quarta-feira, 20 de junho de 2018

DIGAM O QUE QUISEREM (1989)

Clássico

DIGAM O QUE QUISEREM (Say Anything... / 1989) - Nenhuma cena dos filmes adolescentes dos anos oitenta é tão icônica quanto essa aí em cima. É a primeira que vem à cabeça quando se fala em Digam o que Quiserem, o longa de lançamento do diretor Cameron Crowe e um dos primeiros de John Cusack como protagonista.

Cusack e Crowe no set de Digam o que Quiserem

Lloyd (Cusack) acaba de se formar e consegue o telefone de uma amiga de classe por quem é apaixonado. Ele liga e juntos vão à uma festa, se apaixonam e começam a namorar. Até aí tudo normal, parecido com outras centenas de filmes. Mas só parece. Lloyd gosta de praticar kickboxing ("é o esporte do futuro"), mas não é o estereótipo do atleta. É um cara comum, que mora com a imã e o sobrinho pequeno. Suas melhores amigas são duas meninas com quem divide suas angústias e vontades.

A coragem de simplesmente... ligar para ela

A namorada, Diane, é a mais bonita do colégio, inteligente, mas em nenhum momento ela é pintada como a garota popular, não é esnobe. Tem um pai protetor e amigo, figura que ela escolhe para dividir as suas histórias e seu dia a dia. Tanto ela quanto Lloyd são personagens mais reais, que qualquer um de nós poderia ter encontrado na época do colégio.

A mais bonita do colégio

E é justamente por isso que afirmo sem receio que essa história foge dos estereótipos dos filmes adolescentes da década de 80. A história de amor do casal encontra uma barreira justamente quando Diane descobre que o pai é um impostor que enriqueceu surrupiando dinheiro dos velhinhos do asilo onde trabalha. Chocada pela descoberta e sem tempo para dedicar ao namorado, Diane termina a relação e deixa Lloyd devastado.

Na chuva o pé na bunda

Aí chegamos na famosa cena. A música aqui, "In Your Eyes" de Peter Gabriel, tocada em alto e bom som pelo boombox de Lloyd, enquanto Diane no seu quarto, ouve, entende o recado, mas não se levanta da cama. A música do casal passa o recado exato já que ele sempre falou pras amigas o quanto havia se apaixonado pelo olhar da menina. Olha a cena famosa aí:



E abaixo a cena descrita no roteiro original.


O casal acaba reatando pouco depois, no momento em que Diane mais precisava. Seu pai passa a ser perseguido por oficiais da justiça pelas fraudes que cometeu e acaba preso. Lloyd e Diane ainda o visitam na prisão. Na cena seguinte o casal está dentro de um avião, seguindo para Londres. Diane ganhou uma bolsa para estudar lá.

Na cena final, no avião

Digam o que Quiserem não tem um ritmo comum, ele é mais lento, sem adolescentes chapados, drogados ou músicas chicletes tocando no fundo a todo momento. Outro estereótipo na qual o filme de Crowe não embarca.

Fugindo dos estereótipos

Um filme incomum, que não se encaixa em parâmetros dos filmes de adolescente dos anos 80. É mais do que isso. "Um filme de amor para pessoas que não falam `eu amo você`", é a definição do próprio Crowe para Digam o que Quiserem. Talvez a mais acertada.
Veja abaixo o trailer de Digam o que Quiserem.


domingo, 10 de junho de 2018

A NOITE AMERICANA (1973)

Metalinguagem pura

A NOITE AMERICANA (La Nuit Americaine / 1973) - Alguns nomes são tão marcantes e ganham tanta projeção e respeito de crítica e público que se tornam quase que sinônimo de cinema. Truffaut é um desses. Ao lado de Godard e outros jovens cineastas, Truffaut redefiniu o cinema francês com a criação da nouvelle vague na década de 60 e influenciou muita gente mundo afora. Glauber Rocha entre elas.

