quarta-feira, 28 de junho de 2017

DISQUE M PARA MATAR (1954)



DISQUE M PARA MATAR (Dial M for Murder / 1954) - Fazer grandes filmes com grandes livros é fácil, difícil é fazer o mesmo com livros baratos, daqueles que poucos eram... por isso que Alfred Hitchcock é um gênio imortal. Cada filme dele é uma aula de cinema em algum aspecto. Pássaros é o meu predileto de Hitchcock. Mas Janela Indiscreta e Festim Diabólico também são marcantes e criam suspense usando um cenário único. Disque M Para Matar segue essa mesma linha de sucessos do diretor.

Tony, um ex-jogador de tênis, é casado com a bela Margot (Grace Kelly), mas ela está muito interessada em Mark, um escritor norte americano que chega naqueles dias em Londres. Os dois já mantinham um caso em segredo. E tudo isso é mostrado em cortes rápidos e sem nenhuma fala ainda nos segundos iniciais do filme.

O marido traído convoca Charles, um amigo para cometer o crime perfeito - matar a esposa sem deixar vestígio em troca de uma bela quantia em dinheiro. Ele aceita. O plano é pensado nos mínimos detalhes e explicado à exaustão por Tony. Parece à prova de falhas.

O crime acontece, mas tem uma falha. Margot, que estava sendo enforcada por Charles, usa uma tesoura que tem na mesa para enfiar nas costas do agressor, que morre na hora. Tony, que conversava com a esposa ao telefone naquele exato momento, ouve tudo e corre para casa. Chegando se depara com a cena que não esperava - a mulher viva e o amigo morto.

Daí para frente o show de Hitchcock. O suspense à toda prova. O chefe da polícia passa a investigar o casal para descobrir o que de fato aconteceu. A cada cena as máscaras vão caindo. Personagens mudam de intenção, passam de charmosos e seguros para nervosos e ansiosos. Margot nem desconfia do plano do marido, mas se mostra mais forte do que imagina no começo e Mark, até então "apenas" um amante, estabelece-se como grande força da parte final do filme.

O longa de Hitchcock é tão renomado que ganhou uma série televisa, quatro telefilmes, e um remake  para o cinema em 1998 com o nome de Um Crime Perfeito com Michael Douglas, Viggo Mortensen e Gwyneth Paltrow. Festejado, copiado e homenageado, como tantas e tantas obras que levam a assinatura de Alfred Hitchcock.
Veja abaixo o trailer de Disque M para Matar.


  


sexta-feira, 23 de junho de 2017

OS SEIS RIDÍCULOS - (2015)




OS SEIS RIDÍCULOS - (The Ridiculous 6 / 2015) - Cada vez se torna impossível entender o que Adam Sandler quer fazer com a sua carreira. Convenhamos, ele não deve estar desesperado por dinheiro, já deve ter conseguido fazer um pé de meia suficiente para viver muito bem. Ele não apenas estrela, como escreve e até produz a maioria dos seus longas (só falta dirigir, mas é melhor nem dar ideia).

E olha que sou fã de Sandler desde os tempos de SNL, quando ele não passava de um moleque atrevido que fazia ótimas músicas tirando sarro de famosos e com trocadilhos inteligentes. Tipo o que Andy Samberg fez recentemente no mesmo SNL. Quando largou a série e foi pro cinema Sandler teve vários acertos no começo, como Um Maluco no Golfe, O Rei da Água, O Paizão, entre outros. Chegou ao auge no começo dos anos 2000 com Tratamento de Choque ao lado de Jack Nicholson e Como se Fosse a Primeira Vez tendo Drew Barrymore como seu par amoroso.

O moleque atrevido cresceu, mas seus papéis no cinema não acompanharam. Os seus acertos se transformaram em acúmulo de erros - como Gente Grande, Zohan, Este é o Meu Garoto, e claro este The Ridiculous 6.

Aqui ele interpreta um caubói com cara de mal e voz rouca forçada, que tenta conhecer o pai. Pelo caminho nessa jornada, ele encontra outros cinco personagens que tem absolutamente tudo diferente entre si - e tem mexicano, negro, branco, japonês, baixinho, fortão... enfim, mas todos afirmam serem filhos do mesmo pai. Aí estaria a graça. O Ridiculous 6 se descobre um sexteto de irmãos.

