em começo de carreira Woody foi imensamente influenciado pelas comédias pastelões à lá Irmãos Marx, como Um Assaltante Bem Trapalhão, Bananas, A Última Noite de Boris Grushenko. Assim que Allen ganhou o mundo com Noivo Neurótico, Noiva Nervosa ao empunhar as estatuetas de melhor filme, melhor roteiro e melhor direção (Diane Keaton também levou a de melhor atriz), ele decidiu lançar na sequência o seu primeiro drama. Foi beber na fonte de Bergman e aí surgiu Interiores.

Mães e filhas caminham em raro momento de tranquilidade

É um filme pesado, não dá para assistir impassível, com indiferença. O filme começa com um take de uma janela, um  mar nervoso quebrando ao fundo sob um céu cinza. Mãos tocam a janela, rostos olham perdidos o horizonte e a história se revela.

Diane Keaton vive uma das filhas

Um homem já na faixa dos 70 anos anuncia na mesa de jantar, diante da esposa e de duas das suas três filhas, que está cansado de viver em família e que decide se mudar e reiniciar a sua vida. A mãe, que já tinha problemas de saúde, passa a sofrer de depressão. Tudo piora quando o pai apresenta às filhas a sua namorada.

Durante o jantar a notícia que desencadeia a trama.

As filhas tem espaço na trama mostrando aos poucos as suas próprias vidas íntimas, ao mesmo tempo que tentam ajudar a sua mãe que, sem solução, busca maneiras de terminar com a sua vida. A família se despedaça, as irmãs se mostram muito distantes e constantemente trocam diálogos existencialistas sobre a vida que levam. Nada é capaz de impedir a iminente tragédia.

A mãe busca uma saída para o seu problema

Woody brinca o tempo todo com as sombras e os tons acinzentados e amarronzados das roupas dos personagens, nada poderia ser mais Bergman. Até o frame mais conhecido de Interiores remete diretamente à outra imagem igualmente clássica do filme Quando Duas Mulheres Pecam, do sueco.

Semelhanças de Quando Duas Mulheres Pecam de Bergman de 1966...

... e Interiores de 1978

Uma homenagem de Woody a um dos seus maiores ídolos. Um filme forte, pesado, nada fácil. Mas que faz pensar. Além de confirmar o talento criativo e a ótima forma, tanto na comédia quanto no drama de um dos maiores cineastas vivos.

O encontro de ex-marido e mulher em forte cena de Interiores

Veja abaixo o trailer de Interiores.



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

GLAUBER, O FILME LABIRINTO DO BRASIL (2003)

Glauber Rocha é todo ouvidos

GLAUBER, O FILME LABIRINTO DO BRASIL (2003) - Sílvio Tendler é um documentarista de mão cheia. Além da série de TV Anos Rebeldes, ele dirigiu no começo dos anos 80 Jango e Os Anos JK, duas obras definitivas sobre os temas e que ajudaram a definir os moldes do gênero no Brasil. Depois de se "aventurar" no mundo de duas figuras tão importantes do cenário político nacional, Tendler se voltou à uma importante figura do nosso cinema - Glauber Rocha.

Silvio Tendler e o cartaz do seu documentário

Uma das figuras brasileiras mais premiadas no cenário do cinema mundial e um dos precursores do chamado Cinema Novo, Glauber acabou colhendo ainda em vida um pouco de tudo aquilo que plantou. Polêmico, não acreditava em corporações, em grandes contratos e jamais abria exceções às suas próprias regras. Atirava contra tudo e contra todos, usando uma metralhadora de palavras fortes e gestual contundente.

Palavras fortes e gestual contundente

O documentário de Silvio Tendler foi lançado em 2003, revelando imagens até então proibidas do funeral de Glauber - a família queria que Tendler não usasse essas imagens que mostravam o cineasta exposto no caixão em detalhes.



Repetindo o próprio Glauber que em 1977 lançou um documentário sobre o funeral do pintor Di Cavalcanti, apenas duas horas após descobrir a sua morte. A família odiou, acusou Glauber de transformar aquele momento de tristeza em um carnaval. Até hoje esse filme ainda gera polêmica e nunca foi lançado comercialmente. De qualquer forma, clique abaixo e assista o filme de Glauber no funeral de Di Cavalcanti.

 

Dá pra perceber que Glauber não é um cineasta comum, definitivamente. O cineasta-poesia, cineasta-épico, dono de um jeito único, uma forma só dele, e estandarte do cinema da "câmera na mão e uma ideia na cabeça". No documentário de Tendler - O Filme Labirinto do Brasil - pessoas famosas e não, contam suas experiência ao lado de Glauber, amigos, intelectuais e tantos outros. O filme não tem o off condutor, são apenas relatos, o seu funeral e trechos dos seus filmes, além de programas de TV com Glauber soltando as suas frases bombásticas. Ele sempre tinha muito o que falar.