Truffaut (direita) indica como quer a cena 

Mas depois do sucesso de Acossado - que ele produziu e escreveu ao lado de Godard - Truffaut ficou por baixo na carreira. Os filmes que lançou depois de Farenheit 451 - precisamente no período entre  1966 e 1972 - não fizeram muito sucesso e deixaram o diretor de fora dos grandes circuitos do cinema europeu e mundial. Ele precisava de uma nova história, diferente, original.

"Ação!"

E tudo isso A Noite Americana é. O longa é metalinguagem pura, um filme dentre de outro filme. Truffaut atua como Ferrand, um cineasta que dirige a equipe e os atores do filme fake "Je Vous Présente Pamela".

A equipe faz, literalmente, parte da cena

Julie (Jaqueline Bisset) é a atriz principal e chega ao set ao lado do marido médico. E enquanto o filme está sendo rodado tudo acontece - tem a atriz que não decora as suas falas, tem outro se perde de paixão por outra companheira e se nega a atuar, tem a pressão dos executivos que querem um filme mais barato, tem o ator que morre durante as gravações, tem a pressão de escrever o roteiro na noite anterior à gravação e tantas outras coisas.

Toda beleza de Jacqueline Bisset

O mais interessante de A Noite Americana é que cada cena parece uma verdadeira aula de cinema. De verdade. Truffaut fez de cada sequência uma amostra do passo a passo de como se fazer um filme. Tem de tudo lá - chuva e neve falsos, a iluminação vazando de propósito, a contagem de giros no filme, a câmera e as engrenagens rodando, o diretor dando instruções para equipe e atores ou cantando as falas durante as gravações, os figurinistas correndo atrás de roupas, a maquiagem que sempre precisa de retoque e um gato que não bebe o leite como prevê o roteiro pedindo várias takes extras. Parece um grande be-a-bá para cineastas estreantes.

Passo a passo de como fazer um filme

E mais. Truffaut usou a própria equipe de retaguarda de A Noite Americana para atuar como a equipe do filme fake. E de quebra dá para acompanhar um pouco do método de trabalho do próprio Truffaut, que segundo Bisset e outros atores que trabalharam com o diretor francês, era dos mais entregues ao projeto. Sempre calmo, conversando e não gritando mesmo enfrentando problemas, delicado no trato com as pessoas e sempre muito seguro do todo.

Os atores são os próprios membros da equipe de Truffaut 

A Noite Americana é um belo filme agraciado com o Oscar de filme estrangeiro e que colocou de novo o nome de Truffaut em lugar de destaque. O cineasta francês, principalmente aqui, deu uma verdadeira aula de cinema. Com A Noite Americana poucas vezes isso ficou tão claro. E é sempre bom aprender com um mestre.    
Veja abaixo o trailer de A Noite Americana.


  

sexta-feira, 8 de junho de 2018

A OUTRA HISTÓRIA AMERICANA (1998)

O sorriso debochado

A OUTRA HISTÓRIA AMERICANA (American History X / 1998) - Um filme que te faz sentir mal só por assisti-lo. Ele tira você do conforto e te joga num turbilhão de ideias que por mais que você saiba que são reais você prefere ignorar ou combater nas pequenas ações do dia a dia. Certamente o melhor filme da carreira de Edward Norton - na minha opinião, junto com A Última Noite -, onde ele chegou até a concorrer ao Oscar pela atuação.

Uma atuação impressionante

A Outra História Americana é na verdade dois filmes que correm em paralelo - em preto e branco mostra o passado e em cores o presente. E eles vão se intercalando. Derek Vinyard (Norton) é um extremista neo-nazista - com tatuagens espalhadas pelo corpo, inclusive uma da suástica no peito - que mantém no seu quarto pôsteres, quadros e frases do partido nazista alemão.

Quarto decorado

Seu jovem irmão Danny (Edward Furlong, o eterno John Connor de O Exterminador do Futuro 2), o idolatra e, sem perceber, segue seus passos. Mas ele tem problemas na escola, principalmente depois de ter entregue na aula de história uma redação sobre "Mein Kampf", o livro de Hitler sobre o ideal do pensamento ariano.

