quarta-feira, 30 de agosto de 2017

INVASÃO ZUMBI (2016)

Uma corrida desenfreada

INVASÃO ZUMBI (Busanhaeng / Train to Busan / 2016) - O boom dos filmes de zumbi aconteceu já faz algum tempo. Extermínio (2002), Madrugada dos Mortos (2004), Terra dos Mortos (2005), Diários dos Mortos (2007), Eu Sou a Lenda (2007), Quarentena (2008), e tantos e tantos outros. Esse sul coreano Invasão Zumbi pode ter chegado tardiamente - e com isso acabou repetindo algumas ideias já exploradas em outros tantos filmes do gênero. Mas não é por isso que o sul coreano Invasão Zumbi deva ser evitado. Ao contrário.

Boa parte da ação acontece no mesmo cenário

Na história um pai ausente promete levar a filha até a mãe. A dupla pega o trem e no caminho se deparam com uma cidade parcialmente destruída. E escutam rosnados. Pessoas com os olhos mortos, com membros desvirados e correndo como loucos.

O contaminados
Permissão para "corrigir" o título em português. As figuras contaminadas aqui não são zumbis, elas parecem contaminadas com raiva, como as do Extermínio. Zumbis são mortos-vivos que rastejam, andam devagar atrás de cérebro. Essas criaturas daqui mordem outro pessoa - ou comem - e imediatamente o mordido se torna um ser humano com raiva.

Sem saída

Invasão Zumbi tem um grande mérito - ele se passa sem rodeios, começa a termina dentro do trem, praticamente. E tem todos os elementos conhecidos de um filme desses - os seres humanos egoístas que jogam outros pelo caminho para se salvar, os entes queridos que se transformam nas criaturas (zumbis, pelo título em português) e deixam a gente com aquele gostinho de "puxa, até ele?", os justiceiros que resolvem as coisas com os punho, a relação pai-filha que se fortalece, e claro, uma mulher grávida. Passa rápido e diverte.

Um dos momentos mais tristes do filme

Veja abaixo o trailer de Invasão Zumbi.


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

UM CADÁVER PARA SOBREVIVER (2016)

A lição que a morte ensina

UM CADÁVER PARA SOBREVIVER (Swiss Army Man / 2016) - Coloque Náufrago e Um Morto Muito Louco dentro de uma panela. Mexa bem. Inclua uma boa porção de humor surrealista, existencial e até escatológico. Você terá a receita perfeita de Um Cadáver para Sobreviver, filme de uma dupla de diretores iniciantes - Daniel Scheinert e Daniel Kwan - que com um roteiro potente não tiveram trabalho para convencer Paul Dano e Daniel Radcliffe a entrarem no barco.

Um dos "Daniels" gravando Dano e Radcliffe

Hank (Dano) está  se enforcando. Ele está perdido no que parece ser uma ilha sem qualquer contato com outro humano. Algo chama sua atenção, um corpo jogado ali na areia da praia. Ele recupera o corpo e começa a conversar com ele, leva para as instalações que ele construiu por ali, fala da sua vida, conta sua história e se assusta - o cadáver começa a falar.

Um homem à beira da morte

Tudo, claro, fruto da imaginação de Hank. Manny (Radcliffe) é o Swiss Army Man do título, algo como "Homem canivete". Isso porque ele "ajuda" Hank em qualquer tarefa do dia a dia. Seus dentes servem para raspar a barba de Hank, sua cabeça dura como ferramenta para abrir cocos, a água que sai da sua boca - já que presume-se que ele tenha morrido afogado - serve como chuveiro para Hank, e suas flatulências (?) são o motor propulsor que o transformam numa lancha, por exemplo (sim, é isso mesmo). Um humor estranho que dividiu a plateia de Sundance - metade saiu ainda no meio da projeção.

Um homem multi-tarefas

De qualquer forma a parceria com um morto - que ele acredita realmente estar vivo - faz Hank ter uma nova perceptiva da própria vida e tem papel fundamental na sua salvação. Esta é a grande mensagem que Um Cadáver para Sobreviver apresenta.

Ajudando o amigo a tocar em frente

O problema é que para chegar até essa conclusão enfrentamos um mar de piadas de mau gosto e que incomodam demais, desconectando-nos do filme até certo ponto. Se você conseguir não se incomodar com tudo isso, o filme - que conta com excelentes atuações da dupla principal - tem um significado importante e merece sim ser visto.