Glauber Rocha merece essa e muitas outras homenagens. Sem dúvida um gênio, sem dúvida um chato. Seus filmes flutuam entre o sublime e o grotesco, são secos, crus, alegóricos, carnavalescos, mas acima de tudo levam o carimbo de Glauber. Com a sua mania de matar seus ídolos, o nosso país vira as costas para suas grandes figuras. Goste dos seus filmes ou não, concorde com suas opiniões ou não, a questão é que em seu próprio país o cineasta Glauber Rocha foi (e é) pouquíssimo visto enquanto lá fora foi premiado e até reverenciado.



"Dediquei 20 anos de minha vida ao cinema brasileiro, sou um dos principais artífices da Embrafilme, realizei alguns filmes brasileiros de repercussão internacional e me encontro no Brasil marginalizado e sem ver nenhuma perspectiva de saída para o cinema". Glauber, sempre polêmico.
Veja abaixo o trailer de Glauber, o Filme Labirinto do Brasil.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A VIDA SECRETA DE WALTER MITTY (2013)

Correndo atrás do que se acredita - bela mensagem em um fraco filme

A VIDA SECRETA DE WALTER MITTY (2013) - Não gosto do Ben Stiller, nunca gostei e provavelmente nunca vá gostar. Isso faz com que eu tenha os dois pés atrás quando vou assistir a qualquer filme dele. Sempre achei que Stiller está sempre mais preocupado com a sua imagem, quer aparecer mais do que os outros, ou mais que todos, nem sempre com sucesso - em Trovão Tropical ele é claramente engolido por Jack Black e Robert Dowley Jr., apesar de fazer as vezes de principal, o mesmo acontece em Vizinhos Imediatos de Terceiro Grau onde só dá Vince Vaughn na tela.

Ben Stiller em sua grande especialidade - valorizar a si próprio

Alguém colocou na cabeça dele que ele sabe dirigir. Além de Trovão, Zoolander - que afirmo sem medo ser o pior filme que já assisti em toda a minha vida - e O Pentelho, ele embarcou no remake de 1947 de A Vida Secreta de Walter Mitty, onde para comprovar a minha teoria sobre ego, ele dirigiu e atuou no papel título. Um desastre, é claro.

Basta fechar os olhos que Walter Mitty está lá!

Walter Mitty, vivido por Stiller, é um homem comum, que trabalha na revista Life com revelação das fotos enviadas pelos repórteres. Ele vive a última edição da revista, que está para se transformar em digital e abandonar a edição impressa. Fica a cargo de Mitty a revelação do fotograma 25 que é a foto mais importante da história da revista e deve ser a capa da última edição, indicação do fotógrafo vivido por Sean Penn, que está incomunicável, viajando pelo mundo. O negativo 25 não é encontrado e Mitty tem que correr atrás desse tal fotograma desaparecido.

Sean Penn, que aparece pouco, mas movimenta o filme

Mitty é um homem, digamos, que não consegue prender a atenção em uma mesma coisa por muito tempo, esse é a tal vida secreta que o título promete. Ele se vê, invariavelmente, se metendo em confusões mentais e viajando para locais irreais em situações fantásticas, comprovando um escapismo que busca um homem que leva uma vida ordinária.

Mitty e seu amor "improvável" 

De uma "abelha trabalhadora" com uma vida sem graça, Walter Mitty se transforma em menos de um mês (que é o tempo que ele tem antes da impressão da última revista) em um cara aventureiro, que viaja o mundo atrás do tal fotograma 25. Menos crível impossível.

Do nada, de uma hora pra outra, o pacato vira aventureiro

Talvez eu devesse entrar na história, comprar a ideia, mas é impossível, para mim a história não colou. Aliás nada colou a começar como Ben Stiller tentando viver um aventureiro. Não recomendo A Vida Secreta de Walter Mitty, acredito quer os sonhos megalômanos do diretor Stiller atrapalharam um filme que se ficasse no simples poderia ser uma fábula até simpática. Não precisa ter ido ao Himalaya, Afeganistão, Islândia para contar a história de um cara sonhador que precisa mudar de vida. Sério, não precisava. Inúmeros outros filmes são menores e mantém os pés no chão e vão bem. Ben Stiller preferiu fazer de sua nova aventura na direção algo muito mais presunçoso e grandioso do que precisava.