O que irrita nos filmes recentes de Sandler é a necessidade que ele tem de se mostrar como o "fodão". Ele é sempre o cara que conquistas as mulheres, o cara que os amigos invejam, as histórias giram em torno dele, sempre. Ele está se tornando tão irritante quanto o Tim Allen e seus filmes igualmente chatos. E pior, constrangedores.

Sandler poderia ter aprendido com caras como Steve Martin, Chevy Chase, John Candy, John e Jim Belushi, e tantos e tantos comediantes que basearam suas carreiras na "auto-tiração" de sarro. Eles não só faziam rir, mas riam de si mesmo. E não vivendo um tipo. Sandler não segue o caminho desses grandes e está com a bolinha cada vez menor para as comédias.
Veja abaixo o trailer de The Ridiculous 6.



domingo, 18 de junho de 2017

DRÁCULA DE BRAM STOKER (1992)

O Drácula como escrito em 1897

DRÁCULA DE BRAM STOKER (Bram Stoker´s Dracula / 1992) - Não seria a primeira e nem a última vez que a história de Drácula seria contada. Mas depois de tantas invencionices, Coppola assumiu a direção e a produção do longa e decidiu contar a história original criada por Bram Stoker em 1897. Coppola queria tanto ser fiel ao livro que fez questão de incluir no título do longa o nome do criador - Drácula de Bram Stoker.

Coppola dirige Gary Oldman como Dracula

O personagem-título é interpretado por um magistral Gary Oldman, que já mostrava aqui o seu talento de mil facetas, encarnando um ancião, um jovem cabeludo, um lobo ou o próprio diabo. Todas essas mudanças de aparência fazem de Drácula uma força praticamente indestrutível e sempre uma figura amedrontadora.

Todas as personificações do mal

Drácula atrai pro seu castelo o jovem Jonathan (o sempre péssimo Keanu Reeves). Mas o real interesse dele é na namorada de Jonathan, a bela Mina (Wynona Ryder). Todo esse fascínio não é à toa. Mina é idêntica à esposa que Drácula teve 400 anos antes e que teve um fim trágico.

Mina, amante do conde Dracula

Eles se veem presos no castelo. O doutor espiritual Van Helsing (Anthony Hopkins) é chamado para livrar Jonathan, Mina e a irmã desta, Lucy, das forças demoníacas de Drácula. Isso porque o velhote passa a perseguir Mina, na sede cega de conseguir de volta para si aquela que, segundo ele acredita, seria uma reencarnação do seu grande amor.

Dracula conversa com o jovem visitante

Drácula de Bram Stoker envelheceu mal em alguns aspectos. Alguns efeitos de vídeo, trucagens e até mesmo o áudio dublado dos atores durante quase todo o longa entregam o produto feito no comecinho dos anos 90. Apesar disso o longa faturou três prêmios Oscar técnicos, como figurino, efeitos sonoros e maquiagens. E concorreu ainda com direção de arte.

A caça a uma raça superior à humana

Mas o que peca de um lado, sobra do outro - o filme é um desfile de belas maquiagens em um cenário completamente assustador. Dentro do castelo do Drácula as sombras se movimentam, ouvem-se vozes sussurrando e troveja o tempo todo. Drácula rasteja pelas paredes, solta grunhidos arrepiantes e flutua ao invés de andar.

Van Helsing

Vale pelo resgate de Coppola a uma obra importante para a cultura geral, onde o homem se mostra mais uma vez fascinado pela mitologia dos monstros que ele mesmo cria. Um filme que envelheceu, repito, mas que ainda assusta como se fôssemos nós os perdidos no castelo do conde Drácula.

A sede por sangue

Veja abaixo o trailer de Drácula de Bram Stoker.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

ANIMAIS NOTURNOS (2016)

Artista blasé

ANIMAIS NOTURNOS (Nocturnal Animals / 2016) - Um homem no caminho certo. Tom Ford é estilista de formação, mas gosta de se aventurar na produção e direção de filmes. Animais Noturnos é o segundo projeto em que ele assume a direção além do roteiro. Antes, Tom Ford havia dirigido Direito de Amar

Ford, de azul, em ação

A história é ambiciosa... à princípio. Susan (Amy Adams) é uma apreciadora de artes, responsável por uma espécie de centro cultural, que fica intrigada ao receber um manuscrito de um livro feito pelo ex-marido com o título de Animais Noturnos. Ela fica curiosa porque o ex-marido (Jake Gyllenhaal), que sempre sonhou em ser escritor, dedicou o livro à ela.

