segunda-feira, 1 de junho de 2015

A BUSCA (2012)

Até onde você iria pelo seu filho?

A BUSCA (2012) - O cinema nacional é assolado por um mal que é ao mesmo tempo a sua salvação. A Globo Filmes é uma das maiores produtoras do mercado no Brasil e responsável por manter a roda girando em terras tupiniquins. O problema é que, apesar de não viver de cinema, tem a maioria das suas produções moldadas à base do gosto do freguês, digamos. E a grande massa tem queda por filmes de comédia, sem muito ou com nenhum conteúdo, e que apresentam pouco desafio e geralmente tendo como protagonistas atores globais. Esse tipo de filme não passa de uma extensão da novela das sete. A sorte do cinema nacional é que na esteira dessas produções surgem outras com propostas bem diferentes, como esta também da Globo Filmes. O surpreendente A Busca.

Longe de ser uma família feliz

O diretor estreante Luciano Moura comanda a produção que tem em Wagner Moura um médico que vive do trabalho e de repente se vê em uma busca desesperada pelo filho adolescente que fugiu de casa à cavalo (?). A jornada, que só mostra o ponto de vista do pai, beira o exagero em alguns momentos, quando ele se vê numa comunidade hippie, no meio do mato, e é obrigado a realizar um parto.

Onde mais procurar? Um desespero que só aumenta

Por ser um homem afastado de qualquer relação afetiva com a esposa, com o filho e com o próprio pai, o personagem de Wagner Moura acaba se reconstruindo na busca pelo filho Pedro. Ele se vê em contato direto com personagens humildes, vivendo em favelas, em beira de estrada ou em pequenos vilarejos. Dessa forma, o "doutor" deixa de ser o dono da situação e passa a ser a figura dependente de uma boa ação dos outros, geralmente pobres e desfavorecidos. É aquela velha história do personagem rico com pobreza interior que vê nos pobres a grande riqueza que lhe falta.

A reconstrução de uma personagem em desespero

Pai e filho se reencontram na casa do avô, em outro estado. O que obriga que o personagem faça uma reaproximação forçada junto ao próprio pai. Wagner Moura reflete em seu filho o mal relacionamento que tem com seu pai, vivido na medida por Lima Duarte. O diálogo curto entre os dois e sem qualquer abraço ou sequer uma aproximação é suficiente e emocionante, qualquer coisa além disso seria fugir da realidade das personagens e apelar para o melodrama barato. Mérito para Wagner e Lima, além de Luciano, preciso na direção.

Curta, precisa e emocionante cena final

O roteiro tem seus furos, tem seus erros - como um menino conseguiria atravessar dois estados à cavalo tão rapidamente? - mas tudo vale em nome de uma boa história e de um bom filme. A Busca é simples, um road movie muito bem realizado e com uma linguagem de cinema, fugindo da linguagem televisiva que afeta a indústria cinematográfica brasileira em muitas obras. Vale ser conferido.

Brás Antunes, filho de Arnaldo Antunes, vive Pedro

Veja abaixo o trailer de A Busca.

Um comentário:

Laís Bentes disse...

Também adorei as cenas em que ele se Vê diante de pessoas de um mundo tão distante do dele.