Seguindo os passos do irmão mais velho

Derek passa 3 anos preso, após matar 2 negros que tentaram levar seu carro. Um a tiros e outro brutalmente pisoteado contra a guia da calçada, a icônica e mais forte cena do filme. Após os assassinatos e já cercado pela polícia, Derek se vira para o irmão - que assistiu a tudo - e sorri, orgulhoso pelo crime que acabara de cometer.

A mais forte cena do filme

Pouco depois alguns detalhes da vida pregressa de Derek são revelados, como o papel de líder que ele assume na comunidade neo-nazista da região. O que resulta numa cena de quebra-quebra num mercado comandado por um imigrante ilegal. Derek também revela todo o seu ódio em outra cena fortíssima num jantar em casa quando a mãe recebe o namorado judeu. Prato cheio para Derek bater com orgulho no peito, mostra a suástica e dizer "Aqui você não é bem vindo!"

Violência verbal no jantar em família

Mesmo com a saída da prisão e o reencontro com a família, Derek sai da prisão mudado e tenta a todo custo provar que não tem os mesmos pensamentos de antes. Tarefa difícil e claro, com final trágico.

Derek Vinyard passa um tempo na cadeia

A Outra História Americana assusta, incomoda, irrita e perturba. Tony Kaye que o diga. O filme foi a estreia do diretor no cinema, mas se ele soubesse que teria tantos problemas talvez não tivesse aceito o trabalho. Kaye e Norton se desentenderam durante as filmagens e a edição foi feita praticamente toda pelo ator.

O astro e o diretor - inúmeros problemas durante as filmagens

Impossível saber o que o filme seria se Kaye tivesse acompanhado o trabalho no final. Méritos para Norton que acumulou a edição e montagem do filme, além de ter feito o melhor trabalho como ator da carreira.
Veja abaixo o trailer de A Outra História Americana.

terça-feira, 5 de junho de 2018

THE OUTSIDERS: VIDAS SEM RUMO (1983)

Brat Pack

THE OUTSIDERS: VIDAS SEM RUMO (The Outsiders / 1983) -  Uma carta com um estranho pedido - "você poderia transformar este livro num filme". Foi o que Coppola recebeu de um bibliotecário. Boa ideia! E foi o que ele fez. Dirigiu o longa inspirado no clássico livro The Outsiders - Vidas Sem Rumo de 1967 e fez um filme que também se tornou igualmente clássico.

Ponyboy e Johnny

Clássico não apenas pela história, mas pela reunião de jovens atores que alcançariam certo êxito nas suas carreiras - Patrick Swayze, C. Thomas Howell, Rob Lowe, Matt Dillon, Ralph Macchio, Emilio Estevez, Diane Lane e Tom Cruise. Boa parte deles, mas não todos, ficaram conhecidos como "Brat Pack", nome dado a vários atores jovens que apareceram em alguns filmes no começo da década de 80. O título é uma homenagem ao "Rat Pack" grupo de artistas famosos e populares na década de 50 e 60 que apareciam juntos em alguns filmes, entre eles Frank Sinatra, Dean Martin e Sammy Davis Jr.

Rat Pack - Dean Martin, Sammy Davis Jr e Frank Sinatra

A turma toda - Cruise, Lowe, Howell, Macchio, Dillon, Estevez e Swayze

The Outsiders - Vidas Sem Rumo se passa no começo da década de 60 e retrata os Greasers - gangue de jovens que vestem jeans e camisetas surradas e usam cabelo com gomalina. São pobres, moram no lado norte da cidade e geralmente tem famílias quebradas, desfeitas. São carentes de quase tudo - alguns de inteligência, outros de bons modos.

Coppola comandando os garotos

Os rivais são os Socs - palavra que deriva de "sociáveis" -, grupo formado por jovens do lado sul da cidade, todos bem de vida, com carros do ano e roupas sempre limpas e bem ajustadas. As brigas entre os Socs e os Greasers são constantes, resultando até em mortes. É o que acontece numa emboscada dos Socs contra os integrantes mais jovens dos Greasers, Ponyboy e Johnny. Este último acaba levantando um canivete e mata um dos rivais.