Uma mulher presa a uma história

Ela lê o manuscrito e o filme é partido ao meio. De um lado as cores pálidas e acinzentadas de Susan lendo em casa e reagindo ao livro e do outro lado as cores amareladas e pasteis do deserto do Texas onde se passa a história do livro que ganha vida, protagonizada por Jake Gyllenhaal e tendo Aaron Tylor-Johnson, o cara do Kick Ass, como principal vilão.

Personagem do livro e escritor do mesmo

Animais Noturnos é angustiante na medida em que a trágica história do livro pode acontecer com qualquer um - uma família é enquadrada por uns caras mal encarados na estrada deserta. Eles sequestram a esposa e a filha e somem com as duas. O pai, desesperado, só encontra os corpos das duas ao contactar o xerife local.

Confrontando o criminoso no carro

Susan, ao ler essa história angustiante escrita pelo ex-marido, interpreta tudo aquilo como um paralelo para a vida amorosa que os dois levaram durante anos. Ela abandonou o companheiro sem nem olhar pra trás e ainda fez um aborto. De uma tacada só, ele perdeu a esposa e o filho. Ao descobrir, claro, ele ficou devastado. 

O olhar perdido assistindo "Animais Noturnos"

Um ótimo plot principal que vem num crescendo e de repente... some, como num fade. A história fica nisso e só nisso, é uma personagem solitária e desiludida lendo um manuscrito e do outro lado toda a trama do livro acontecendo. É muito pobre de roteiro. Fica tedioso demais a edição também... fica pingando de lado a lado, não avança. Fraco em tantos sentidos.
Veja abaixo o trailer de Animais Noturnos.
  

terça-feira, 6 de junho de 2017

FLORENCE: QUEM É ESSA MULHER? (2016)

Ela achava que podia cantar

FLORENCE: QUEM É ESSA MULHER? (Florence Foster Jenkins / 2016) - O título em português é muito feliz. Afinal quem já ouviu falar de Florence Foster Jenkins? A socialite norte americana ganhou mais notoriedade após a morte do que em vida. Stephen Frears, diretor de Alta Fidelidade, Coisas Belas e Sujas, A Rainha e Philomena, entre outros, assume aqui a cadeira de direção.

Frears, de cachecol, conversa com Streep

Florence é interpretada por Meryl Streep, muito bem por sinal, mas rasgar elogio à Streep seja desnecessário. Hugh Grant vive St. Clair, seu marido que leva outro matrimônio em segredo. Florence sonha em ser cantora de ópera, mas não tem voz para isso. É aplaudida por suas amigas - velhinhas e surdas - que não ouvem o que todos, inclusive seu marido, escutam claramente - a sua voz pra lá de desafinada.

Ilusões de uma senhora

St. Clair contrata, após escolha de Florence, o jovem pianista Cosme (o surpreendentemente ótimo Simon Helberg, o Howard do The Big Bang Theory). Ele é inexperiente, mas compensa com muito talento. Ele chega a rir - não na presença dela, é claro - após ouvir Florence cantando. St. Clair batalha duro para manter a imagem de boa cantora da esposa ao pagar pequenas quantias ao professor de canto e aos jornalistas que cobrem as apresentações dela. A revisões nos jornais do dia seguinte acabam sendo favoráveis e a imagem de Florence de ótima cantora segue intacta.

Preste atenção nesse cara! 

Mas tudo é posto à perder na noite em que ela fecha o Carnegie Hall e oferece um show aos soldados, como forma de retribuição. Ali, ninguém se aguenta. Os risos caem soltos, todos que assistem percebem que Florence não tem a menor condição de cantar. Sua voz é horrorosa. O talento é zero. Duvida? Ouça abaixo o áudio original de Florence cantando Mozart.


O problema de Florence: Quem É Essa Mulher? é que não emociona nem cativa como deveria. Não dá pena de Florence, nem raiva do marido que compra opiniões e vive outro relacionamento. Isso sem falar que o CGI usado pra mostrar a cidade na década de 30/40 é sofrível, mal feito até.