Ben Stiller, massageando o próprio ego assumindo a direção

Veja abaixo o trailer de A Vida Secreta de Walter Mitty.


domingo, 5 de janeiro de 2014

THE BEATLES - YELLOW SUBMARINE (1968)



THE BEATLES - YELLOW SUBMARINE (1968) - Em certo ponto da sua carreira musical, os Beatles assinaram um contrato muito claro. Eles assumiam ali inúmeros compromissos de fotos, clipes, aparições em programas de TV, teatros, shows e também filmes. Ao todo o contrato previa 5 filmes, com obrigatoriedade que John, Paul, George e Ringo aparecessem em cada um deles. Na época eles já haviam lançado A Hard Days Night e Help!, o primeiro filme PB e o outro já à cores. Ambos foram um sucesso. Em 1967 lançaram Magical Mystery Tour. Ainda faltavam mais dois para cumprir.


A banda em desenho
Os quatro já estavam de saco cheio de toda a cobrança que sofriam e decidiram pelo mais fácil - uma animação. Baseada na música de mesmo nome lançaram, ainda durante o verão do amor, um filme totalmente lisérgico - Yellow Submarine. Lisérgico porque é tudo muito colorido e é todo preenchido por personagens da imaginação dos desenhistas, figuras assustadoras e ao mesmo tempo encantadoras.

Blue Meanies chegando a Pepperland

Música também é o propósito do filme. São apresentadas "Hey Bulldog", "It´s All Too Much", "All Together Now", "Eleanor Rigby" e tantas outras, mas diferente de um musical comum, aqui as músicas fazem parte da trama, somam à cena. Em momento algum a história estaciona para que as músicas sejam apresentadas. O filme todo é preenchido por música, não poderia ser diferente.

Música permeia o filme, do começo ao fim

A história começa mostrando Pepperland, uma terra colorida e feliz. De repente, sem aviso, aparecem os vilões - chamados de "blue meanies" - e começam a atacar a terra, tirando sua vida e sua cor. Eles desaparecem com os instrumentos musicais e as pessoas se tornam cinzas e ficam paralisadas.

Pepperland fica cinza

Old Fred, um velho capitão, consegue escapar de Pepperland e vai atrás dos únicos que podem ajudar. Chega à Liverpool e "captura" os Beatles, um por um. Cada beatle tem um jeito específico de ser, de andar e se portar. Os animadores tomaram muito cuidado em fazer com que as personalidades de cada músico fosse preservada nos personagens do desenho. Até os dubladores (é, infelizmente as vozes não são dos músicos) usaram as vozes de forma singular para cada um deles, preservando o seu sotaque, a sua maneira de falar.

Blue Meanies, os caras do mau

Passando por diversas aventuras em Sea of Monsters, Sea of Holes, Sea of Time, Sea of Nothing (todas que acabaram virando músicas instrumentais no álbum da trilha sonora) eles chegam à Pepperland e sem grandes problemas recuperam os instrumentos, libertam as pessoas e transformam os blue meanies em boas "pessoas".

Os Beatles salvam Pepperland

No final a grande surpresa! Cumprindo a "obrigação" de aparecer em todos os seus filmes, eles surgem! Veja abaixo:


Yellow Submarine é apontada até hoje como a animação que definiu os rumos do gênero dali para frente, confirmando o efeito Midas que a banda sempre exerceu - tudo o que levava o nome Beatles se transformava em ouro.

Colagens entre as inovações de Yellow Submarine

Nem os próprio Beatles acreditavam que o filme ficaria tão bem, cheio de pop art, simbolismos, metáforas políticas e críticas sociais, o que ajudaram a elevar o filme a um patamar acima. Mesmo que não se enxergue esse viés político e social, Yellow Submarine cumpre bem o seu papel, diverte, anima, prende na cadeira crianças de todas as idades.  
Veja abaixo o trailer de Yellow Submarine:


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

TODOS DIZEM EU TE AMO (1996)

O amor está no ar

TODOS DIZEM EU TE AMO (Everyone Says I Love You / 1996) - Não adianta. Já tentei de várias formas e não dá certo. Musical não funciona para mim. Não faz minha cabeça. Nem que seja com a genialidade de um Woody Allen. Pelo visto nem o próprio Allen gostou muito da experiência, é o único filme do gênero em sua carreira de quase 50 anos e mais de 45 filmes.

Allen dirigindo Norton e Barrymore

O filme não é ruim, não me entenda mal, mas é que as partes cantadas atrapalham o andamento da trama (assim como em qualquer musical), fazendo do destaque de Todos dizem Eu Te Amo as partes não-cantadas, preferivelmente as partes que tem Woody atuando.