Johnny e o corpo ao fundo

Seguindo o conselho de Dallas, o mais durão da turma, a dupla se esconde alguns dias numa igreja afastada. Ao mesmo tempo em que uma outra briga, uma espécie de revanche é marcada. Mas tudo cai por terra quando os Greasers salvam umas crianças de um incêndio e se tornam heróis locais.

Salvando as crianças do incêndio

A briga acontece mesmo assim. Sem morte, mas com vitória dos Greasers. Mas que vitória? Eles continuarão sendo os pobretões e mal vistos da cidade, com pouca oportunidade e nenhum dinheiro.

Greasers x Socs

Vidas Sem Rumo acerta em muitos momentos, principalmente no fato de ter lançado uma gama de atores que se tornariam renomados num futuro não muito distante. Bons atores dão peso aos personagens e por sequência à trama. Veja abaixo um trecho dos testes.



Coppola, o mestre por trás do filme, ficou satisfeito com o resultado final, mas já reconheceu em entrevistas que por vezes acha que cortou demais do filme. Tudo porque deu ouvidos a um dos produtores do estúdio. Ele cortou e se arrependeu depois. Mas graças ao pedido da sua neta (!), Coppola lançou uma versão estendida com bons minutos extras que ajudam a desenvolver melhor os personagens. Que vovô é esse, hein! No mais uma adaptação muito fiel de um livro marcante.
Veja abaixo o trailer de The Outsiders - Vidas Sem Rumo.



domingo, 3 de junho de 2018

TERRA ESTRANGEIRA (1995)

O abraço em Portugal

TERRA ESTRANGEIRA (1995) - Um marco. Para cineastas, atores e toda uma geração. Walter Salles, que ainda buscava seu espaço no cinema nacional - algo que chegaria poucos anos depois aos olhos do mundo com Central do Brasil - se junta a Daniela Thomas e começa a rascunhar o retrato do tenebroso Brasil daquele começo dos anos noventa. O governo Collor havia acabado de confiscar as reservas financeiras dos brasileiros e fazia, além disso, um verdadeiro desserviço ao cinema nacional ao extinguir a Embrafilme. Em 1992 o único filme brasileiro que chegou às telonas foi A Grande Arte dirigido por - adivinhem só - Walter Salles.

Salles comandando a câmera

Terra Estrangeira gira em torno desse momento - quando é divulgado pelo governo que o dinheiro  guardado pelo povo está confiscado. E é aí que Madalena (Laura Cardoso) desmorona já que dependia das economias para voltar à Espanha, sua terra Natal. Ela morre de desgosto. O filho Paco (Fernando Alves Pinto) não sabe o que fazer, nem para onde ir ao chegar em casa e encontrar a mãe morta no sofá.

 A mãe em casa

Através de Igor (Luís Melo), dono de um antiquário que coordena um sistema de envio de produtos ilegais para a Europa, Paco consegue uma passagem de ida para Lisboa. Lá, a sua missão é entregar a encomenda e escapar para a Espanha, para a cidade da mãe. Uma busca por suas origens. Mas a expectativa é destruída pela cruel realidade.

Paco só encontra violência 

Paco se vê sozinho, com uma encomenda que não lhe pertence, em um hotel de quinta, rodeado por imigrantes ilegais de Angola, Moçambique, Cabo Verde. Lá encontra Alex (Fernanda Torres) que acaba de perder o marido (Alexandre Borges), outro brasileiro que fazia os perigosos contrabandos para Igor.

Alex busca respostas em Portugal

O casal se aproxima e juntos iniciam uma jornada de fuga, a partir do momento que Igor passa a persegui-los depois de descobrir que a encomenda se perdeu pelo caminho. Paco e Alex não tem nada que os prenda a Portugal, mas também não tem dinheiro para voltar pro Brasil. Decidem fugir com Igor na cola.