Ele faz ela acreditar que é boa

Mas não é um filme ruim, não entenda mal. Apenas fica aquele gosto de descartável logo depois de assisti-lo. Vale muito por Streep e por Helberg que está à vontade para desfiar todo seu talento.
Veja abaixo o trailer de Florence: Quem É Essa Mulher?



sexta-feira, 2 de junho de 2017

INDEPENDENCE DAY: O RESSURGIMENTO (2015)

"It´s bigger than the last one"

INDEPENDENCE DAY: O RESSURGIMENTO (Independence Day: Resurgence / 2015) - É um perigo assistir remakes ou continuações caça-níquel de filmes que você se lembra com carinho. Tive a sorte de ir ao cinema por acaso e assistir ao Independence Day na década de 90. Saí entusiasmado do cinema, gostei de tudo! Reassisti o filme todas as vezes que passou na Sessão da Tarde, gravei o filme em VHS e depois, já recentemente comprei o DVD. Sou muito fã do original, então sabia que assistir essa sequência seria um risco.

Parte do elenco original volta nessa continuação

Confesso que assisti essa continuação com poucas esperanças de que veria algo realmente bom e meus medos se confirmaram. Independence Day: O Ressurgimento, se passa vinte anos depois dos acontecimentos originais e... é um filme ruim, empacotado e embalado para atrair novos fãs, mas atropelando praticamente tudo o que o original tinha de bom.

O ex-presidente atormentado por pesadelos com alienígenas 

Jeff Goldblum e Bill Pullman estão de volta, assim como outros, menos Will Smith que decidiu não participar. A relação que o roteiro faz entre os personagens antigos abrindo espaço para os novos é interessante. Funciona e resolve. Mas o problema é muito mais profundo. O roteiro é fraco, não aprofunda e nos joga de repente numa batalha entre raças de outros mundos com pouca explicação.

As batalhas - único atrativo desse novo filme

Desta vez os ETs chegam por aqui, aterrizam sua nave - bem maior que a do filme anterior - e começam a cavar um buraco no centro do planeta para destruir de vez a vida por aqui. Todo encontro entre raças, que era um dos grandes baratos do primeiro filme, aqui acontece a todo tempo, o que acaba ficando sem valor. Então não faz diferença se o inimigo é de outro planeta ou da rua ao lado? Perdeu o sentido serem ETs os vilões.

O "destemido" David está de volta

As soluções encontradas para expulsar os ETs daqui são bem parecidas com as do roteiro original de 1996, até a questão do tiro do sacrifício, do presidente dos EUA discursando pro mundo todo ouvir, e a conversa entre raças sendo feito por um ser humano com os tentáculos em volta do pescoço... são muitos os pontos onde esse roteiro copia o anterior. Uma preguiça de roteiro que resulta em um filme que não se justifica, a não ser levantar belas quantias.

Liam Hemsworth buscando seu espaço como uma cara nova

Fique com o original, de 1996. Lá os efeitos não são melhores, mas o pioneirismo e a inventividade do roteiro fazem do filme um clássico. Aqui, eles copiaram basicamente o que foi feito lá trás esperando o mesmo sucesso, o que não se repetiu. Será que vem uma parte III por aí? O filme termina com um indicativo que sim. É bom os roteiristas se esforçarem um pouco mais, serem mais criativos e anotar uma lição importante - não basta sair por aí explodindo pontos turísticos, um filme precisa mais, precisa de história, uma boa história.

A cara do inimigo

Veja abaixo o trailer de Independence Day: O Ressurgimento.

domingo, 28 de maio de 2017

MARIDOS E ESPOSAS (1992)

Sally e Jack anunciam que vão se separar

MARIDOS E ESPOSAS (Husbands and Wives / 1992) - Era um período turbulento na vida de Woody Allen e Mia Farrow. No ano de lançamento de Maridos e Esposas o casal anunciava a separação após um escândalo envolvendo Allen e Soon-Yi, a filha adotiva do casal, 35 anos mais jovem do que o diretor. Woody não conseguiu se manter afastado dos holofotes. Os tablóides publicavam notas diárias sobre o caso. Sabendo disso, a experiência de assistir Maridos e Esposas não é a mesma coisa.

Judy e Gabe passam a analisar os problemas da relação

O roteiro de Allen (indicado ao Oscar), brinca com indas e vindas nos relacionamentos entre pessoas nos seus quarenta e tantos. Jack (Sidney Pollack) e Sally (Judy Davis, que concorreu ao Oscar de atriz coadjuvante), anunciam pros amigos de longa data Gabe (Allen) e Judy (Farrow), que vão se separar, mesmo com dois filhos e mais de vinte anos juntos.