Ex-marido e ex-esposa, se dando bem ao lado do atual marido

Mas é fácil de entender a opção do cineasta por fazer desse seu roteiro um musical. Na metade dos anos 90, Woody vinha de uma sequência de comédias leves, tinha abandonado o estilo pastelão do começo de carreira e sombrio que adotou alguns anos depois. Para um filme que tem o amor como seu personagem principal e se passa em Veneza e em Nova York coberta de neve, um musical seria mesmo a escolha mais óbvia e mais acertada. Só assim para passar o sentimento de felicidade incondicional que ele tanto queria. Não tinha como Todos Dizem Eu Te Amo ser diferente.

As danças espalhadas por todo o musical

Edward Norton, Drew Barrymore, Julia Roberts, Natalie Portman (ainda adolescente), Tim Roth e o próprio Woody dão vida a uma família que vive de indas e vindas do amor.

Portman, à esquerda, no seu quarto filme

O filme decola nas sequências em que Woody tenta conquistar a personagem de Julia Roberts, de tão não-crível as situações ficam ainda mais hilariantes, ao melhor estilo Woody Allen de atuar - neurótico, cheio de palavras e uma fala rápida como uma metralhadora.

Em Veneza Woody tenta o "impossível" - conquistar Julia Roberts

Outra sequência encantadora é do reencontro dos ex-marido e esposa, vividos por Woody Allen e Goldie Hawn. Ao se reencontrarem em Paris, em frente a um dos canais, eles dançam lindamente. Uma cena bonita, bem coreografada, que leva Hawn às alturas, literalmente alçando vôo entre um passo de dança e outro, Woody à conduz com delicadeza.

E Goldie Hawn voa...

Vale por ser Woody Allen e repito, pelos momentos não-musicais, onde todo o poder de texto e direção de atores de Woody se faz mais presente.
Veja abaixo o trailer de Todos Dizem Eu Te Amo.

  

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

FOO FIGHTERS: BACK AND FORTH (2011)

Uma banda madura

FOO FIGHTERS: BACK AND FORTH (2011) - Um documentário musical para fãs da banda de Seatlle. James Moll é um especialista no gênero e abraçou a direção do longa que pretende contar desde a formação até o último disco lançado Wasting Light, de 2011.

Energia no palco

Cada integrante da banda de ontem e de hoje tem seu espaço. Obviamente Dave Grohl tem o maior espaço já que é o líder e o letrista. O filme começa mostrando fotos dos integrantes ainda jovens e com trechos curtos das músicas que marcaram a vida deles - de Queen até uma série de bandas do underground punk.

Fazendo "Wasting Light"

O Nirvana e a morte de Kurt, o período de recolhimento de Grohl e ideia da formação dos FF, os músicos que passaram pela banda, os que deram certo e os que não, disco a disco histórias ricas de um período vivido por aqueles músicos. É interessante observar como no começo o que valia era o processo de se fazer música, cada vez melhor, um álbum cada vez melhor. E com o tempo esse processo ficou mais "relaxado", as famílias se juntando para fazer música e os álbuns, e o resultado claro de todo esse processo.

FF na estrada

O documentário não tem a "voz condutora", ele é conduzido somente pelas entrevistas e assim se torna mais fácil de se entrar na história. Mas é bom que se alerte - é preciso ser fã para gostar do filme, ou é claro ter a mente muito aberta. Um ótimo filme sobre o processo de criação e amadurecimento de uma das bandas mais famosas atualmente liderada pelo cara intitulado "o mais legal do mundo do rock". 

O cara mais legal do rock

O melhor fica para o final. A família de todos os integrantes se encontram num final de semana na casa de Dave Grohl para gravar o "Wasting Light". E entre churrasco, mergulhos na piscina e brincadeiras com os filhos o álbum foi gravado. Convidados inesperados foram aparecendo no estúdio da casa de Grohl abrilhantando ainda mais o final de um bom documentário de uma ótima banda.

O show em Wembley

É impossível não se fazer uma conexão entre este Back and Forth de 2011 e o Soundcity de 2013, documentário sobre o legendário estúdio de mesmo nome, filme este dirigido pelo próprio Dave Grohl. O Dave se sai muito melhor como personagem de um documentário do que como documentarista, o lugar dele é fazendo música.
Veja abaixo o trailer de Foo Fighters: Back and Forth.

sábado, 7 de dezembro de 2013

GONZAGA: DE PAI PARA FILHO (2012)

Breno Silveira, diretor de mais uma cinebiografia de sucesso

GONZAGA: DE PAI PARA FILHO (2012) - Breno Silveira é um cineasta de mão cheia. Gosta de histórias reais e as retrata de forma muito única. Desse gênero no Brasil, poucos profissionais alcançaram tanto sucesso como ele. Dois Filhos de Francisco é um fenômeno do cinema nacional recente. Relutei muito, demorei para assistir por conta do meu (e admito sem medo) preconceito com relação ao gênero musical da dupla Zezé di Camargo e Luciano. Imaginei que seria um melodrama à lá Globo Filmes com cara de novela das sete e feito só para promover a dupla. Não poderia estar mais errado. Me emociono cada vez que assisto ao filme.