O primeiro trabalho de Alexandre Borges no cinema

Walter Salles indica a Nouvelle Vague como uma das grandes influências para fazer Terra Estrangeira. Principalmente no momento em que o casal inicia a fuga de carro no trecho final, lembrando Acossado de Godard. Por isso, assim como no clássico francês, tudo aqui é preto e branco. O tom é cru, documental, um retrato do dia a dia, da vida desses personagens, iniciada pelas cenas do então presidente e da ministra declarando o confisco do dinheiro. 

Longe das origens

O roteiro entrega momentos muito belos. Não apenas pelas cenas lindas da borda do oceano de Portugal - como o mosteiro abandonado ou o barco preso na areia da praia. Mas também no diálogo ricamente incrementado por Millôr Fernandes - "esta escada está cada dia mais comprida" e até Fernando Pessoa falando de Lisboa como "o lugar ideal para perder alguém ou para perder-se de si próprio".
Veja abaixo o trailer de Terra Estrangeira.


segunda-feira, 28 de maio de 2018

HAN SOLO: UMA HISTÓRIA STAR WARS (2018)

Dá conta do recado?

HAN SOLO: UMA HISTÓRIA STAR WARS (Solo, A Star Wars Story / 2018) - E chega mais uma aventura da saga mais importante do cinema. Um spin off apenas, é verdade... mas ainda assim mais um filme, uma história que promete entregar mais detalhes dos personagens e das situações do passado do faroeste espacial de Star Wars. Desde a pré produção Han Solo sofre com duras críticas de fãs e não fãs da saga sobre a escolha dos atores, o roteiro e até mesmo questionaram o motivo de se fazer um filme de origem sobre um dos personagens mais queridos do universo Sta Wars. 

O elenco principal e os os dois diretores que iniciaram o projeto

Tudo reforçado pelos problemas de troca na direção e nos roteiros feitos de última hora. Saíram os desconhecidos Phil Lord e Chris Miller e entrou o oscarizado Ron Howard (ele foi indicado por Frost/Nixon e levou por Uma Mente Brilhante). 

Howard (de verde) no set de Han Solo

A história mostra o jovem Han Solo (Alden Ehrenreich) em suas primeiras aventuras vivendo em uma época (e planeta) onde combustível vale ouro. Ele tem um Kira (Emilia Clarke) uma parceira amorosa e companheira também de pequenos escambos . Lando (Donald Glover) não poderia ficar de fora dessa e claro Chewbacca mostra toda a sua força de wookie. O quadro está montado. Mas ainda tem espaço para Beckett (Woody Harrelson) que assume um papel de espécie de mentor de Solo, além de Dryden Vos (Paul Bettany) como um dos vilões do filme.

SPOILERS

E digo "um dos vilões" porque na verdade Han Solo tem vários. Na verdade todos são vilões em algum momento da trama. Uma boa ideia bem feita e bem realizada pelo roteiro de Lawrence Kasdan, o mesmo dos episódios VI e VII. Han Solo tem muitas cenas de ação que dão um movimento interessante e incensante à trama. Nada marcante ou inesquecível. Na verdade muitas cenas são homenagens ou cópias mesmo de outras saídas utilizadas nos demais filmes da saga, como escapar de um bichão cheio de dentes em uma caverna ou combater os caças imperiais com o canhões de tiro da Millenium Falcon, entre outras. Mas mesmo assim são sequências que ditam o ritmo de boa parte de Han Solo.

Parceiros na Millenium Falcon

O filme também presta, de certa forma, para corrigir erros ou imperfeições em outros filmes da saga - como a importância dada à correntinha que Han exibe à todo momento no começo do filme - item que já tinha aparecido no episódio VII e VIII. Isso sem falar na aparição intrigante, pra dizer o mínimo, de outro personagem muito relevante para a saga como um todo. E sem falar também na não aparição de Jabba. Dois belos ganchos para uma continuação de Han Solo. Será?

Kira, o interesse amoroso de Han
Inverter falas clássicas dos filmes originais também estão aqui. O famoso "eu te amo" seguido pelo "eu sei" entre Han e Léia nos episódios V e VI é substituído por "eu te odeio" e "eu sei" entre Han e Lando. "I have a bad feeling about this" agora é "I have a good feeling about this". São pequenas pérolas que deixam o roteiro inteligente e com um bom molho.