Duas vidas que juntas fazem sentido

Veja abaixo o trailer de Um Cadáver para Sobreviver.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

FOME DE PODER (2016)

O homem que levou o McDonald´s para o mundo

FOME DE PODER (The Founder / 2016) - Uma história de sucesso das mais impressionantes e revoltantes já contadas. Uma sacada de mestre de um cara capitalista acima de tudo e, como diz o ótimo título brasileiro, com muita Fome de Poder. O problema é que no caminho ele atropela tudo e todos. A ambição vem sempre em primeiro lugar. E pior é que tudo é real.

Kroc, do lado direito, analisando o projeto de um novo restaurante

Fome de Poder conta a história de Ray Kroc, um irritante homem de negócios vivido por Michael Keaton. Ele tenta a todo custo vender uma máquina de fazer milkshakes, bate de porta em porta em restaurantes espalhadas pelo país, sem sucesso. A sorte de Kroc começa a mudar quando ele recebe uma ligação de um restaurante chamado McDonald's que encomendou seis das suas máquinas de uma vez só. Kroc vai até lá.

Krock insiste para falar com os irmãos do McDonalds

No tal McDonald's ele encontra dois irmãos - Ray e Don, os donos, que criaram um método revolucionário para servir a comida rapidamente com o menor custo possível. "De 30 minutos em 30 segundos", dizem. Ele inventaram ali o fast food. Kroc embarcou nessa ideia e conseguiu, depois de muita insistência, assinar um contrato como novo sócio dos irmãos. Sua missão - fazer filiais do McDonald's por todo o país.

Kroc vendendo, que é o que ele sabe fazer

O problema é que nesse afã de sucesso e expansão a todo custo, Kroc atropelou a autoridade que os irmãos McDonald's teriam nesse processo todo. O contrato assinado por eles não foi cumprido ("contratos foram feitos para serem quebrados", diz Kroc), os irmãos preferiram não entrar na briga. Até que Kroc, já cheio de dinheiro de tantas novas lojas que conseguiu abrir e ao lado de bons advogados, acabou adquirindo o McDonald's todo para ele. Aos irmãos sobrou mudar o nome de seu restaurante original para M simplesmente, que por sinal, faliu poucos anos depois.

O primeiro restaurante, que deu origem à toda rede

A escolha de Michael Keaton foi perfeita, ele não tem uma cara amigável mas encarna muito bem um empresário chato, persistente e até maldoso. A mensagem que fica de Fome de Poder é que para vencer tem que se atropelar a todos, e ser acima de tudo uma pessoa sem limites ou escrúpulos.

Os irmãos McDonald´s

Não basta ser maior, tem que ser O maior e para isso Kroc amassa os menores. Algo que o filme Steve Jobs, dirigido por Danny Boyle, também deixa claro sobre o grande líder da Apple. Uma mensagem que me incomodou tanto que falei pra mim mesmo "não vou mais no McDonalds"... passou dois dias e descumpri minha promessa.
Veja abaixo trailer de Fome de Poder.


domingo, 6 de agosto de 2017

A SENHORA DA VAN (2015)

Mal humorada

A SENHORA DA VAN (The Lady in the Van / 2015) - Alan Bennett é um escritor inglês de mão cheia. Ele se acostumou a retratar a vida de personagens comuns do dia a dia e por isso quando uma senhora passou a morar dentro de uma van na rua em que o escritor morava, tudo se encaixou. Ele acabou transformando aquela experiência real em história. Nasceu ali um livro e depois uma peça que é encenada até hoje na Inglaterra.

A peça de teatro

Maggie Smith interpreta a senhora do título, que vive dentro de uma van numa rua de Camden Town em Londres. Ela e Bennett (interpretado por Alex Jennings) acabam desenvolvendo uma estranha amizade, já que ambos não são nada simpáticos um ao outro, nem minimamente cordial. Ela se apoia na velhice e ele nas manias de um turrão vivendo uma vida solitária.

Uma relação conflituosa

Ele é reservado, mora sozinho e faz o máximo esforço para manter qualquer pessoa distante, até a própria mãe. Fala sozinho em casa o tempo todo, e a forma como o diretor Nicholas Hytner escolheu para preencher o vazio da casa onde ele mora é incrível - Bennett contracena com ele mesmo. No começo parece um irmão gêmeo, aos poucos descobrimos que é ele mesmo, um outro "eu".