Papo de amigas

O primeiro instinto é tentar convencer o casal a desfazer o divórcio. Tudo inútil. Eles já pensaram tão firmemente sobre o assunto que Jack já até arrumou uma namorada, uma jovem viciada em malhação e astrologia. Sally, vendo que o ex-marido rapidamente encontrou uma parceira completamente diferente dela, passa a duvidar que a separação foi a melhor escolha. E se pergunta: "será que Jack me traia?"

A nova namorada de Jack

O segundo passo é olhar para o próprio casamento. E aí Gabe e Judy começam a passar pro problemas. Ela cai nos encantos do jovem e charmoso Michael (Liam Neeson), mas escapa deles apesar de gostar do flerte. Como saída ela apresenta o rapaz a Sally e eles se engraçam.

Michael passa a se engraçar com Judy

Já Gabe, professor experiente de filosofia, se apaixona por uma aluna, a jovem Rain (Juliette Lewis). que não nega a corresponder o sentimento. A menina admite ter uma queda por homens mais velhos e inteligentes, inclusive conta a ele os detalhes de um dos seus companheiros do passado, também mais velho.

Rain e Gabe se aproximam

O cenário está armado. E claro, em um filme de Woody não espere por conclusões simples de um história. O que não falta por aqui são reviravoltas, conduzindo a história e o destino de todos esses personagens para onde não se imagina. Maridos e Esposas tem algumas cenas de diálogos afiados e cheios de trocadilhos entre Allen e Farrow que fica difícil imaginar que aquelas cenas não tenham sido gravadas com base no que eles enfrentavam na vida pessoal.

Discutindo na frente das câmeras e fora também 

Maridos e Esposas não é o melhor drama de Allen, longe disso. Mas monta uma séries de situações com assuntos que são comuns a todos nós, independente das diferenças. Todo mundo tem problemas nos relacionamentos, é normal. E Woody coloca todos em mesmo grau de relevância nesse sentindo. Todos somos reles mortais, afinal.
Veja abaixo o trailer de Maridos e Esposas.    



terça-feira, 23 de maio de 2017

CAPITÃO FANTÁSTICO (2016)



CAPITÃO FANTÁSTICO (Captain Fantastic / 2016) - Nome de filme de super herói, mas nada poderia ser mais distante. A história não é baseada num livro, apenas numa ideia que o roteirista e diretor Matt Ross teve assim que se tornou pai. Ele pensou como seria se os pais pudessem criar os filhos num ambiente perfeito dentro da própria realidade, fazendo com que as principais influências deles fossem as dos próprios pais. Daí surgiu a ideia para Capitão Fantástico.

Ben (Viggo Mortensen, que concorreu ao Oscar por este trabalho) vive no meio da floresta com todos os seis filhos, que variam de idade entre 6 e 18 anos. Lá, eles caçam a própria comida, tomam banho na cachoeira, escalam montanhas e enfrentam a verdadeira vida selvagem. Nas datas comemorativas ganham facas de caça e a usam com toda a destreza. Ali há pouco espaço para brincadeiras, durante a infância todos eles treinam como um verdadeiro exército.

As crianças são muito bem desenvolvidas, tanto física como intelectualmente. Dentro do ônibus e das suas pequenas casas na floresta elas tem centenas de livros de pensadores, matemáticos, filósofos. E é por eles que as crianças aprendem tudo o que sabem. Por isso mesmo as menores são capazes de citar trechos longos de obras importantes e até mesmo discutir sobre qualquer assunto. Embora falte a elas - e o filme escancara isso muito bem - o contato com outras pessoas.    

 A escolha de viver ali, afastado de um grande centro urbano, foi dos pais, eles queriam criar os filhos com nenhuma relação com outros humanos. Mas Ben decide voltar com as crianças para a cidade para se despedir da mãe, que acaba de cometer suicídio. E eles encontram no avô materno Jack (Frank Langella) a resistência que evitaram durante todos os anos vivendo reclusos. Ele quer enterrar a própria filha, enquanto Ben quer cremá-la, pedido que a esposa havia lhe feito.