FIM DOS SPOILERS

O Han Solo de Ehrenreich dá conta do recado. Sim. Entrega aquele lado divertido, canastrão do Han de Ford. Mas claro, o objetivo não é substituir Han de Ford, de maneira nenhuma. Tudo serve como uma boa homenagem e Ehrenreich faz tudo muito bem. A edição, talvez, tenha lhe cortado alguns momentos sem fala em que ele poderia ter desenvolvido melhor caras e bocas, mas tudo bem. Nada que comprometa.

Solo e Chewbacca

Glover está excelente, embora seu Lando tenha menos espaço no filme que merece. Ele está canastrão na medida. Alguém para se confiar desconfiando. Assim como praticamente todos os personagens principais de Han Solo.

Partidinha de Sabacc
O problema de Solo está no ritmo. Na parte final tudo é muito corrido, acelerado. A impressão que fica é que tiveram que cortar uns bons minutos e preferiram tirar da meia hora final. Sem padrão. Essa aceleração compromete o ritmo, mas não estraga a experiência. Han Solo é leve, divertido e engraçado na medida. Não é maravilhoso ou imprescindível para a saga, mas não precisa, não tem essa pretensão. Funciona e entrega o que promete, e é o que basta.
Veja abaixo o trailer de Han Solo: Uma História Star Wars.


terça-feira, 22 de maio de 2018

PROJETO FLÓRIDA (2017)

Filha e mãe 

PROJETO FLÓRIDA (The Florida Project / 2017) - "O maravilhoso mundo da Disney", como diz o próprio slogan do lugar, pode não ser tão maravilhoso assim. Pelo menos para algumas pessoas que vivem à margem daquilo, nas proximidades dos parques que recebem diariamente milhares de turistas vindos do mundo inteiro. A ideia do roteiro de Projeto Flórida - que aliás é o nome como o parque era conhecido no começo de tudo - é justamente mostrar essas pessoas que vivem à margem.

Colorindo a infância pobre

O foco do filme é um grupo de crianças de cerca de 7 anos que vive em um hotel popular de beira de estrada. Tecnicamente, segundo o diretor Sean Baker, elas são sem-teto, já que seus pais não conseguem viver em casas próprias. Os dias passam quase sempre iguais, com as crianças andando por ali, aprontando pequenos delitos - como cuspir em carros ou invadir casas abandonadas - enquanto seus pais - pobres e sem condições - vivem de bicos ou trabalhos que pagam muito pouco.

Bkaer em ação, ao lado de Dafoe

Willem Dafoe é o zelador do prédio e enfrenta os problemas criados pelas crianças problemáticas e suas mães e pais. Destaque para Moonee e sua mãe, a ex-presidiária Halley, que vê na prostituição a única saída para levantar um dinheiro extra e pagar o "aluguel" semanal do quarto. O personagem de Dafoe se compadece com a história e alivia a barra da família.

O experiente Dafoe e a novata Brooklynn Prince

Mas tudo é visto pelo ponto de vista da pequena Moonee, por isso o plano de câmera escolhido é sempre baixo. Somos convidados a ser uma outra criança vivendo aquelas errantes vidas. Assim como o próprio Baker que se interessa pelas histórias que são varridas para baixo do tapete, como a desses americanos que vivem na linha da pobreza bem ao lado do "mundo maravilhoso da Disney".

Tédio

O interessante de Projeto Flórida é que todo o trecho final, logo após uma sequência emocionante sobre o drama de Moonee, é gravado com iphone. Isso tem um propósito, algo que o próprio Baker usou em filmes anteriores. Aqui, eu vejo assim, representa a imaginação dos personagens, nada daquilo aconteceu de verdade.

De iphone

Projeto Flórida apresenta, em contraste com as fortes cores das construções locais, uma história triste. Um drama familiar pautado em crianças que passam os dias vazios imaginando como seria fazer algo que elas não tem perspectiva ou dinheiro algum para realizar. 
Veja abaixo o trailer de Projeto Flórida.