O mal humor do vizinho

Por 15 anos aquela mulher morou dentro da van e - depois de conversar com Bennett -, acabou-se "mudando"da rua para a garagem do escritor. O seu espaço sempre foi mal cheiroso, cheio de sacolas e os seus carros - sim, porque ela teve mais de 1  - pintados com um estranhamento amarelo ovo. Mas de onde ela tira dinheiro? Porque é tão irritante e irritável? Qual a história dessa senhora? Aos poucos o roteiro de Bennett soluciona todas essas questões.

A equipe no set

A Senhora da Van é cativante e uma lição dura e curiosa. O paralelo que o texto propõe entre a senhora maltrapilha e a mãe do próprio escritor é leve, porém muito claro. Ele mesmo traça essa linha vez por outra. Ao mesmo tempo em que se vê obrigado a internar a mãe doente em um asilo, ele se cobre de zêlo para proteger a senhora moradora de rua. Não é amor, mas passa longe do ódio. Um sentimento que ele despeja na senhora, ao mesmo tempo que evita lançar sobre a própria mãe.

O "raro" sorriso 

Veja abaixo o trailer de A Senhora da Van.


quinta-feira, 27 de julho de 2017

NUNCA TE VI, SEMPRE TE AMEI (1987)

Duas pessoas que nunca se viram, mas que trocaram confidências por vinte anos

NUNCA TE VI, SEMPRE TE AMEI (84 Charing Cross Road / 1987) - Uma história real. Romanceada, é claro, mas real. Helene Hanff se correspondeu via carta durante anos e anos com um livreiro londrino, buscando exemplares de obras raras disponíveis na livraria dele. As cartas viajavam de Nova York para Londres e vice-versa. Das correspondências nasceu uma amizade e, ao que parece, um sentimento. A incrível história virou uma peça, um telefilme e por fim, um longa metragem. David Hugh Jones dirigiu o filme.


A peça inspirada na história

Anne Bancroft (a eterna Mrs. Robinson de A Primeira Noite de um Homem) e Anthony Hopkins interpretam Helene e Frank. Os dois já haviam atuados em O Homem Elefante, de David Lynch em 1980, mas na produção de Nunca Te Vi, Sempre te Amei, como entrega o título, eles não se vêem, não aparecem juntos em cena sequer uma vez. Helene é viúva e Frank casado e pai de três filhos.

Tudo começa quando Helene, uma amante da literatura inglesa, apaixonada por colecionar livros raros não encontra alguns volumes e entra em contato, via carta, com uma livraria especializada em Londres. Semanas depois ela recebe uma resposta de Frank, responsável pelo estabelecimento, dizendo ter tais livros. O ano é 1948.

Frank em sua livraria

Eles passam o filme trocando cartas, sempre respeitosas e carinhosas contendo informações sobre família, amigos e interesses em comum. A Segunda Guerra Mundial ainda era um evento recente e a Inglaterra, assim como boa parte dos países europeus, passava por um período de recessão. Alimentos eram escassos. Helene enviou mais de uma vez, caixas de enlatados, que Frank distribuiu entre os empregados da livraria. Em troca, Frank mandou de Londres toalhas de mesa e alguns livros de graça.

A comida que chega em Londres enviada por Helene
A troca de cartas se manteve constante até 1968, quando Helene descobriu que Frank morreu após complicações de saúde. Ela, por sua vez, que sempre adiou uma viagem à Londres, se sentiu na obrigação de ir à capital inglesa conhecer a tal livraria no endereço que dá o nome original ao filme - 84 Charing Cross Road.

A quarta parede usada por Helene em boa parte do filme

O filme começa já com a viagem de Helene para Londres e num corte brusco volta vinte anos mostrando ela bem mais jovem, quando ainda estava escrevendo a primeira carta para Frank. No final do filme, Helene chega à livraria, que está abandonada, é somente uma construção antiga, mas ela fica feliz de fechar esse ciclo em sua vida.

Ritmo de romance e interpretações tocantes - porém estereotipadas - fazem de Nunca te Vi, Sempre te Amei um filme leve, bom para um dia a tarde com bolinho de chuva e cobertor. Hopkins apresenta o modelo do inglês tradicional, cortês, e a bela Bancroft faz uma nova iorquina fumante e ansiosa, que por mais de uma vez fala com a câmera como se fosse a própria consciência.
Veja abaixo o trailer de Nunca te Vi, Sempre te Amei.



quinta-feira, 20 de julho de 2017

RUA CLOVERFIELD, 10 (2016)




RUA CLOVERFIELD, 10 (10, Cloverfield Lane / 2016) - Tudo era um grande segredo. Inclusive para os atores. Ninguém sabia ao certo qual filme estava sendo produzido quando a equipe se juntou no set para as primeiras gravações. Ideia do produtor J.J. Abrahms, que gosta de sempre manter suspense nos seus projetos, mesmo com a equipe. Aos poucos descobriu-se que se tratava do segundo filme da série Cloverfield, sucesso de Abrahms de 2008.

Na verdade Rua Cloverfield, 10 não é uma sequência do primeiro filme, está mais para um spin-off, ou seja um filme derivado que se passa naquele mesmo ambiente, mesmo universo. A história  escrita por Damien Chazelle - o diretor de La La Land - começa com a bela Michelle (a Lee de À Prova de Morte) saindo de casa às pressas depois de abandonar o namorado. Na estrada ela sofre um acidente e acorda em uma sala fechada, sem janelas, acorrentada à parede.

Pouco depois um homem aparece. Howard (John Goodman, talvez na melhor interpretação da carreira) não diz muito, apenas que ele a mantém viva. Aos poucos, ele conta para ela que o oxigênio do planeta está contaminado, talvez pelos russos, coreanos ou mesmo extraterrestres e que ele, que tem preparação militar, construiu aquele bunker se preparando para um ataque das forças inimigas.

Ela não acredita até conhecer Emmett, outro homem que está lá embaixo também e parece acreditar em tudo o que o Howard diz. E são esses três personagens que passam boa parte do filme tentando se entender confinados naquela casa subterrânea.

Michelle tenta escapar algumas vezes, principalmente por receio de que a figura ameaçadora de Howard - com Goodman repito no melhor papel da carreira - possa violentá-la ou algo do tipo. Tudo gera desconfiança nela e para piorar, Emmett não é lá muito inteligente e não oferece perigo imediato para o reinado de Howard na casa.

Ela chega a ver o mundo lá fora pela porta, mas logo desiste de abri-la ao se deparar com uma mulher sangrando e olhar desesperado que implora para que ela abra a porta. Howard grita de longe para que Michelle não faça isso. Assustada com o que vê lá fora, Michelle passa a acreditar na contaminação do oxigênio no exterior e desiste da fuga.

Mas as histórias de Howard são meio sem sentido. Faltam alguns pontos, não se sabe ao certo a real intenção dele em alguns momentos. Será que ele é mesmo tão bonzinho por abrigar dois desconhecidos ou tem algo mais que ele esconde? A interpretação de Goodman deixa tudo aberto.

Howard se mostra violento, principalmente quando a dupla começa a arquitetar um plano para escapar do bunker. Sem entrar em detalhes para não estragar o enredo, digo apenas que Michelle consegue escapar e fica chocada ao olhar no horizonte e enxergar uma nave alienígena rondando o céu. A reação é a que a maioria de nós teria, talvez - ela fica incrédula, sem acreditar que aquilo é real. O filme poderia perfeitamente acabar aí. Já seria ótimo!

Mas o roteiro nos leva por mais uns dez minutos em que Michelle trava uma batalha com um dos ETs... Na minha opinião esse final é a grande escorregada de Rua Cloverfield, 10.

Quando navega pelo suspense o filme vai muito bem! Dá agonia se imaginar na posição de Michelle, ainda mais sabendo que o dono do lugar - e que tem todos os acessos e chaves e ferramentas - é um cara misterioso, com aquele olhar que não demonstra nada, e uma respiração arfante como se estivesse sempre armando algo. Mas aqueles dez minutos finais... bem que poderiam ter ficado ar no chão da sala de edição.
Veja abaixo o trailer de Rua Cloverfield, 10.



sexta-feira, 14 de julho de 2017

DEMÊNCIA 13 (1963)



DEMÊNCIA 13 (Dementia 13 / 1963) - Novato e cheio de ideias na cabeça. Um jovem Coppola saiu dessa forma da universidade direto pro concorrido mercado de cinema norte americano. O hippie abraçava todo e qualquer projeto que podia, escrevendo roteiros e assumindo a direção também. Foi assim que nasceu Demência 13, filme de terror de baixíssimo orçamento - como não poderia deixar de ser - filmado em apenas nove dias por um Francis Coppola (sem o Ford ainda), que assumiu o roteiro e a direção.