Os pequenos sofrem porque vêm o pai perdendo a batalha para o avô - rico, bem sucedido e com uma casa cheia de luxo - o que explica em parte o porque da filha ter largado a vida de dinheiro farto por outra simples e pura no meio da floresta. 

Matt escolhe focar excessivamente na relação do pai com o avô deixando as crianças no meio, como um cabo de guerra. Teria sido mais interessante dividir o protagonismo a partir desse ponto, com as crianças. Como elas enfrentaram essa chegada à sociedade, como elas vêm o mundo com toda a tecnologia, e a relação com possíveis amigos e namorados ou namoradas. O filme aborda isso de uma forma muito leve, passa por cima e atropela.

A boa discussão que o Matt intencionava levantar no começo do projeto se perde ao longo do filme, principalmente por dois personagens irredutíveis e egoístas, que no fundo só prejudicam as crianças. Um pai que pensa em criar os filhos para ele e não para o mundo e um avô que quer abraçá-los julgando que o que o pai decide está errado. Um pior que o outro.  
Veja abaixo o trailer de Capitão Fantástico.



sexta-feira, 19 de maio de 2017

MORTDECAI - A ARTE DA TRAPAÇA (2015)




MORTDECAI - A ARTE DA TRAPAÇA (Mortdecai / 2015) - Sabe aquele tio que faz sempre aquela pegadinha de tocar no seu ombro e se esconder ou ainda que manda sempre aquele "é pavê ou pra comer?" A gente sempre ri por educação sem conseguir esconder o incômodo ao pensar bem no fundo "meu Deus, esse cara não muda?" Pois é, Johnny Depp está se tornando esse tiozão. Ele está arrastando Jack Sparrow pro resto da vida.

Mortdecai (Depp) é um colecionador de arte destacado para descobrir o paradeiro de uma pintura de Goya que foi roubada após um assassinato suspeito. Ele é todo excêntrico e ostenta um bigode diferentão, algo que os seus antepassados já ostentavam. Cheio de caras, bocas, gestos Mortdecai não vai à lugar nenhum sem Jock, o seu braço direito sempre pronto para salvar a pele do chefe, mesmo que para isso tenha que levar um tiro.

O Inspetor Mortland (Ewan McGregor) acompanha à distância o caso do roubo da pintura, ao mesmo tempo em que nutre um sentimento profundo por Johanna (Gwyneth Paltrow), a esposa de Mortdecai. Ele tenta à todo custo conquistá-la e ela retribui com charminho.

A pintura viajou pra todo canto e caiu nas mãos de outro colecionador de artes, Krampf (Jeff Goldblum), tão excêntrico quanto Mortdecai. A pintura - que teria na parte de trás o código de uma conta bancária nazista recheada de dinheiro - é disputado em um duelo de espadas entre Mortdecai e um ladrão de obras de arte.

O filme é chato. Simples assim. Cheio de atores estrelados e com um visual apurado e colorido, mas sem recheio. Falta estofo para Mortdecai assim como outros filmes dirigidos por David Koepp como A Janela Secreta e Perigo por Encomenda. Todos atuam aqui meio que no automático, e Depp (meu Deus...), está péssimo, exagerado e irritante com os trejeitos nada originais.
Veja abaixo o trailer de Mortdecai - A Arte da Trapaça.




domingo, 14 de maio de 2017

MORANGOS SILVESTRES (1957)

Um lugar onde o tempo é relativo

MORANGOS SILVESTRES (Smultronstället / Wild Strawberries - 1957) - Ousado, inovador, surpreendente. Faltam elogios para Morangos Silvestres, filme essencial na carreira de um não menos essencial Ingmar Bergman. O diretor sueco, que dirigiu até os 89 anos de vida, criou obras duras, complexas, mas acima de tudo belas peças do mais refinado cinema. Bergman tem um pé na filosofia e em questões existencialistas, temas que dominaram os mais de cinquenta filmes, entre cinema e televisão.

Bergman, de boina, em ação

Morangos Silvestres é um estudo otimista sobre a relação do ser humano com o seu próprio passado e a morte. Isak é um professor aposentado, viúvo que vive com a cuidadora e que mantém uma relação distante com o único filho. Não tem netos.