Simpatia de Gonzagão


Em Gonzaga: de Pai para Filho, Breno se vê diante de uma das histórias musicais mais ricas do nosso país. Da relação entre Luiz Gonzaga e Gonzaguinha. Como "pai e filho" e como músicos de sucesso (cada um no seu gênero e na sua época).

Gonzagão, o rei do baião

Uma breve resumo do que o filme conta - Luiz Gonzaga nasceu no meio do sertão de Pernambuco, fez de tudo na vida até descobrir o talento para música e se lançou no mundo como sanfoneiro. Chegou ao Rio e só passou a fazer "sucesso" quando deixou de tocar o que as pessoas queriam ouvir e passou a tocar coisas próprias, nordestinas, baião. Casou, descobriu que a esposa estava grávida e nasceu um menino, que recebeu o nome de Luiz Gonzaga Filho. Gonzagão só pensava em tocar, ganhar dinheiro para sustentar sua família, por isso passou muito tempo ausente da vida da sua esposa e do pequeno Luiz Gonzaga.

Gonzaguinha e sua MPB

Quando a mulher morreu, Gonzagão, que já fazia sucesso, se casou de novo, enquanto crescia no menino um sentimento ruim em relação à Gonzagão, um músico amado por todos, mas incapaz de despertar esse sentimento no próprio "filho".

Tocando sanfona a qualquer momento

O filme conta o crescimento e "amadurecimento" desses dois personagens, tendo como espinha dorsal um encontro tenso entre Gonzaguinha com Gonzagão, nos últimos anos de vida do rei do baião. Um espetáculo de atuação.

O encontro para acerto de contas

Cada um é vivido por três atores, retratando suas vidas na infância/adolescência, vida adulta e na velhice. Os atores escolhidos para viver Gonzaguinha são ótimos, todos com muito ao mostrar uma pessoa muito talentosa, mas rancorosa, reunindo muita raiva contra o pai que ele tanto queria ao seu lado. O destaque é todo de Júlio Andrade que quando aparece é o dono do filme. Capaz de uma semelhança física assustadora com Gonzaguinha, Júlio passa todo o sentimento com um olhar, com o jeito de andar, de se postar em cena. É o grande destaque do filme. Todo o embate de sentimentos de Gonzaguinha, vivido nessa etapa por Júlio, é rebatido com muito êxito pelo não menos ótimo Adélio Lima, que vive Gonzagão nos últimos anos de vida. Uma linda e forte cena.

Gonzaguinha criança...


... na fase adulta como amante da esquerda...


...e com a carreira estabelecida como músico.


Já Gonzagão é vivido quase por todo o filme pelo músico Chambinho do Acordeon. Chambinho se esforça, é simpático, carismático, mas em momentos de mais drama, quando a verdade no sentimento precisa dar a tônica (quando sua primeira esposa morre ou quando ele expulsa Gonzaguinha de casa devido à sua ligação com a esquerda) é fácil de se reparar que não se trata de um ator de ofício. Pena. Chambinho não estraga, mas deixa o filme menos forte em alguns momentos. 

Gonzagão na adolescência...
... na fase adulta...
... e no fim da vida.
O filme não enfraquece, mas deixa de ser melhor. Breno surpreende ao inserir em todo o filme, fotos, recortes de jornal da época, mostrando os reais personagens naqueles momentos. Fazendo isso ele separa os atores dos retratados e dá mais força aos Gonzagas.

No confronto dos sentimentos, a força da trama

Perto do final, Breno redescobre um vídeo dos "reais" Gonzaguinnha e Gonzagão cantando juntos nos anos 80. Uma pérola. E ele encerra o filme com Gonzagão "apresentando" sua família em um programa de TV e diz "esse é meu filho, Gonzaguinha". Emocionante.

O reencontro dos verdadeiros Gonzaguinha e Gonzagão garantem um final emocionante do filme

"Mesmo que seu sangue nunca tenha corrido nas minhas veias, tenho certeza que você sempre foi meu filho."
Veja abaixo o trailer de Gonzaga: de Pai para Filho.