A família Haloran é rica e amaldiçoada. A mãe viúva está no castelo da família com os 3 filhos de meia idade e duas namoradas. Um dos filhos morre de ataque do coração e a namorada esconde isso da família inventando uma mentira qualquer, para que não perca parte da herança. Em menos de trinta minutos de filme, ela morre assassinada à machadadas por uma figura estranha.

O outro irmão assume o papel de pai, é bruto e pouco carinhoso com a namorada que vive para lhe agradar o tempo todo. Estão prestes à se casar. E o último irmão, o mais jovem não tem namorada mas é atormentado por um fantasma do passado - ele viu a irmã jovem morrer afogada no lago da propriedade. A mãe de todos vive em luto pela morte da menina que aconteceu há sete anos.

Outro crime acontece em situações parecidas - machadadas no meio da noite - e os irmãos ficam alertas. A tumba que guardaria o corpo da irmã é violada e dentro dela os objetos mais bizarros possíveis. Coppola brinca com os brinquedos infantis e os transforma em itens assustadores.

Destaque para o médico da família, interpretado por Patrick Magee. O nome não é conhecido, mas a cara dele... O velhinho faria uma participação marcante em Laranja Mecânica como o senhor que tem a casa invadida pela turma de Alex, tem a esposa violentada e acaba numa cadeira de rodas. As expressões faciais dele em Demência 13 e em Laranja Mecânica são idênticas.

A conclusão da história passa pelo óbvio mas o roteiro tem seus momentos marcantes e surpreendentes, principalmente com relação à trilha sonora forte e presente - lembra muito os temas que Polanski usou em muitos dos seus clássicos como O Inquilino, por exemplo.

Demência 13 não tinha esse nome, era apenas Demência, mas durante as gravações Coppola descobriu que existia um filme da década de cinquenta com o mesmo nome. Ele decidiu colocar o 13 no título por ser um número maldito, digamos assim. E no final "Demência 13 soava bem", ele disse certa vez.

Francis Ford Coppola entrou com o pé na porta, sem medo de cara feia dos grandes estúdios. O hippie venceu como roteirista, produtor e diretor - um cineasta completo com um início impressionante.
Veja abaixo o trailer de Demência 13.



quinta-feira, 6 de julho de 2017

12 HORAS PARA SOBREVIVER: O ANO DA ELEIÇÃO (2016)




12 HORAS PARA SOBREVIVER: O ANO DA ELEIÇÃO (The Purge: Election Year / 2016) - Uma boa ideia exprimida sem piedade até render mais algumas gotinhas. A noite onde todo e qualquer crime é permitido chega ao terceiro filme... e com fôlego pra mais! Mas desta vez eles trocaram o título em português que era Uma Noite de Crime e virou esse horroroso 12 Horas para Sobreviver. Mas se o horror ficasse apenas no título seria bom...

Desta vez uma eleição está prestes a ocorrer nos EUA. De um lado um candidato a favor do purge e do outro uma senadora que cresce cada vez mais nas pesquisas defendendo o fim do purge. Está armado o cenário quando a senadora se vê nas ruas, no meio do purge, sendo escoltada por seu guarda costas e mais alguns voluntários que pretendem defendê-la.

As boas ideias presentes no filme anterior quando o filme sai de dentro de casa e a ação vai pras ruas são quase todas repetidas aqui. Vemos aqui na verdade mais do mesmo nesse sentido. Faltou criatividade e inovação para James DeMonaco, diretor e roteirista da saga. As ideias estariam acabando?

O último ato do filme, o mais arrastado, se passa dentro de uma igreja e faz uma aproximação interessante entre violência e religião, mostra como as pessoas ficam cegas em suas crenças. Outra ideia que poderia ser melhor aproveitada e aprofundada.

Dos três filmes da franquia, esse 12 Horas para Sobreviver é o mais fraco. Repete as ideias do segundo, não inova e avança pouco na trama. As boas ideias - como os turistas assassinos e o aspecto visual interessante com as máscaras marcantes dos símbolos americanos - são descartadas rapidamente e tem literalmente poucos segundos de cena. Pouco para tanta promoção, já que as caras brilhantes e ameaçadoras aparecem em todos os cartaz de divulgação do filme.




quarta-feira, 28 de junho de 2017

DISQUE M PARA MATAR (1954)



DISQUE M PARA MATAR (Dial M for Murder / 1954) - Fazer grandes filmes com grandes livros é fácil, difícil é fazer o mesmo com livros baratos, daqueles que poucos eram... por isso que Alfred Hitchcock é um gênio imortal. Cada filme dele é uma aula de cinema em algum aspecto. Pássaros é o meu predileto de Hitchcock. Mas Janela Indiscreta e Festim Diabólico também são marcantes e criam suspense usando um cenário único. Disque M Para Matar segue essa mesma linha de sucessos do diretor.

Tony, um ex-jogador de tênis, é casado com a bela Margot (Grace Kelly), mas ela está muito interessada em Mark, um escritor norte americano que chega naqueles dias em Londres. Os dois já mantinham um caso em segredo. E tudo isso é mostrado em cortes rápidos e sem nenhuma fala ainda nos segundos iniciais do filme.

O marido traído convoca Charles, um amigo para cometer o crime perfeito - matar a esposa sem deixar vestígio em troca de uma bela quantia em dinheiro. Ele aceita. O plano é pensado nos mínimos detalhes e explicado à exaustão por Tony. Parece à prova de falhas.

O crime acontece, mas tem uma falha. Margot, que estava sendo enforcada por Charles, usa uma tesoura que tem na mesa para enfiar nas costas do agressor, que morre na hora. Tony, que conversava com a esposa ao telefone naquele exato momento, ouve tudo e corre para casa. Chegando se depara com a cena que não esperava - a mulher viva e o amigo morto.

Daí para frente o show de Hitchcock. O suspense à toda prova. O chefe da polícia passa a investigar o casal para descobrir o que de fato aconteceu. A cada cena as máscaras vão caindo. Personagens mudam de intenção, passam de charmosos e seguros para nervosos e ansiosos. Margot nem desconfia do plano do marido, mas se mostra mais forte do que imagina no começo e Mark, até então "apenas" um amante, estabelece-se como grande força da parte final do filme.

O longa de Hitchcock é tão renomado que ganhou uma série televisa, quatro telefilmes, e um remake  para o cinema em 1998 com o nome de Um Crime Perfeito com Michael Douglas, Viggo Mortensen e Gwyneth Paltrow. Festejado, copiado e homenageado, como tantas e tantas obras que levam a assinatura de Alfred Hitchcock.
Veja abaixo o trailer de Disque M para Matar.


  


sexta-feira, 23 de junho de 2017

OS SEIS RIDÍCULOS - (2015)




OS SEIS RIDÍCULOS - (The Ridiculous 6 / 2015) - Cada vez se torna impossível entender o que Adam Sandler quer fazer com a sua carreira. Convenhamos, ele não deve estar desesperado por dinheiro, já deve ter conseguido fazer um pé de meia suficiente para viver muito bem. Ele não apenas estrela, como escreve e até produz a maioria dos seus longas (só falta dirigir, mas é melhor nem dar ideia).

E olha que sou fã de Sandler desde os tempos de SNL, quando ele não passava de um moleque atrevido que fazia ótimas músicas tirando sarro de famosos e com trocadilhos inteligentes. Tipo o que Andy Samberg fez recentemente no mesmo SNL. Quando largou a série e foi pro cinema Sandler teve vários acertos no começo, como Um Maluco no Golfe, O Rei da Água, O Paizão, entre outros. Chegou ao auge no começo dos anos 2000 com Tratamento de Choque ao lado de Jack Nicholson e Como se Fosse a Primeira Vez tendo Drew Barrymore como seu par amoroso.

O moleque atrevido cresceu, mas seus papéis no cinema não acompanharam. Os seus acertos se transformaram em acúmulo de erros - como Gente Grande, Zohan, Este é o Meu Garoto, e claro este The Ridiculous 6.

Aqui ele interpreta um caubói com cara de mal e voz rouca forçada, que tenta conhecer o pai. Pelo caminho nessa jornada, ele encontra outros cinco personagens que tem absolutamente tudo diferente entre si - e tem mexicano, negro, branco, japonês, baixinho, fortão... enfim, mas todos afirmam serem filhos do mesmo pai. Aí estaria a graça. O Ridiculous 6 se descobre um sexteto de irmãos.

O que irrita nos filmes recentes de Sandler é a necessidade que ele tem de se mostrar como o "fodão". Ele é sempre o cara que conquistas as mulheres, o cara que os amigos invejam, as histórias giram em torno dele, sempre. Ele está se tornando tão irritante quanto o Tim Allen e seus filmes igualmente chatos. E pior, constrangedores.

Sandler poderia ter aprendido com caras como Steve Martin, Chevy Chase, John Candy, John e Jim Belushi, e tantos e tantos comediantes que basearam suas carreiras na "auto-tiração" de sarro. Eles não só faziam rir, mas riam de si mesmo. E não vivendo um tipo. Sandler não segue o caminho desses grandes e está com a bolinha cada vez menor para as comédias.
Veja abaixo o trailer de The Ridiculous 6.



domingo, 18 de junho de 2017

DRÁCULA DE BRAM STOKER (1992)

O Drácula como escrito em 1897

DRÁCULA DE BRAM STOKER (Bram Stoker´s Dracula / 1992) - Não seria a primeira e nem a última vez que a história de Drácula seria contada. Mas depois de tantas invencionices, Coppola assumiu a direção e a produção do longa e decidiu contar a história original criada por Bram Stoker em 1897. Coppola queria tanto ser fiel ao livro que fez questão de incluir no título do longa o nome do criador - Drácula de Bram Stoker.

Coppola dirige Gary Oldman como Dracula

O personagem-título é interpretado por um magistral Gary Oldman, que já mostrava aqui o seu talento de mil facetas, encarnando um ancião, um jovem cabeludo, um lobo ou o próprio diabo. Todas essas mudanças de aparência fazem de Drácula uma força praticamente indestrutível e sempre uma figura amedrontadora.

Todas as personificações do mal

Drácula atrai pro seu castelo o jovem Jonathan (o sempre péssimo Keanu Reeves). Mas o real interesse dele é na namorada de Jonathan, a bela Mina (Wynona Ryder). Todo esse fascínio não é à toa. Mina é idêntica à esposa que Drácula teve 400 anos antes e que teve um fim trágico.

Mina, amante do conde Dracula

Eles se veem presos no castelo. O doutor espiritual Van Helsing (Anthony Hopkins) é chamado para livrar Jonathan, Mina e a irmã desta, Lucy, das forças demoníacas de Drácula. Isso porque o velhote passa a perseguir Mina, na sede cega de conseguir de volta para si aquela que, segundo ele acredita, seria uma reencarnação do seu grande amor.

Dracula conversa com o jovem visitante

Drácula de Bram Stoker envelheceu mal em alguns aspectos. Alguns efeitos de vídeo, trucagens e até mesmo o áudio dublado dos atores durante quase todo o longa entregam o produto feito no comecinho dos anos 90. Apesar disso o longa faturou três prêmios Oscar técnicos, como figurino, efeitos sonoros e maquiagens. E concorreu ainda com direção de arte.

A caça a uma raça superior à humana

Mas o que peca de um lado, sobra do outro - o filme é um desfile de belas maquiagens em um cenário completamente assustador. Dentro do castelo do Drácula as sombras se movimentam, ouvem-se vozes sussurrando e troveja o tempo todo. Drácula rasteja pelas paredes, solta grunhidos arrepiantes e flutua ao invés de andar.

Van Helsing

Vale pelo resgate de Coppola a uma obra importante para a cultura geral, onde o homem se mostra mais uma vez fascinado pela mitologia dos monstros que ele mesmo cria. Um filme que envelheceu, repito, mas que ainda assusta como se fôssemos nós os perdidos no castelo do conde Drácula.

A sede por sangue

Veja abaixo o trailer de Drácula de Bram Stoker.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

ANIMAIS NOTURNOS (2016)

Artista blasé

ANIMAIS NOTURNOS (Nocturnal Animals / 2016) - Um homem no caminho certo. Tom Ford é estilista de formação, mas gosta de se aventurar na produção e direção de filmes. Animais Noturnos é o segundo projeto em que ele assume a direção além do roteiro. Antes, Tom Ford havia dirigido Direito de Amar

Ford, de azul, em ação

A história é ambiciosa... à princípio. Susan (Amy Adams) é uma apreciadora de artes, responsável por uma espécie de centro cultural, que fica intrigada ao receber um manuscrito de um livro feito pelo ex-marido com o título de Animais Noturnos. Ela fica curiosa porque o ex-marido (Jake Gyllenhaal), que sempre sonhou em ser escritor, dedicou o livro à ela.

Uma mulher presa a uma história

Ela lê o manuscrito e o filme é partido ao meio. De um lado as cores pálidas e acinzentadas de Susan lendo em casa e reagindo ao livro e do outro lado as cores amareladas e pasteis do deserto do Texas onde se passa a história do livro que ganha vida, protagonizada por Jake Gyllenhaal e tendo Aaron Tylor-Johnson, o cara do Kick Ass, como principal vilão.

Personagem do livro e escritor do mesmo

Animais Noturnos é angustiante na medida em que a trágica história do livro pode acontecer com qualquer um - uma família é enquadrada por uns caras mal encarados na estrada deserta. Eles sequestram a esposa e a filha e somem com as duas. O pai, desesperado, só encontra os corpos das duas ao contactar o xerife local.

Confrontando o criminoso no carro

Susan, ao ler essa história angustiante escrita pelo ex-marido, interpreta tudo aquilo como um paralelo para a vida amorosa que os dois levaram durante anos. Ela abandonou o companheiro sem nem olhar pra trás e ainda fez um aborto. De uma tacada só, ele perdeu a esposa e o filho. Ao descobrir, claro, ele ficou devastado. 

O olhar perdido assistindo "Animais Noturnos"

Um ótimo plot principal que vem num crescendo e de repente... some, como num fade. A história fica nisso e só nisso, é uma personagem solitária e desiludida lendo um manuscrito e do outro lado toda a trama do livro acontecendo. É muito pobre de roteiro. Fica tedioso demais a edição também... fica pingando de lado a lado, não avança. Fraco em tantos sentidos.
Veja abaixo o trailer de Animais Noturnos.
  

terça-feira, 6 de junho de 2017

FLORENCE: QUEM É ESSA MULHER? (2016)

Ela achava que podia cantar

FLORENCE: QUEM É ESSA MULHER? (Florence Foster Jenkins / 2016) - O título em português é muito feliz. Afinal quem já ouviu falar de Florence Foster Jenkins? A socialite norte americana ganhou mais notoriedade após a morte do que em vida. Stephen Frears, diretor de Alta Fidelidade, Coisas Belas e Sujas, A Rainha e Philomena, entre outros, assume aqui a cadeira de direção.

Frears, de cachecol, conversa com Streep

Florence é interpretada por Meryl Streep, muito bem por sinal, mas rasgar elogio à Streep seja desnecessário. Hugh Grant vive St. Clair, seu marido que leva outro matrimônio em segredo. Florence sonha em ser cantora de ópera, mas não tem voz para isso. É aplaudida por suas amigas - velhinhas e surdas - que não ouvem o que todos, inclusive seu marido, escutam claramente - a sua voz pra lá de desafinada.

Ilusões de uma senhora

St. Clair contrata, após escolha de Florence, o jovem pianista Cosme (o surpreendentemente ótimo Simon Helberg, o Howard do The Big Bang Theory). Ele é inexperiente, mas compensa com muito talento. Ele chega a rir - não na presença dela, é claro - após ouvir Florence cantando. St. Clair batalha duro para manter a imagem de boa cantora da esposa ao pagar pequenas quantias ao professor de canto e aos jornalistas que cobrem as apresentações dela. A revisões nos jornais do dia seguinte acabam sendo favoráveis e a imagem de Florence de ótima cantora segue intacta.

Preste atenção nesse cara! 

Mas tudo é posto à perder na noite em que ela fecha o Carnegie Hall e oferece um show aos soldados, como forma de retribuição. Ali, ninguém se aguenta. Os risos caem soltos, todos que assistem percebem que Florence não tem a menor condição de cantar. Sua voz é horrorosa. O talento é zero. Duvida? Ouça abaixo o áudio original de Florence cantando Mozart.


O problema de Florence: Quem É Essa Mulher? é que não emociona nem cativa como deveria. Não dá pena de Florence, nem raiva do marido que compra opiniões e vive outro relacionamento. Isso sem falar que o CGI usado pra mostrar a cidade na década de 30/40 é sofrível, mal feito até.

Ele faz ela acreditar que é boa

Mas não é um filme ruim, não entenda mal. Apenas fica aquele gosto de descartável logo depois de assisti-lo. Vale muito por Streep e por Helberg que está à vontade para desfiar todo seu talento.
Veja abaixo o trailer de Florence: Quem É Essa Mulher?