Um homem em profunda avaliação da própria vida

Ele sonha com a morte com frequência nos últimos tempos. Um destes sonhos é mostrado em detalhes - Isak anda por uma cidade abandonada e completamente silenciosa. As janelas estão lacradas e as portas fechadas. Uma figura aparece de costas para ele. Isak se aproxima e a figura não se mexe. Quando ele a toca, a figura estranha cai no chão escorrendo sangue. Depois aparece uma carruagem e uns cavalos, eles trazem um caixão. O caixão cai e dentro aparece o próprio Isak olhando para si. Isak acorda refletindo sobre tudo aquilo.

Fragmentos de um pesadelo

O professor vai receber uma homenagem pelos 50 anos de profissão em uma cidade próxima. E decide então fazer a viagem de carro. A nora Marianne vai junto. No caminho eles param em uma casa de campo onde Isak passou a infância. Enquanto caminha pelo terreno, passado e presente se fundem, as lembranças ganham vida, caminham junto dele, ao lado dele. Isak passa a ser espectador de acontecimentos que marcaram a sua vida. No terreno plantava-se morangos silvestres, daí o nome do longa.

Na visita, o passado toma vida

Presente e passado vão se revezando no comando da história, mas nunca de forma didática, simples de engolir. Bergman nos cutuca, nos instiga, nos convida a pensar, a compreender os dilemas da história. Isak ainda está cheio de vida embora esteja no final dela e ele decide então não sofrer por isso. Admite só conseguir descansar direito por entregar seus pensamentos sempre à lembranças do passado.
Veja abaixo o trailer de Morango Silvestres.


quarta-feira, 10 de maio de 2017

GUARDIÕES DA GALÁXIA - VOL. 2 (2017)

Guardiões

GUARDIÕES DA GALÁXIA - VOL. 2 (Guardians of the Galaxy - Vol. 2 / 2017) - Não é a primeira vez e nem será a última que este fenômeno acontece - os caras pegam uma fórmula que deu certo, e espremem, espremem até não poder mais. Essa união improvável de heróis das mais diversas espécies nasceu numa HQ nos anos 60. Os personagens foram repaginados em 2008 e viraram filme. Em 2014 saiu o primeiro, foi bem, fez grana. E agora três anos depois, assistimos o segundo, que exibe os mesmos méritos e claro, os mesmos defeitos.

Batalhas espaciais

A história se apóia na busca de Star-Lord (Chris Pratt) por seu passado. Até que ele encontra o pai, interpretado por Kurt Russell, um deus celestial que segue de planeta em planeta criando vida. O planeta onde ele mora é bonito, colorido, arborizado e todo perfeito. À princípio.

Os Guardiões e alguns intrusos

No mais os personagens principais se separam em arcos. Drax fica no planeta perfeito. Já Yondu, Rocket e Groot acabam nas mãos de prisioneiros do espaço, uma espécie de caçadores de recompensas ou piratas do espaço, algo do tipo.

Yondu e Rocket

Nebulosa e Gamorra, as irmãs que vivem brigando, formam outro arco do filme. Nebulosa é uma andróide, já que teve boa parte do corpo substituída por peças de robô, como represália do pai - o todo poderoso Thanos - por ter perdido as brigas com Gamorra. As personagens são interessantes e fazem dessa a porção mais interessante do filme.

As irmãs brigando mais uma vez

No mais - sem brincadeira - o filme é uma piada só. Literalmente. O cinema gargalhava, ria alto. Afinal, qual o propósito da Marvel com Guardiões da Galáxia? É fazer um filme de super herói ou uma comédia? Ou pior, uma paródia escrachada.

Baby Groot indeciso

Uma coisa é fazer um filme de super herói leve, bem humorado, com piadas pontuais e que fazem sentido. E cito aí Vingadores, Homem Formiga e Deadpool, que de longe é o mais "engraçadão" de todos. Mas... nesses casos cabe, entende?

Kurt Russel como Ego

Mas aqui em Guardiões da Galáxia - vol. 2 a comédia é forçada, exagerada e diria até fora de tom. Os caras não podem quebrar o clímax de uma cena com humorzinho de colégio. Como um herói que se transforma em pacman no meio da batalha mais importante do filme. E nem venha me dizer que "cabe no personagem" ou sei lá mais o quê. Isso é ruim, não tem propósito, e tira o espectador da ação, brochante mesmo.

Chrisd Pratt, de volta como Star-Lord
Veja abaixo o trailer de Guardiões da Galáxia - vol. 2: